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Edição 1223 - Já nas bancas!
30/04/2020

Editorial - Como ficam o trabalho e o emprego diante das incertezas do momento

Editorial - Como ficam o trabalho e o emprego diante das incertezas do momento

O coronavírus, que se espalhou rapidamente pelo mundo, tem levado a humanidade a desacelerar o ritmo das atividades diárias de trabalho, de consumo e de lazer. Em meio às crises de saúde pública e econômica, a fragilidade substituiu a segurança e a reflexão forçada emergiu quando a camada de proteção psicológica da falta de tempo deixou de existir. Sem a correria da rotina frenética, surgem questionamentos como o sentido do trabalho que cada um desenvolve e a importância real dele para as demais pessoas e para a sociedade.

No Brasil, pesquisas apontam que grande parcela da população está insatisfeita com o seu trabalho, se sentindo estagnada, perdida e sem perspectivas de crescimento profissional. Isso porque o funcionário de carreira, que entrava para trabalhar em uma grande empresa como office boy com o objetivo de, ao longo dos anos, ir subindo gradativamente de posto de trabalho até chegar a uma função de chefia já não é mais tão comum como antes. As pessoas mudaram. As empresas mudaram. As necessidades do mercado são mais imediatistas e exigem formação técnica anterior e adequação rápida. Os melhores qualificados, com capacidade de domínio tecnológico maior, agilidade e ousadia, simplesmente chegam e já ocupam a função de chefia. Têm que coordenar equipes e máquinas. Têm que participar de processos de inovação, de modernização, para tornar as atividades mais viáveis economicamente. Muitas vezes, isso inclui reduzir o número de alguns tipos de trabalhadores, pois as atividades que não exigem pensamento e criatividade as máquinas, cada vez mais eficientes, fazem. 

O trabalho baseado no modelo da Revolução Industrial com grande necessidade de operários já vem sendo superado há muitos anos. A tecnologia tem substituído muito da mão de obra braçal e os profissionais cada vez mais precisam estar cientes de que esta mudança não tem volta. O mercado de trabalho está passando por uma grande transformação, fato que será acentuado com a pandemia e a necessidade de isolamento social.

Entender esse momento será primordial, não para manter um emprego apenas, mas para garantir trabalho e renda. Emprego e trabalho são diferentes? Sim. Enquanto o emprego é uma relação formal, em que uma empresa possuiu um funcionário registrado e o remunera mensalmente por uma atividade determinada, o trabalho é tudo aquilo que se pode fazer, formal ou informalmente, que lhe possibilite conseguir recursos financeiros ou auxiliar de alguma forma as demais pessoas – no caso do trabalho voluntário.  

Trabalho é mais amplo e mais livre que emprego. Dá à pessoa a possibilidade de escolha, de sair daquilo que é mecânico, que é feito apenas para obter uma remuneração mensal. É encontrar o que realmente se está apto e disposto a fazer, que, consequentemente, aumenta a sensação de realização e o sentido daquilo que se faz. Descobrir o trabalho que nos apraz não é uma tarefa fácil, exige autoconhecimento, exige questionamentos, esforços e recursos para colocar em prática esta atividade. Entretanto, a maior barreira não é falta de recursos. Muitas vezes é a falta de conhecimentos e de disposição para sair da zona de conforto.

Neste contexto, a pandemia do COVID-19 que reforçou a condição humana de incerteza entre a vida e a morte, apresentou a todos a crise econômica mundial e também expulsou as pessoas de suas zonas de conforto, levando-as à reflexão, inclusive sobre o trabalho.  

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