Futebol de fim de semana: como evitar lesões no joelho ao praticar o esporte

Por Redação Hoje Centro Sul 3 min de leitura

As lesões de menisco e do Ligamento Cruzado Anterior são as mais frequentes no futebol amador

O futebol amador de fim de semana está entre as principais causas de lesões no joelho atendidas em consultórios ortopédicos. Segundo o Dr. Frederico Scherner, ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e especialista em cirurgia do joelho, o problema começa antes mesmo da bola rolar: na falta de ritmo entre a intensidade que o jogador impõe à partida e o preparo físico que seu corpo realmente tem.

“O maior erro é achar que o coração e a mente do craque de 20 anos atrás combinam com o corpo atual, que passou a semana inteira sem qualquer preparação física”, afirma o médico. 

Diferentemente do atleta profissional, que descansa e se alimenta de forma adequada, o jogador amador costuma passar a semana se recuperando dos estragos do último jogo — o que reduz sua base muscular e aumenta o risco de lesões.

Alongamento na beira do campo resolve?

Para o Dr. Scherner, o tradicional alongamento estático antes da partida não é suficiente para proteger o joelho. De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), essa prática isolada não protege estruturas internas como meniscos e ligamentos. O ideal é substituir o alongamento parado por um aquecimento dinâmico, que simula os movimentos do jogo.

O protocolo mais reconhecido mundialmente para essa finalidade é o FIFA 11+, desenvolvido pelo Centro de Avaliação e Pesquisa Médica da FIFA. Estudos publicados no British Journal of Sports Medicine mostram que sua aplicação constante reduz em até 50% as lesões graves no futebol amador. O programa, que deve durar de 10 a 15 minutos, combina corrida leve e lateral, exercícios de fortalecimento excêntrico e pliometria (como afundos e saltos) e movimentos de agilidade com mudanças bruscas de direção.

Lesões mais comuns e sinais de alerta

As lesões de menisco e do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) são as mais frequentes, geralmente causadas por uma torção — quando o pé trava na grama e o corpo gira sobre o joelho. Um estudo publicado no The American Journal of Sports Medicine indica que, quando o estalo no momento do trauma é audível por outras pessoas em campo, a chance de ruptura completa do LCA associada à lesão de menisco ultrapassa 70%.

Segundo o especialista, é preciso atenção a quatro sinais: inchaço nas primeiras horas após o jogo, dificuldade para apoiar o pé no chão, sensação de instabilidade ou “falseio” no joelho, e travamento da articulação sem conseguir dobrar ou esticar totalmente. 

“Caso esses sintomas se apresentem, o jogador deve parar o futebol e procurar um ortopedista especializado”, orienta.

Dr. Scherner também alerta que a melhora do inchaço com compressas de gelo não significa que o joelho esteja pronto para o próximo jogo. “O jogador só está apto quando recupera a força total da perna e consegue saltar e mudar de direção sem dor ou falseio”, conclui.

Geziane Diosti

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