Utilização da internet nos domicílios paranaenses atinge maior nível da série histórica

Por Redação Hoje Centro Sul 8 min de leitura

Pesquisa do IBGE mostra que 95,5% dos domicílios utilizavam internet em 2025; posse de telefone celular alcançou 92,0% da população de 10 anos ou mais no estado 

A utilização da internet nos domicílios paranaenses atingiu o maior nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Em 2025, 95,5% dos domicílios do estado utilizavam internet, o equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de residências. Entre as pessoas de 10 anos ou mais, o uso da internet também alcançou o maior percentual da série, assim como a posse de telefone celular para uso pessoal, que chegou a 92,0% da população. 

A pesquisa investiga o acesso à internet e à televisão, a posse de telefone celular para uso pessoal e a presença de equipamentos e serviços de tecnologia nos domicílios brasileiros, permitindo acompanhar a evolução desses indicadores ao longo do tempo. 

95,5% dos domicílios usam internet 

Em 2025, cerca de 4,3 milhões de domicílios paranaenses utilizavam internet, o equivalente a 95,5% do total. O percentual representa um aumento em relação a 2024, quando 93,6% dos domicílios utilizavam a rede, e constitui o maior resultado da série histórica iniciada em 2016. 

Ao longo da série histórica, a utilização da internet nos domicílios cresceu de forma contínua no Paraná. Em 2016, apenas 76,9% das residências utilizavam internet. Desde então, o indicador aumentou 18,6 pontos percentuais (p.p.), refletindo a expansão do acesso às tecnologias digitais no estado. 

Além do crescimento nos domicílios, o uso da internet entre as pessoas também atingiu o maior patamar da série histórica. Em 2025, 90,3% da população paranaense de 10 anos ou mais utilizou a internet nos três meses anteriores à entrevista, o equivalente a 9,37 milhões de pessoas. 

Em 2016, a utilização da Internet alcançava 68,5% da população com 10 anos ou mais. Ao analisar os grupos de idade da série histórica, as pessoas com 60 anos ou mais apresentaram o maior crescimento na utilização da Internet, passando de 354 mil pessoas em 2016, para 1,49 milhão em 2025.  

Celular: principal meio de acesso à internet 

A posse de telefone celular para uso pessoal também atingiu o maior patamar da série histórica no Paraná. Em 2025, 92,0% da população com 10 anos ou mais possuía celular para uso pessoal, o equivalente a cerca de 9,6 milhões de pessoas. 

Entre as pessoas que possuíam telefone celular, praticamente todas utilizavam o aparelho para acessar a internet, reforçando seu papel como principal meio de conexão dos paranaenses com o ambiente digital. 

A pesquisa também mostra que a presença do telefone móvel nos domicílios continua caminhando para a universalização. Em 2025, 98,0% das residências paranaenses possuíam pelo menos um telefone celular, enquanto o telefone fixo convencional manteve a trajetória de queda observada ao longo da série histórica. Em 2016, 37,9% dos lares paranaenses possuíam telefone fixo, enquanto em 2025 este número reduziu para 6,4% dos domicílios.  

 Pesquisa acompanha transformação dos hábitos digitais 

Realizada anualmente como módulo temático da PNAD Contínua, a pesquisa sobre Tecnologia da Informação e Comunicação investiga o acesso à internet e à televisão, a posse de telefone celular para uso pessoal e a disponibilidade de equipamentos e serviços tecnológicos nos domicílios brasileiros. Também reúne informações sobre a forma como a população utiliza a internet, incluindo frequência de acesso, equipamentos utilizados e principais finalidades de uso. 

Os resultados permitem acompanhar a evolução da inclusão digital no país e nas unidades da Federação, subsidiando estudos sobre acesso às tecnologias da informação, comunicação e serviços digitais. 

Computador volta a ganhar espaço nos domicílios

Depois de anos de redução, a presença de microcomputadores voltou a crescer nos domicílios paranaenses em 2025. O percentual de residências que possuíam esse equipamento alcançou 46,5%, indicando uma retomada da utilização desse dispositivo no estado, frente aos 43,5% em 2024 e aos 52,9% em 2016.  

Em relação aos tablets nos domicílios, em 2017, 17,6% dos domicílios possuíam o dispositivo, que apresentou queda até 2021, com 11,1% dos domicílios contando com ao menos 1 dispositivo. De 2022 em diante, o índice voltou a crescer, chegando a 14,5% dos domicílios em 2025. Os resultados sugerem uma ampliação da disponibilidade de equipamentos digitais nos lares paranaenses. 

Segundo o pesquisador do IBGE, Leonardo Areas Quesada, o comportamento observado em 2025 ainda deverá ser acompanhado nas próximas edições da pesquisa. “Pela primeira vez desde o início da série histórica, observamos nacionalmente que o percentual de domicílios com computador não caiu, por outro lado, apresentou um pequeno aumento. Agora vamos acompanhar os próximos resultados para verificar se essa tendência se consolida ou se representa apenas uma estabilização”, explica. 

Cresce a presença de serviços digitais nos domicílios 

O avanço da contratação de serviços pagos de streaming, entre os domicílios que possuem televisão, segue sendo observado desde o início da série histórica. De 2022 para 2025, o total de lares paranaenses que possuíam serviço pago de streaming passou de 68,2% para 75%, um crescimento que se mantém orgânico desde o início desta investigação.  

A banda larga permaneceu como a principal forma de conexão nos domicílios que utilizavam internet, cobrindo 99,8% dos lares. A pesquisa mostra ainda que a presença de dispositivos inteligentes, como caixas de som inteligentes, assistentes virtuais e equipamentos conectados à internet, também continuou crescendo no estado, acompanhando a ampliação da digitalização dos lares. Em 2022 no Paraná, 17,0% dos lares possuíam algum dispositivo inteligente, enquanto em 2026 este número saltou para 27,6% dos domicílios. 

Enquanto novos serviços ganharam espaço, equipamentos tradicionais seguiram perdendo participação, como o telefone fixo convencional.  

Chamadas de voz e vídeo lideram as finalidades de uso da internet 

A comunicação continua sendo a principal finalidade de uso da internet entre os paranaenses. Em 2025, 95,0% das pessoas de 10 anos ou mais que utilizaram a internet nos três meses anteriores à entrevista recorreram à rede para conversar por chamadas de voz ou vídeo, mantendo essa atividade como a mais frequente entre os usuários. 

Também estavam entre os principais usos da internet o envio e recebimento de mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail (89,4%), assistir a vídeos, programas, séries e filmes (87,6%), utilizar redes sociais (85,8%) e ouvir músicas, rádio ou podcasts (83,0%). 

Ao mesmo tempo, a internet vem sendo cada vez mais utilizada para atividades relacionadas ao consumo e aos serviços financeiros. O uso da rede para acessar bancos e outras instituições financeiras e para comprar bens ou serviços pela internet apresentou crescimento expressivo nos últimos anos. 

Em 2025, o acesso a bancos e outras instituições financeiras foi de 75,9% dos usuários, ler jornais, notícias, livros ou revistas representou 71,9% das pessoas com 10 anos ou mais, enviar ou receber e-mails por 62,4% dos usuários, enquanto comprar ou encomendar bens ou serviços foi uma atividade realizada por 55,8% do total de pessoas. Já vender ou anunciar produtos e serviços (13,9%) e jogar pela internet (32,6%) figuraram entre as finalidades menos frequentes. 

De acordo com o pesquisador do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, esse movimento reflete uma mudança no perfil de utilização da internet pela população brasileira. “Entre 2022 e 2025 houve uma expansão nacional de 14,4 pontos percentuais no uso da internet para acessar bancos e instituições financeiras, além de um aumento de 10,9 pontos percentuais nas atividades de compras de bens ou serviços on-line”, destaca. 

Embora os resultados apresentados pelo pesquisador sejam nacionais, eles evidenciam uma tendência de ampliação do uso da internet para atividades cotidianas que vão além da comunicação e do entretenimento. 

 Fernanda Araujo Greppe de Mello

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