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Edição 1223 - Já nas bancas!
04/05/2020

Empresários de Irati contam o que têm feito para driblar a crise

Empresários de Irati contam o que têm feito para driblar a crise

Enquanto as medidas para enfrentar a pandemia do coronavírus exigem isolamento social  e levam as pessoas a reavaliarem hábitos de consumo, empresários buscam  meios alternativos para que seus produtos e serviços continuem chegando aos clientes. Isso tem ocorrido no mundo inteiro e em Irati não é diferente.  Proprietários de empresas de vários segmentos, como vestuário, artigos esportivos, turismo, construção civil e informática, contam o que têm feito para que seus negócios atravessem esse momento de redução nas vendas.   

“Vivemos um momento delicado da economia, onde estamos sim vendendo menos que a metade do que vendíamos para o período, e isso nos fez tomar uma decisão. Como nossas empresas são familiares, nós tomamos a decisão de trabalhar meio período”, relata Oscar Muchau, proprietário das lojas de roupas e calçados Vivere e da Spids Sports. Outras ações tomadas nas empresas, segundo ele, foram prorrogação de prazos junto a fornecedores, diminuição dos pedidos quando possível – aqueles que as fábricas ainda não tinham comprado matéria-prima –, além de aproveitar medidas governamentais de amparo econômico às empresas.

Oscar destaca que ao optar pela jornada reduzida a empresa vai arcar com metade do valor da folha de pagamentos e a outra metade fica a cargo do governo federal neste período de pandemia. “Nos beneficiamos do que o governo lançou, da medida provisória que deu a possibilidade de com 50% da carga horária ele complementaria com os outros 50%; o qual funciona basicamente como um seguro desemprego e também valores do seguro desemprego. Então a empresa está neste momento abrindo meio período, pagando pela empresa metade do salário e a outra parte complementada com essa medida emergencial do governo”, explica o empresário.

Para evitar demissões neste período de redução das vendas, algumas funcionárias também foram suspensas do trabalho nas lojas, segundo Oscar, considerando os critérios estabelecidos na legislação emergencial.

A diminuição do volume de produtos e serviços comercializados também afetou a empresa de Aglerson Soares, a Fix Info, que atua em um segmento totalmente diferente, o de venda de produtos de informática e telefonia, combinados à prestação de serviços de assistência técnica.  “O movimento caiu bastante. Após a reabertura do comércio, não está a mesma coisa que antes, nosso faturamento também caiu bastante. Realmente a pandemia deixou muita gente em casa”, comenta o proprietário da Fix Info.    

Para continuar atendendo os clientes, ele conta que foi criado um sistema gratuito de busca de equipamentos para manutenção. “Estamos trabalhando no modo delivery, também temos o serviço de coleta e entrega, onde disponibilizamos gratuitamente dentro da cidade de Irati para o nosso cliente que queira fazer a manutenção com a gente. Justamente para poder driblar isso daí. Mas ainda assim o movimento é bem menor”, relata.

Já a empresa de Roque Pedroso, a Irabox Decorações, não tem a opção de trabalhar com entregas, pois presta serviços de acabamento em construções e reformas em casas e estabelecimentos comerciais, fazendo, por exemplo, instalações de pisos, porcelanatos, divisórias e papéis de parede. Então, ele destaca que o cuidado com as ações de prevenção têm que ser levadas a sério, para que os funcionários atuem com segurança e os clientes também estejam protegidos.

“No momento em que foi liberada a abertura das empresas prestadoras de serviços, começamos respeitando as normas de prevenção contra o contágio, através do uso de máscaras, limpeza com maior frequência na empresa, distanciamento pessoal, álcool em gel disponível na empresa e para os colaboradores. Levando em conta que os colaboradores da instalação fazem o contato na casa do cliente, essas medidas precisam ser rigorosamente seguidas”, enfatiza o empresário.

Roque acredita que, tomando as medidas preventivas, as rotinas de trabalho devem continuar em andamento. “Não podemos deixar atrasar as entregas e consequentemente o recebimento pelo serviço e assim atrapalhando o fluxo de caixa, o pagamento de funcionários, e até evitar possíveis demissões”, diz.

Gisely Moleta Cordeiro, proprietária da loja de roupas HaYpe, também se preocupa em honrar compromissos e manter os pagamentos da empresa em dia, mesmo com a queda nas vendas. “Desde o início do surto, e principalmente devido o isolamento social, sentimos o impacto diretamente nas vendas, onde houve uma redução significativa.  E o problema dessa queda de faturamento são os compromissos futuros que temos que honrar, pois além de despesas como folha de pagamento e impostos, as compras das coleções outono/ inverno já foram efetuadas em 2019, baseadas nos relatórios de anos anteriores”, conta.

Para driblar a crise, a aposta da empresária tem sido na aproximação cada vez maior com a clientela, fortalecendo as relações e, consequentemente, fidelizando consumidores. Ela entendeu que em meio à crise e as incertezas provocadas pelo coronavírus, todos precisam de apoio, de contato, mesmo que de forma online.

“Logo que iniciou a pandemia senti a necessidade de um estreitamento no relacionamento com as minhas clientes, visto que, mesmo nesse momento difícil não podemos perder nosso contato, então uma das medidas foi intensificar as postagens, não somente fotos, mas também vídeos, inclusive com temas extras, além da moda, falando mais sobre a autoestima, sobre a importância de se cuidar”, comenta Gisely.

Sites e redes sociais

Investimentos em sites e redes sociais tem se intensificado desde que a pandemia trouxe o isolamento social e alterou hábitos dos consumidores. Mas apenas estar na internet não significa conseguir boas vendas.

A especialista em Marketing Digital Ana Tex fez uma capacitação através do Instagram do Sebrae/PR esta semana com o tema “Impactos do coronavírus: o que fazer?” Na live, ela dá dicas como buscar entender as necessidades de consumo que têm surgido e estar ciente que mesmo em meio à crise existem muitas pessoas dispostas a comprar.  Entretanto para conseguir chegar até o consumidor, que está em casa, Ana sugere que os empresários estudem mais sobre o meio digital, saibam as tendências do momento, comparem ferramentas para pagamentos digitais, se comuniquem através de vídeos, tenham um WhatsApp profissional (só para fazer negócios).

Na loja HaYpe, muitas dessas ações já vêm acontecendo, como conta a proprietária. “Mesmo com a reabertura do comércio, intensificamos ainda mais as postagens nas redes sociais como Facebook,  Instagram e WhatsApp. Inclusive fizemos um site para loja, para ter mais uma opção para quem não quer sair de casa  e é claro  tomamos algumas precauções importantes para que os funcionários e clientes sintam-se mais seguros”, conta Gisely.

Aciai sugere valorização do comércio local

A Associação Comercial e Empresarial de Irati, Aciai, solicita que os consumidores procurem dar preferência às compras no comércio local. “Nós gostaríamos de contar com a população de nossa cidade, para que realmente dê preferência para o comércio local, dê preferência para comprar no seu bairro, comprar na sua cidade neste momento,  para que não aconteça mais desemprego”, diz  Oscar Muchau, que é diretor de Comércio Local da Aciai, além de proprietário das lojas Vivere e Spids Sports.

 Turismo, o segmento mais abalado

“Sentimos já no final do mês de fevereiro o receio por parte das pessoas em viajar para fora do país e, posteriormente, com as viagens dentro do país. Os aeroportos passaram a ser locais evitados e até temidos em função da rápida disseminação do vírus. Como resultado,  tivemos aeroportos fechados e algo em torno de 85% das aeronaves no chão, algo nunca visto no planeta, até então”, relata a proprietária da agencia de viagens IVT Viagens &Turismo, Estela Mara Rosa. Devido à pandemia, ela cita que 99,9% dos clientes optaram por remarcar suas viagens e não por cancelar.

A empresa de Estela atua neste segmento há vinte anos e ela ressalta que a função de uma  agência  é de oferecer consultoria especializada aos clientes. “Faz algum tempo que a agência de viagem não é só um lugar de compra de viagem, até porque isso se faz pela internet. Ela é ‘Assessoria, Consultoria e Serviços em Turismo e Viagens’. Um exemplo prático da importância desta assessoria veio com esta pandemia, onde turistas de todo o Brasil, que estavam fora do país em momentos de fechamento de hotéis e aeroportos, foram rapidamente repatriados no caso dos que estavam viajando por agências de viagens, enquanto os que não tinham esta assessoria tiveram enormes dificuldades em retornar. Alguns ainda não conseguiram, apesar de todos os esforços do Ministério do Turismo”, diz.

Após a pandemia, a empresária acredita que a vontade de viajar continuará em alta e o turismo regional poderá crescer. “Penso que o Turismo há muito tempo deixou de ser um luxo, ou apenas lazer, passou a ser praticamente uma necessidade básica em função do nosso atribulado dia a dia”, defende Estela. Ela acrescenta que uma Agência de Turismo trabalha para a realização de sonhos. “Nesta perspectiva, as pessoas nunca deixarão de sonhar, portanto de viajar”, diz.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul

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