Paraná responde por 6,4% do valor das obras e serviços da construção no país em 2024 

Por Redação Hoje Centro Sul 5 min de leitura

A indústria da construção no Paraná gerou R$ 29,9 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços em 2024, o equivalente a 6,4% do total nacional, colocando o estado na quarta posição entre as unidades da federação, atrás de São Paulo (27,0%), Minas Gerais (12,6%) e Rio de Janeiro (7,6%). Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em razão da quebra da série histórica da pesquisa em 2024, os resultados apresentados para o Paraná englobam apenas as empresas do setor com cinco ou mais pessoas ocupadas. 

Ao todo, 6.270 empresas ativas da construção empregavam 136.818 pessoas ao final de 2024 e pagaram R$ 5,6 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Em média, cada empresa possuía 21,8 pessoas ocupadas, enquanto a remuneração média mensal dos trabalhadores correspondia a 2,2 salários-mínimos. 

Realizada anualmente pelo IBGE desde 1990, a PAIC investiga as empresas cuja atividade principal está inserida na seção Construção da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0). O setor é dividido em três segmentos: Construção de edifícios, Obras de infraestrutura e Serviços especializados para construção. 

No Paraná, o segmento de Obras de infraestrutura foi o mais relevante em termos de valor gerado, respondendo por R$ 12,0 bilhões, ou 40,2% do total estadual. Em seguida vieram Construção de edifícios, com participação de 37,1%, e Serviços especializados para construção, responsáveis por 22,8%. 

Construção de edifícios concentra maior número de trabalhadores 

As empresas da construção empregavam 136.818 pessoas no estado ao final de 2024. Desse total, 37,9% estavam ocupadas na atividade de Construção de edifícios, 33,1% em Serviços especializados para construção e 29,0% em Obras de infraestrutura. 

Mudanças no cadastro levam à quebra da série histórica em 2024

Os resultados das pesquisas estruturais em empresas, referentes a 2024, marcam uma mudança importante na série histórica do IBGE iniciada em 2007. A partir de então, os dados deixaram de ser diretamente comparáveis aos dos anos anteriores, em razão de alterações na forma de identificação das empresas ativas que compõem o Cadastro Básico de Seleção (CBS) utilizado na definição das amostras das pesquisas.

Historicamente, o cadastro era construído com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que permitia identificar se uma empresa havia exercido atividade no ano de referência. Com a substituição gradual da RAIS pelo eSocial, iniciada em 2019, parte dessas informações deixou de estar disponível, comprometendo a identificação de empresas ativas, especialmente as de menor porte. A mudança metodológica adotada em 2024 levou à quebra da série histórica das pesquisas estruturais em empresas, como a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), a Pesquisa Anual da Indústria (PIA), a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e a Pesquisa Industrial Mensal (PIM). 
Segundo a gerente das pesquisas estruturais em empresas, Andrea Bastos da Silva Guimarães, a maior dificuldade surgiu com a migração das empresas do Simples Nacional para o eSocial. “Essas empresas representam a maior parte do cadastro utilizado pelas pesquisas. Na RAIS, havia uma informação que permitia identificar se elas estavam efetivamente em atividade, mas essa variável deixou de existir”, explica.  

A ausência desse indicador fez com que o número de empresas presentes no cadastro básico saltasse de cerca de 5 milhões, para mais de 6 milhões. Como alternativa para administrar o problema, a Secretaria da Receita Federal sugeriu enviar ao IBGE informações provenientes de declarações fiscais, relativas às empresas sem movimentação por três anos consecutivos – que passaram a ser consideradas inativas e estabeleceram um novo critério para a construção do cadastro. Durante o processamento da pesquisa de 2024, verificou-se que aproximadamente 400 mil empresas inicialmente classificadas como inativas mostraram-se, na verdade, ativas. Como a etapa de coleta já havia sido encerrada e o processo de crítica estava adiantado, mostrou-se necessário recorrer a técnicas estatísticas de imputação e reponderação para incorporar essas unidades aos resultados. Na PAIC, por exemplo, uma amostra complementar de empresas foi selecionada e seus dados foram estimados estatisticamente. 

Embora o impacto esteja concentrado nas empresas com até cinco pessoas ocupadas, a mudança afeta os resultados das pesquisas e impede comparações diretas com os anos anteriores. Segundo a pesquisadora Andrea Bastos da Silva Guimarães, os efeitos são mais perceptíveis na PAS e na PAIC, ainda que todas as pesquisas estruturais sejam alcançadas pela mudança. 
Por outro lado, a adoção do novo procedimento permitiu atualizar os critérios de identificação das empresas ativas e adequar o cadastro às transformações ocorridas nos registros administrativos utilizados pelo IBGE. Para garantir transparência aos usuários, o Instituto divulgou notas técnicas detalhando as alterações metodológicas e formalizou a quebra da série histórica a partir de 2024. 

 Fernanda Araujo Greppe de Mello/IBGE

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