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28/09/2020

Áudio enviado por WhatsApp “viraliza” e motiva afastamento do presidente do DEM

Jorge Derbli, Rodrigo Hilgemberg e Dagoberto Waydzik comentam os fatos e rebatem o que foi dito por José Valdecir de Souza enquanto era presidente do DEM

Áudio enviado por WhatsApp “viraliza” e motiva afastamento do presidente do DEM

No último final de semana, um dos assuntos mais comentados da política em Irati foi uma mensagem de áudio gravado pelo então presidente do partido Democratas (DEM), José Valdecir de Souza, endereçada ao prefeito e candidato a reeleição Jorge Derbli (PSDB). O áudio “viralizou” nos grupos de WhattApp de Irati e repercutiu mal. Tanto que no início desta semana Valdecir se afastou da presidência do DEM.

“O presidente do DEM de Irati, de forma inapropriada, envia uma mensagem ao prefeito municipal, revelando sua opinião pessoal sobre o pleito, cargos, vitória consagrada e se arvorando como se fosse o mandante político de Irati. Isso sem o conhecimento e concordância dos membros do partido e até do prefeito municipal. Uma opinião própria. Desastrosa. Inverídica. Soberba”, afirmou o ex-prefeito Rodrigo Hilgemberg, um dos nomes de maior expressão do DEM no município.

O áudio que circulou nos grupos de WhattApp de Irati aparenta ser anterior às convenções partidárias do PSDB, PV, Patriotas, PTB e DEM. Neste áudio  Valdecir utiliza palavras de baixo calão para falar sobre a escolha da vice Ieda (PV), promete em nome do deputado federal Evandro Roman (DEM) recursos federais ao município para obras de infraestrutura em uma cachoeira e pede duas secretarias a Derbli: Esporte e Cultura. Ainda afirma ter conversado com o ex-prefeito Rodrigo Hilgemberg e com o presidente do PV de Irati Dagoberto Waydzik sobre esses assuntos, além de referir-se com desdém à atuação do ex-prefeito Alfredo Van Der Neut, atual secretário de Cultura.

Secretarias

De acordo com o prefeito Jorge Derbli não há acordos firmados, tendo secretarias como moeda de troca.  “Não tem secretária para ninguém, para partido nenhum. Se algum partido está esperando isso, que já vá, saia da coligação, porque ninguém vai ter. Vamos escutar, vamos conversar, mais a decisão, a escolha é minha”, afirma.

 Quanto ao fato de ter recebido o áudio de Valdecir, o prefeito destaca que independe de sua vontade. “Eu não posso proibir ninguém de me mandar um áudio, me mandam fotos, me mandam mensagens pelo WhatsApp, e dessa forma veio essa mensagem aí que abalou a cidade, digamos, nesse último final de semana, do presidente do DEM. Mas quero frisar que é somente uma opinião dele, pessoal. Nós não temos na prefeitura essa atitude que ele fala, de que já há distribuição de secretarias, de cargos comissionados antes,  numa prévia, numa composição, numa coligação para acerto futuro”, afirmou Derbli.

O fato de ser o próprio prefeito que responde juridicamente pelos atos dos secretários da gestão, segundo Derbli, também é decisivo para a escolha.  “É o meu CPF que está em jogo, eu não vou por qualquer pessoa lá que me complique a situação na frente, quem vai responder é somente eu. Então, escuto, ouço, falo, converso, mas quem decide sou eu. E não terá influência nenhuma essa situação que ele [Valdecir] colocou”, afirmou.

E ele vai além, é mais enfático. “Não tem nada a ver dizer ‘eu quero essa secretária’, ‘eu vou mandar’. Quem manda sou eu”, enfatiza Derbli, explicando que cabe ao prefeito a responsabilidade de administrar e as penalidades caso hajam falhas na gestão .

A oposição

A oposição a Derbli gravou um áudio dizendo que os recursos comentados por Valdecir seriam “roubalheira”. Entretanto, as verbas seriam uma suposta  emenda parlamentar, que é um tipo de recurso lícito, destinado do Orçamento do Governo Federal a um Município para projetos ou obras, através da indicação de um deputado federal.

Entretanto, de acordo com o atual prefeito não há tratativas com o deputado federal Evandro Roman (DEM) para obras em uma cachoeira de Irati. “Esta emenda de R$ 6 milhões a que se refere o presidente do DEM, eu nunca ouvi falar. Para mim até foi surpresa essa situação de que teria esse dinheiro. Que bom se viessem para nós fazermos a Rota do Vinho, fazer um ponto turístico na cachoeira do Pinho, seria interessante para nós, mas, sinceramente, eu desconheço esse recurso. O Roman, pelo menos com ele nós nunca falamos sobre assunto”, contou Derbli.

O PV

Dagoberto Waydzik, presidente do PV de Irati e esposo de Ieda Waydzik, candidata à vice-prefeita da chapa de Derbli, também se manifestou sobre o ocorrido. Segundo ele, o PV “não compactua com negociatas” e seu nome foi citado de maneira “leviana”.  Sobre o áudio de Valdecir que “viralizou”, Dagoberto disse: “De forma totalmente descabida, citou sua ideia particular, falaciosa, sobre uma situação política do próximo pleito, com certeza desrespeitando seu próprio partido e outras siglas envolvidas. Lamentável o fato”.

A escolha da vice

Segundo Derbli, três dos cinco partidos da coligação sugeriram nomes para vice de sua chapa. A escolha de Ieda Waydzik (PV), segundo ele, deve-se ao mérito profissional dela e ao trabalho social que a advogada desenvolve junto à comunidade.

“Eu achei a Ieda a pessoa indicada pelo trabalho, por gratidão até pelos mais de 10 anos desse trabalho voluntário que ela vem fazendo à frente da Anapci, da Rede Feminina do Combate ao Câncer. É  uma pessoa que realmente tem qualidades, foi procuradora jurídica, foi vereadora, foi procuradora em outros municípios, já tem uma experiência política de uma administração, de uma gestão pública”, disse.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação

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