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28/08/2020

A pandemia e a nudez da representação política

A pandemia e a nudez da representação política

Por Renato Hora

E de repente, como num piscar de olhos, pouco se fala sobre milagre da vida, seus encantos e lindas histórias. Os holofotes se voltam à tragédia, aos números alarmantes, ao caos.

Aos poucos, sem que percebêssemos, fomos contagiados por informações que de tão contraditórias se tornaram doentias. Para uns uma “gripezinha”, para outros “os fins dos tempos”. Uns clamando “fique em casa”, outros suplicando “o povo tem que voltar a trabalhar”.

E o pico da pandemia? Bem, seria em abril, mas mudou para maio. Ao que parece, segundo alguns arriscam dizer, foi em agosto. Será?

E a vacina, quando chega? A única certeza que temos é que hoje foi anunciado algo diferente do que foi dito ontem, na semana passada e nos meses anteriores.

Então, temos apenas incertezas? Não, em absoluto.

Tornou-se incontroverso o despreparo dos nossos governantes, cada qual, como em Babel, falando sua própria língua. Sem qualquer entendimento, o país, não bastasse o problema do vírus, viu-se numa crise política ridiculamente intempestiva.

Não sendo o suficiente, o recitado despreparo atingiu outros patamares, repercutindo frontalmente na economia nacional. Fecha e abre estabelecimentos, reduz e amplia os horários... o comércio não aguentou, entrou em colapso e o desemprego atingiu níveis estratosféricos.

E politização da pandemia? Tivemos por aqui! Só que é melhor não nos aprofundarmos no tema, afinal a liberdade de expressão tem sofrido graves investidas, não é mesmo?

 Ainda, o mundo assiste a sofrível saúde púbica a que estamos sujeitos, tragicamente deficitária em estrutura, carente de medicação e assistência profissional. Um assombro!

E a hedionda desumanidade nos desvios das escassas verbas púbicas destinadas para amenizar os efeitos trágicos dessa desoladora pandemia? Tem sido horripilante assistir tamanha depravação humana.

Enfim, tal como no Éden o pecado revelou a vergonha da nudez, a pandemia tem nos mostrado uma representação, em todos os níveis, tristemente vergonhosa. Confiemos em Deus!

*O autor é advogado, pós-graduado em Direito Tributário e em Direito Processual Civil, fundador da Pinheiro Hora Advogados.

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