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31/08/2020

Editorial - Pequenas atitudes para mudar o mundo

Editorial - Pequenas atitudes para mudar o mundo

Cooperar é verbo. É ação. No dicionário significa agir ou trabalhar junto com outro ou outros para um fim comum, colaborar, ajudar, acudir, amparar. No dia a dia, significa somar esforços para o desenvolvimento, o que se aplica à economia, ao comércio, à saúde pública, ao cuidado com os espaços coletivo, à reciclagem e a tantos outros aspectos cotidianos.

Nunca como agora, tivemos ciência de que a interdependência é inevitável. Descobrimos ou redescobrimos isto da pior maneira. Um vírus mortal surgiu sem avisar e nos mostrou que trocamos, interagimos o tempo todo, mesmo sem perceber, e que por isso a prevenção exige tanto de nós. Distanciamento, máscaras e higienização constante para bloquearmos o contato das micropartículas (que podem ou não estarem contaminadas) com o ambiente e com as outras pessoas.

No aspecto físico, o contato foi reduzido. No aspecto intelectual não, ao contrário, foi ampliado. O sentir falta da proximidade com o outro levou a maioria das pessoas a valorizarem mais aquilo que deixaram de ter, a roda de amigos, as grandes reuniões familiares, os shows, as festas. Com isso, o pensamento sobre estas formas de sociabilidade tornou-se frequente, o que motivou o uso de ferramentas online para viabilizar a conexão entre as pessoas.

Cientes de que precisar do outro é normal, as pessoas também têm redescoberto maneiras se organizar para agir em conjunto, para cooperar. Exemplo disso é observar que a loja, o restaurante ou a lanchonete do bairro têm tido menos movimento e escolher comprar no comércio local, focado em auxiliar na movimentação da economia na sua cidade. Parece pouco, mas ajudar a minimizar a dificuldade do outro é bastante para quem é ajudado, e quando várias pessoas agem desta forma, ocorre um efeito em cadeia, em que todos ganham. Isso pode, por exemplo, evitar que pessoas do seu convívio sejam demitidas ou pode fazer com que a lanchonete que você gosta continue aberta.

Na saúde pública, o cooperar pode ser usar a máscara corretamente, em tempo integral, para evitar o possível contágio do outro. Você pode ter COVID-19 e ser assintomático, enquanto aquele que você contamina por displicência pode ficar dias em um hospital e até mesmo morrer pela doença. Ainda na saúde pública, o agir coletivamente para ajudar pode ser simplesmente dedicar um tempo para doar sangue, ou mais, mobilizar a comunidade toda para doar, como há vários anos uma moradora de Rio Azul faz.

Também no sentido de atuação comunitária, é possível somar esforços com o poder público para que praças, rotatórias e parques fiquem mais bonitos. É possível reciclar o lixo para que o problema mundial da destinação dos resíduos sólidos seja minimizado na cidade onde se vive.

Ao olhar para o coletivo, para o outro, para o ambiente, para o comércio, para o social, qualquer pessoa pode ajudar. Ajudar não é apenas doar uma cesta básica para uma campanha. É doar tempo. É cuidar. Não é preciso ser milionário para fazer a diferença para alguém, para colaborar, acudir, amparar, zelar.  Você já se perguntou sobre o efeito positivo que lavar uma lata de extrato de tomate e separar para a reciclagem pode ter? Uma atitude muito pequena, que exige tempo e boa vontade, que pode trazer renda de uma família, que pode ajudar a movimentar a economia, que pode fazer diferença para evitar a poluição ambiental.

São pequenas atitudes individuais sustentáveis, cooperativas, que repercutem para a melhoria da realidade local, regional e global. Atitudes cotidianas tomadas por pessoas comuns de forma despretensiosa, que se propagam e mudam o mundo.      

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