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O que mudou no dia-a-dia das escolas que se tornaram cívico-militares?

Sete colégios estaduais cívico-militares estão em funcionamento na região, em Irati, Inácio Martins, Prudentópolis, Mallet, Rio Azul e Rebouças.

13/04/2022

O que mudou no dia-a-dia das escolas que se tornaram cívico-militares?

Os municípios da região possuem sete colégios cívico-militares, cujos alunos – assim como todos os demais estudantes da rede estadual de ensino –, tiveram a opção de retornar presencialmente para as salas de aulas apenas nos últimos dois bimestres do Ano Letivo de 2021. Em 2022, com a vacinação e a queda do número de casos de Covid-19, a presença dos alunos voltou a ser obrigatória em todas as escolas no Paraná, inclusive nos colégios cívico-militares. Mas o que mudou nestas instituições?

Carlos Eduardo de Mello, aluno do Colégio Barão de Capanema, em Prudentópolis opina. “É outra escola, não dá para dizer que é o Barão de Capanema antigo”. Segundo ele, que já frequentava a escola dois anos antes dela passar a ser cívico-militar, “o aprendizado dobrou, o ensino melhorou demais”.

Maria Luiza Castro, diretora do Colégio Parigot de Souza, de Inácio Martins, outra escola que se tornou cívico-militar, destaca que houve ampliação da carga horária e do número de disciplinas. “Principalmente na área de exatas, que houve um aumento, em vez de 5 aulas, 6 aulas de Matemática. Também de Português e foi incluída a disciplina de Inglês no Ensino Médio, antes era o Espanhol, e os alunos gostam muito”, comenta.

As aulas têm início às 7 horas da manhã e término às 12h15 para que os alunos assistam seis aulas de 50 minutos cada. Além do Barão de Capanema e do Parigot de Souza, também se tornaram cívico-militares os colégios estaduais Duque de Caxias e João de Mattos Pessoa, em Irati; Nicolau Copérnico, em Mallet; Professora Maria Ignácia, em Rebouças;  e Afonso de Camargo, em Rio Azul.

“Com a sexta aula, disciplinas novas foram incluídas. Por exemplo, uma disciplina que os alunos estão adorando é Projeto de Vida, que é do novo Ensino Médio que começou este ano; e Matemática Financeira, os professores estão desenvolvendo uns projetos maravilhosos em relação a esta disciplina”, relata a diretora do Colégio Parigot de Souza.

A diretora do Colégio Barão da Capanema, Nellen Luciane Mehl, também frisa a importância de ter sido incluída a Matemática Financeira no Currículo Escolar, pelo fato destes conhecimentos se aplicarem ao cotidiano dos alunos. “É uma situação que o nosso aluno está vivenciando e está gostando muito, porque é importante a Matemática para o dia-a-dia, principalmente a Matemática Financeira e Cidadania e Civismo”, comenta.

Nellen e Maria Luiza enfatizam que outro aspecto positivo que elas têm percebido é o maior envolvimento das famílias no processo de ensino-aprendizagem. O fato dos pais terem votado, escolhendo o modelo cívico-militar para as escolas, motiva-os a interagir mais.  

“Ampliamos o número de matrículas no nosso colégio, porque a comunidade está apoiando. E, de pontos positivos, vemos muitas questões relacionadas às famílias, elas estão mais participativas, estão se envolvendo mais com o colégio”, detalha  Nellen.

Maria Luiza observa, em Inácio Martins, realidade similar à descrita pela diretora do colégio de Prudentópolis. “A participação dos pais é bem positiva. A maioria optou pelo cívico-militar, então eles estão bem participativos, gostando [do novo modelo]”, conta a diretora do Colégio Parigot de Souza. 

Silvana Aparecida Kszan é mãe de uma aluna do Colégio Duque de Caxias, em Irati. Ela cita que as expectativas que tinha quando matriculou a filha no colégio cívico-militar eram grandes e sua surpresa foi que todas foram atendidas e superadas. “Na disciplina, na ordem, na organização deles, nas regras. Mas acima de tudo é o trabalho pedagógico que eles aliam a tudo isso e as surpresas são muito grandes e maravilhosas”, afirma Silvana.

Além disso, a mãe diz sentir diferença no desenvolvimento da filha pelo fato dela estar estudando em uma instituição cívico-militar: “Ela está encontrando aqui desafios e com isso ela está crescendo. E ela tem gostado muito de toda essa disciplina, de toda essa organização, de toda essa parte do civismo que o colégio vem trabalhando”, diz Silvana.

Fragilidades e problemas

Apesar de as mudanças positivas serem destaque, ainda há fragilidades e problemas para o funcionamento ideal dos colégios cívico-militares na região.  

Uma delas diz respeito ao atendimento aos alunos que vêm da área rural para estudar nos colégios das cidades, o que é comum em toda a região Centro Sul. Com a carga horária maior, nem sempre o transporte escolar supre a demanda e alguns minutos das aulas são perdidos diariamente. 

“Temos muitos pontos positivos, mas temos as fragilidades também, mas que não dependem do colégio, que são fatores externos que acabam interferindo, como o atraso do transporte”,  relata Maria Luiza. No Colégio Parigot de Souza quase 50% dos estudantes do período matutino vêm do interior do município e estão chegando atrasados. “Como o colégio precisa iniciar as atividades às 6h50, nós temos dificuldades com relação ao transporte escolar. Os alunos precisam sair muito cedo, tem uns que saem dez para as quatro da manhã, cinco horas, até chegar aqui, e chegam com atraso. As aulas começam às 7h da manhã. Então é um ponto de atenção com relação à carga horária”, comenta a diretora.

Além disso, muitos não conseguem comer em casa por conta do horário. Então, são recebidos com um lanche para poderem iniciar os estudos.  “Na chegada dos alunos nós oferecemos o lanche. Então a primeira aula eles perdem muito, porque eles chegam atrasados e nós não deixamos eles irem para a sala sem lanchar. Aí eles vão para a primeira aula, que aproveitam uns 20 minutos”, conta Maria Luiza. 

Como os professores estão cientes desta fragilidade devido à distância entre a residência dos alunos e escola, bem como a dependência deles do transporte escolar (que precisa seguir uma rota determinada), eles buscam adaptar algumas atividades para a convergência da realidade local às exigências curriculares dos colégios cívico-militares.

Outro desafio enfrentado pelas escolas cívico-militares em toda a região, e em todo o Paraná, é o número insuficiente de monitores militares atuando. Com isto, nem todas as normas previstas no Estatuto do Estudante podem ser colocadas em prática. Mas, as escolas driblam como podem esta dificuldade.

“Pelo porte do nosso colégio era para quatro monitores militares assumirem, porém temos um e não temos previsão de outros. E neste ano nós estamos com aproximadamente 910 alunos. Então para um monitor militar a demanda é grande, mas nós sempre estamos auxiliando, direção, as pedagogas, os funcionários. Então está funcionando porque no nosso colégio nós trabalhamos muito em equipe, que é um ponto positivo”, diz Maria Luiza.

Disciplina

O aluno Carlos Eduardo de Mello relata que as atitudes dos colegas mudaram muito em comparação ao período em que a instituição não era cívico-militar. Ele cita como exemplo a forma como os alunos tratavam as funcionárias da limpeza, que teve grande melhoria. Além disso, o estudante aponta como excelente a segurança dentro do colégio.

 As diretoras Nellen e Maria Luiza também comentam que ocorrem melhorias na questão do respeito e da disciplina dos alunos.  Nellen conta que antes do sistema cívico-militar tinha dificuldades em relação a tais pontos.  Já Maria Luiza relata que os alunos costumavam ser disciplinados mesmo antes do novo modelo e que existiam problemas pontuais, como em relação ao uso do celular. “Nós tínhamos um problema quanto ao uso de celular, agora conseguimos organizar e fazer com que eles compreendam que o uso do celular é para fins pedagógicos. Então nós temos esse controle, porque temos muitas plataformas que os professores precisam trabalhar com relação a essa tecnologia”, diz a diretora.

Uniformes de gala

Um evento para a entrega dos uniformes de gala aos alunos dos colégios cívico-militares da região ocorreu em Irati, no Colégio Duque de Caxias, no último dia 24 de março. O evento contou com a presença do chefe do Núcleo Regional de Educação, Marcelo Fabrício Chociai Komar; dos prefeitos de Irati, Jorge Derbli; Inácio Martins, Júnior Benato; Fernandes Pinheiro, Cleonice Schuck; de Rio Azul Leandro Jasinski; de Prudentópolis Osnei Stadler; de oficiais militares; diretores; pais e alunos dos colégios cívico-militares.

Jorge Derbli, em seu discurso, pontou que o civismo e o respeito aos símbolos nacionais serão uma bagagem para toda a vida dos alunos e comentou que os uniformes entregues farão com que outras crianças tenham interesse de estudar nos colégios cívico-militares.

Texto: Letícia Torres e Fabrício Dziadzio

Fotos: Fabrício Dziadzio/Hoje Centro Sul

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