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14/06/2021

Resposta aos filhos da nova década

Resposta aos filhos da nova década

Em 2021, nascerão 140 milhões de crianças no mundo, sendo 2,5 milhões no Brasil. Já no primeiro dia de 2021, a Terra recebeu 371.504 habitantes, os primeiros filhos da década que se inicia. Em nosso país, foram 6.935. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Multiplicam-se, portanto, os desafios e a responsabilidade da civilização de prover vida de qualidade às presentes e às novas gerações, em um cenário econômico abalado pela Covid-19, que aumentou a pobreza, empurrando cerca de 150 milhões de pessoas para patamar abaixo do nível da miséria, segundo estimativas da ONU.

Os números mostram que, apenas com o crescimento vegetativo de 2,5 milhões de habitantes, teremos no Brasil um novo contingente equivalente à população de Belo Horizonte (MG). A comparação dimensiona a premência de promovermos amplo processo de inclusão, recuperação de empregos perdidos, geração de novos postos de trabalho e retomada do crescimento econômico em níveis mais elevados do que antes da pandemia.

Temos, assim, compromissos relevantes a serem cumpridos, que incluem, necessariamente, um plano eficaz de vacinação de nosso povo contra o novo coronavírus, essencial para a normalização plena das atividades. São inadiáveis, também, as reformas estruturais, como a tributária e administrativa, fundamentais para destravar investimentos, proporcionar mais equilíbrio fiscal e viabilizar a expansão do PIB. E em grau compatível com nosso potencial demográfico, de recursos naturais, do agronegócio e de setores industriais e de serviços que, apesar de todos os obstáculos, são bem-estruturados e competentes. É de se esperar, assim, que a Câmara dos Deputados e o Senado, que contam com novas mesas diretoras este ano, o Executivo e o Judiciário trabalhem de modo mais sinérgico e assertivo para o bem maior do País.
Afinal, a retomada do crescimento econômico em níveis capazes de resgatar do desalento os cerca de 14 milhões de desempregados e de prover educação, trabalho digno e melhor vida às presentes e futuras gerações exigirá políticas públicas eficazes. Temos plenas condições de vencer os desafios da nova década, promovendo a inclusão socioeconômica dos brasileiros, por meio de um projeto eficaz de desenvolvimento sustentado.

Possuímos indústria sólida e meios privilegiados para cultivar alimentos sem desmatar. Somos um dos líderes mundiais na produção de etanol e o sétimo país em energia eólica, que agora será impulsionada com a geração off shore. Estamos entrando de maneira competitiva na solar e dispomos de recursos hídricos abundantes. Basta, agora, inteligência para trabalhar em um modelo que proteja o ambiente e gere renda para a população. Numa perspectiva de responsável otimismo, temos tudo para ser um dos líderes globais na agenda ambiental e na retomada da economia, respondendo de maneira muito competente a essas duas demandas prioritárias da humanidade.

Muitos haverão de alegar as dificuldades de se realizar, em plena pandemia, o que não temos conseguido fazer de modo eficiente nas últimas décadas. Porém, é nas grandes crises que as nações têm a oportunidade de demonstrar sua verdadeira capacidade de mobilização, luta, reação às adversidades e poder de superação. Está na hora de o Brasil tornar-se sujeito de sua própria história e protagonista global.

Texto: João Guilherme Sabino Ometto*

*O autor é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).

 

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