Vacinação contra a gripe está em 49% na região e Santa Casa tem aumento da demanda por atendimentos

Por Redação Hoje Centro Sul 7 min de leitura

Frio eleva alerta para doenças respiratórias. Entre os casos mais frequentes atendidos pela Santa Casa de Irati estão pneumonia, influenza (gripe), bronquiolite, crises de asma e agravamento de doenças respiratórias crônicas, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e enfisema pulmonar

As manhãs geladas, os casacos tirados do armário e os ambientes mais fechados costumam marcar a chegada do inverno. Mas junto com as temperaturas mais baixas também cresce a circulação de vírus respiratórios e a preocupação dos serviços de saúde.

Em todo o Paraná, o período exige atenção. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que o Estado registrou 4.052 casos e 170 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas 13 primeiras semanas epidemiológicas de 2026, reforçando o alerta para a prevenção durante os meses mais frios. A SRAG é uma complicação respiratória que pode exigir internação hospitalar e, em casos mais graves, levar ao óbito.

Na área de abrangência da 4ª Regional de Saúde, que atende nove municípios da região, o aumento da circulação de vírus respiratórios já mobiliza os serviços de saúde. Além disso, outro dado preocupa: a cobertura vacinal contra a gripe entre os grupos prioritários está em apenas 49%, distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde de Irati também foi procurada para informar a população sobre o cenário local das doenças respiratórias, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

O frio e a circulação de vírus

Segundo a diretora da 4ª Regional de Saúde, Cristiana Schvaidak, a chegada das temperaturas mais baixas favorece a disseminação de vírus respiratórios e aumenta a procura por atendimento nas unidades de saúde.

“Com a chegada das temperaturas mais baixas, as doenças respiratórias voltam a exigir atenção da população e dos serviços de saúde. Nos municípios que compõem a 4ª Regional de Saúde, o período de outono e inverno tradicionalmente favorece o aumento da circulação de vírus respiratórios, elevando a procura por atendimentos nas unidades de saúde e o risco de complicações, principalmente entre os grupos mais vulneráveis”, explica.

Entre os principais vírus em circulação estão a Influenza A e B, responsáveis pelos quadros de gripe, além do Rinovírus e do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que costumam registrar maior incidência nesta época do ano.

De acordo com Cristiana, o crescimento dos casos respiratórios acompanha um comportamento sazonal já conhecido pelos profissionais da área da saúde, exigindo atenção especial principalmente dos grupos mais vulneráveis.

Crianças e idosos inspiram maior atenção

Embora as doenças respiratórias possam atingir pessoas de todas as idades, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver complicações.

Segundo a diretora da Regional, os idosos, especialmente aqueles com mais de 60 anos, crianças pequenas, gestantes, puérperas e pessoas com doenças crônicas ou imunossuprimidas estão entre os públicos que demandam maior atenção.

“Esses públicos apresentam maior risco de evolução para formas graves da doença e, por isso, devem manter a vacinação em dia e procurar atendimento médico diante de sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente ou queda do estado geral”, orienta ela.

Santa Casa já percebe aumento na demanda

O reflexo desse cenário já pode ser percebido nos hospitais da região. Na Santa Casa de Irati, a procura por atendimento e as internações relacionadas a doenças respiratórias aumentaram nas últimas semanas.

Segundo o provedor da instituição, Dr. Ladislao Obrzut Neto, o crescimento da demanda é característico dos meses mais frios, mas exige atenção redobrada das equipes assistenciais. “Nas últimas semanas, a Santa Casa de Irati tem observado um aumento significativo na procura por atendimento e internações, principalmente relacionadas a quadros respiratórios, situação comum durante os meses mais frios do ano”, afirma.

Ele explica que a queda das temperaturas costuma refletir diretamente na rotina hospitalar. “Com a queda das temperaturas, há um crescimento da demanda pelos serviços de saúde, exigindo atenção redobrada das equipes assistenciais devido ao maior número de pacientes que necessitam de avaliação médica e acompanhamento”, destaca Obrzut.

Entre os casos mais frequentes atendidos pela instituição estão pneumonia, influenza (gripe), bronquiolite, crises de asma e agravamento de doenças respiratórias crônicas, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e enfisema pulmonar.

“Todos os pacientes são avaliados com atenção. Porém, as crianças, os idosos e os portadores de doenças crônicas constituem os grupos mais vulneráveis, uma vez que apresentam maior risco de evolução para quadros graves e complicações”, ressalta o médico.

Vacinação ainda está abaixo da meta

A vacinação continua sendo apontada pelos profissionais da saúde como a principal forma de prevenção contra casos graves e internações decorrentes da gripe. Atualmente, a cobertura vacinal da população-alvo da 4ª Regional de Saúde está em 49%, índice considerado abaixo do ideal para garantir proteção coletiva.

“A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e internações por gripe, especialmente neste período de maior circulação viral”, reforça Cristiana.

Ela destaca ainda que a população deve procurar a unidade de saúde mais próxima para verificar sua situação vacinal e atualizar as doses necessárias. “A 4ª Regional de Saúde conclama a população pertencente aos grupos prioritários a procurar os serviços de saúde para garantir sua proteção e a de toda a comunidade”, orienta a diretora.

Prevenção continua sendo a melhor aliada

Além da vacinação, medidas simples continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, a manutenção de ambientes ventilados, a adoção da etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, o uso de máscara em caso de sintomas respiratórios e a busca por atendimento médico diante de sinais de agravamento.

Segundo Ladislao, a Santa Casa de Irati está preparada para atender a uma eventual elevação da demanda durante o inverno. “A Santa Casa encontra-se preparada para atender o aumento da demanda característico desta época do ano, mantendo suas equipes mobilizadas e seus serviços organizados para garantir assistência adequada e oportuna à população”.

O provedor reforça que a prevenção ainda é a ferramenta mais eficiente para evitar complicações. “Orientamos que a população mantenha a vacinação em dia, especialmente contra a gripe e a Covid-19, realize a higiene frequente das mãos, mantenha os ambientes ventilados, evite aglomerações quando apresentar sintomas respiratórios e procure atendimento médico diante de sinais de agravamento, como falta de awr, febre persistente ou piora do estado geral. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir complicações e internações decorrentes das doenças respiratórias”, conclui.

O alerta das autoridades de saúde é que, apesar de fazerem parte do período mais frio do ano, muitas das complicações provocadas pelas doenças respiratórias podem ser evitadas com vacinação, prevenção e busca precoce por atendimento médico diante dos primeiros sinais de agravamento.

Quem deve redobrar os cuidados?

  • Crianças pequenas
  • Idosos acima de 60 anos
  • Gestantes
  • Puérperas
  • Pessoas com doenças crônicas
  • Imunossuprimidos

Sinais de alerta

Procure atendimento médico em caso de:

  • Falta de ar
  • Febre persistente
  • Piora do estado geral
  • Cansaço excessivo
  • Sintomas que não melhoram após alguns dias

Fernanda Hraber

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