Mostra do PET-Saúde Equidade do Câmpus de Irati destaca ações desenvolvidas na região
Foram realizadas 18 ações, englobando cerca de 250 trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), que participaram de rodas de conversa, oficinas interativas, práticas de atividades físicas, momentos de escuta ativa e compartilhamentos de estratégias de acolhimento
Na quinta-feira (23), o PET-Saúde Equidade do Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) promoveu uma mostra de encerramento das atividades desenvolvidas ao longo de dois anos. Nesta edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde, o foco foi levar discussões sobre gênero, raça, classe, sexualidade e deficiência para profissionais vinculados à 4ª Regional de Saúde do Paraná.
Exposições de materiais e relatos de experiências demonstraram o impacto do PET nos nove municípios em que a Unicentro realizou intervenções educativas. “Fizemos um total de 18 ações, englobando cerca de 250 trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS), que participaram de rodas de conversa, oficinas interativas, práticas de atividades físicas, momentos de escuta ativa e compartilhamentos de estratégias de acolhimento”, detalha Maria Angélica Binotto, coordenadora do PET-Saúde Equidade em Irati.
Para marcar o final do programa, a diretora da 4ª Regional de Saúde, Cristiana Schvaidak, foi convidada para palestrar na Unicentro sobre equidade no cuidado. “Equidade é dar mais para quem precisa mais. Um grande exemplo disso no SUS é quando você chega em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e não é atendido pela ordem de chegada, mas a partir de uma classificação de risco. Um profissional capacitado gerencia qual é o paciente que tem prioridade naquele momento”, explicou a palestrante.
Um dos objetivos do PET-Saúde Equidade foi justamente sensibilizar e qualificar profissionais para atender de forma mais equitativa. Para o agente comunitário de saúde de Guamiranga Rafael Nascimento dos Santos, uma das principais contribuições das discussões levadas pela Unicentro foi a autocrítica. “Um dos resultados foi perceber que eu mesmo tinha preconceitos”, revela. “Se a gente conseguir combater esses pensamentos, mesmo que com um trabalho de formiguinha, será que a gente não consegue também ter um resultado positivo na saúde pública?”, indaga Rafael, de forma reflexiva.

Universidade, saúde e comunidade
O PET-Saúde Equidade reúne estudantes e professores de Psicologia, Fonoaudiologia, Educação Física e História para ações educativas com os profissionais de saúde. Para Nadia Guariza, tutora dos petianos de História, a interdisciplinaridade do programa enriquece a formação acadêmica. “Relações étnico-raciais, de gênero, entre outras, são temas que são muito discutidos na área de Humanas. E os nossos alunos tiveram a possibilidade de debater isso também em outra área, que é a Saúde, vendo uma outra forma de trabalhar a educação”, observa a docente.
Para realizar as atividades, o PET conta com o apoio de preceptoras e orientadoras de serviço, que são responsáveis por integrar os universitários e os profissionais de saúde. “É importante trazer essas reflexões para os trabalhadores para que consigam se portar diante das especificidades de cada usuário que chega nos serviços”, defende a orientadora Paola Emiliano de Morais, que é chefe da Divisão de Atenção e Gestão em Saúde da 4ª Regional.
As intervenções do PET foram divididas em duas frentes: uma de prevenção e outra de formação. Antes de tudo, as equipes mapearam os perfis e as experiências de quem trabalha com saúde pública na região. “Construímos um questionário para levantar dados sobre as trabalhadoras e perguntar se já sofreram alguma violência, se denunciaram, e etc”, descreve a preceptora Christiane Dméterko, assistente social da Atenção Primária em Saúde da 4ª Regional. “A partir disso fizemos as intervenções nos municípios, explicando quais os tipos de violência e como agir, focando nos canais de denúncia”, completa.
Para as estudantes da Unicentro, as experiências agregaram nas carreiras que estão construindo. “Tivemos ricas discussões com as trabalhadoras que vivenciam a verdadeira experiência com os usuários do SUS. Isso contribuiu muito para eu pensar no cuidado em saúde e olhar com mais equidade para os atendimentos e para as pessoas”, descreve Sabrina Fillus, estudante de Educação Física.
Assessoria Unicentro

