Centro da Juventude oferece terapia para crianças e adolescentes em Irati
A psicomotricidade Relacional busca prevenir ou resolver conflitos internos através de brincadeiras e jogos simbólicos
O Centro da Juventude de Irati está oferecendo a crianças e adolescentes a terapia Psicomotricidade Relacional. Trata-se de uma terapia que busca prevenir ou resolver conflitos internos através de brincadeiras e jogos simbólicos.
Segundo a pedagoga psicomotricista Cláudia Bonete, que desenvolve o projeto, existem poucas regras durante a prática. “O básico da Psicomotricidade Relacional é o corpo, movimento, o porquê age daquela forma. Durante as brincadeiras espontâneas, não existe uma regra, a pessoa cria, e isso puxa muito para a questão do que viveu na infância. A regra que temos é não falar durante a brincadeira, porque enquanto não falamos nosso inconsciente fica mais livre”, explica.
Tudo começa com a escolha do material: bolas, bastões, cordas, bambolês, caixas, tecidos ou jornais. “Eu coloco um material e deixo eles se relacionarem com o objeto, porque as vezes é muito mais fácil do que com uma pessoa. Remete muito a relação com esses objetos principalmente pai e mãe, que, por mais que seja saudável, sempre tem alguma coisa que marcou. Por melhor que sejam nossos pais, algo marca, como o nascimento de um irmão, um falecimento na família. O olhar de tenso da mãe para a criança significa outra coisa, principalmente o que não é dito”, comenta Cláudia.
O espaço para a pratica é uma sala dividida e reservada, para permitir que a criança ou adolescente se solte durante a terapia. “Se tiver alguém de fora olhando, as pessoas não têm coragem de se deixar à vontade, ficariam com vergonha. Nós dividimos o salão para ficar menor, porque o espaço conta muito para questão de contenção, porque pode surgir a agressividade”, conta.
Agressividade
A pedagoga conta explica que agressividade normalmente é devido ao desejo de fugir para se preservar de alguma lembrança ou sensação que a prática trouxe. “Quando tiramos a fala, o corpo se expressa mais. Quando eles estão tendo contato com uma questão interior é normal querer fugir como: ‘a quero tomar agua’ ou ‘ quero ir ao banheiro’, e uma das regras é não sair da brincadeira até acabar. É normal querer fugir, você foge ou enfrenta e as vezes as pessoas têm medo de enfrentar”, explica.
Resiliência
A psicomotricidade Relacional pode ser uma boa forma de criar resiliência, como conta Cláudia. “Para ser resiliente precisamos de elementos internos e externos. Às vezes tenho todos os elementos internos como ser bem-criado, fui bem alimentado, mas alguém durante a vida vai te desqualificar e aquilo se torna um motivo para ficar mal. Essas coisas acabam derrubando muitas pessoas. Na psicomotricidade relacional essas pessoas conseguem criar resiliência, porque não tem um olhar adulto recriminando ou julgando você, todos lhe aceitam como você é. Todos se sentem valorizados e quando valorizamos uma atividade, por menor que seja, começamos a ter confiança”, disse.
Turmas
O projeto está atendendo crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos em três turmas separadas, todas as terças-feiras. No período matinal, das 10h às 11h, está aberta a turma para crianças entre 8 a 11 anos. No período da tarde duas turmas, uma das 14h às 15h e outra das 15h30 às 16h30, estão disponíveis para adolescentes entre 12 e 18 anos.<

