Pesquisa do IBGE aponta hábitos e comportamentos dos jovens entre 13 e 17 anos

Por Redação Hoje Centro Sul 7 min de leitura

O levantamento traz informações sobre alimentação, atividade física, cigarro, álcool, outras drogas, situações em casa e na escola, saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, higiene e saúde bucal, segurança e outros temas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dia 25, o resultado de quinze anos de pesquisas sobre a saúde dos adolescentes e suas tendências. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), um estudo experimental, traz indicadores comparáveis dos escolares de 13 a 17 anos.

A PeNSE, em sua quinta edição, consolida-se como o principal inquérito nacional voltado à investigação de atitudes, hábitos e cuidados de saúde entre os adolescentes brasileiros. A PeNSE 2024 é a primeira edição após a crise sanitária causada pela COVID-19, o que possibilita o fornecimento de informações sobre a realidade atual, permite um melhor direcionamento de políticas públicas de recuperação e de promoção da saúde dos adolescentes e jovens brasileiros, grupo populacional tão especificamente atingido pela pandemia.

A PeNSE traz informações sobre alimentação, atividade física, cigarro, álcool, outras drogas, situações em casa e na escola, saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, higiene e saúde bucal, segurança, uso dos serviços de saúde, características gerais dos escolares, características do ambiente escolar, entre outros. Fornece também, informações para o acompanhamento e avaliação do Programa Interministerial Programa de Saúde na Escola (PSE). A pesquisa é feita em parceria com o Ministério da Saúde e o apoio do Ministério da Educação.

Em relação à operação de campo e logística, a PeNSE 2024 coletou questionários em 1.282 municípios, com 4.278 escolas e 150.385 alunos participantes. No Paraná, participaram da pesquisa 149 escolas, 248 turmas, e 6.243 alunos. A população de estudantes no Paraná, entre 13 e 17 anos, foi estimada em 644.252, o que corresponde a 5% do total de estudantes brasileiros nesta faixa etária.

Jovens do Paraná estão experimentando menos o cigarro

Segundo a OMS, a população mundial está fumando menos, mas a epidemia do tabaco está longe de terminar. Um novo relatório global de 2025 mostra que o número de usuários de tabaco caiu de 1,38 bilhão em 2000, para 1,2 bilhão em 2024.

 No Paraná, a experimentação do cigarro, expressa pelo percentual de escolares de 13 a 17 anos que fumaram cigarro alguma vez na vida, foi de 21,7% em 2024, o que representou uma queda de 9,9 p.p. em relação a 2019 (31,6%).

Para o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi, o cigarro eletrônico representa hoje um grande desafio que merece ser enfrentado. Mesmo sendo proibido no Brasil a sua comercialização e consumo, a experimentação e o uso do cigarro eletrônico estão ampliando rapidamente entre os adolescentes. Segundo avaliações da OMS esse aumento se deve a uma política das empresas produtoras do tabaco, que investem maciçamente na propaganda direcionada para os adolescentes e crianças, para o uso do cigarro eletrônico. Apesar dos sucessos obtidos com a política e as campanhas para a redução do consumo do cigarro, o cigarro eletrônico cresce sob uma propaganda enganosa de ser de baixa toxicidade, com seu cheiro e sabor atraente para os jovens e as crianças”.

 A OMS estimou o uso global de cigarros eletrônicos em mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo, destes, cerca de 15 milhões são adolescentes entre 13 e 15 anos. Segundo esse documento, as crianças e adolescentes têm, em média, nove vezes mais probabilidade do que os adultos de usar esses dispositivos. No Paraná, a experimentação do cigarro ou outro dispositivo eletrônico passou de 27,6% em 2019, para 44,9% em 2024, o segundo índice mais alto entre os estados brasileiros, atrás apenas do Mato Grosso do Sul.

 Em relação ao uso atual do cigarro por jovens no Paraná, dos escolares que responderam ter consumido cigarros nos 30 dias anteriores à pesquisa, os resultados da PeNSE 2024 revelaram uma redução de 8,9%, em 2019, para 5,8%, em 2024. A diferença desse indicador para os alunos das redes de ensino pública (6,3%) e privada (3,3%) é importante. Já a diferença entre os sexos foi menor, ficando os meninos com 6,7% e as meninas com 5,0%.

Bebida alcoólica segue sendo a mais influente droga

 Com relação ao consumo de drogas ilícitas, se observa uma redução importante no país, do mesmo modo entre as Unidades da Federação. O Paraná registrou, em 2019, que 19,0% dos escolares entre 13 e 17 anos experimentaram drogas ilícitas alguma vez, enquanto em 2024 este indicador reduziu para 9,2% dos escolares. 

 Dentre os escolares que já usaram drogas, 3,3% alegaram ter feito uso de alguma substância nos 30 dias anteriores à pesquisa. Quanto ao ato de presenciar amigos usarem drogas ilícitas na sua presença, 10,9% dos escolares entre 13 e 17 anos afirmaram terem presenciado este tipo de situação.

No Paraná, a experimentação de bebidas alcoólicas entre os escolares de 13 a 17 anos foi de 57,7% em 2024, variando de 52,6% para os homens, a 62,8% entre as mulheres. Esse indicador mostrou diferenças significativas entre os sexos com a evolução da série histórica. Em 2015, o percentual médio de exposição precoce ao álcool foi de 64,2%, com uma diferença estatística insignificante entre os sexos, 64,2% a experimentação feminina, e 63,1% a masculina. No entanto, com o passar dos anos a diferença entre sexos se alargou para 10 p.p.

A PeNSE também investigou, entre os estudantes que ingeriram bebida alcoólica nos 30 dias anteriores à pesquisa, o modo pelo qual tiveram acesso. Dentre os alunos, 31,1% informaram terem comprado em alguma loja, 22,6% em uma festa, 15,2% conseguiram com os pais e 11,3% conseguiram com amigos.

NÚMEROS DA PESQUISA

  • O Paraná apresentou o segundo melhor resultado estadual na diminuição da experimentação do cigarro por jovens de 13 a 17 anos, passando de 31,6% em 2019, para 21,7% dos jovens em 2024.
  • No Paraná, 13,1% dos escolares de 13 a 17 anos afirmaram que fumaram cigarro pela primeira vez com 13 anos ou menos. A média brasileira ficou em 9,4% dos jovens. Em relação aos pais fumantes, 31,0% dos escolares paranaenses responderam que ao menos um dos pais ou responsáveis é fumante.
  • O resultado da PeNSE 2024 mostrou que a biblioteca era um recurso disponível em 98,9% das escolas públicas e particulares do Paraná, estado brasileiro com o melhor índice nacional, 20,5 pontos percentuais (p.p.) acima da média nacional (78,4%).
  • Quase metade (44,9%) dos escolares entre 13 e 17 anos, alegou já ter experimentado algum tipo de cigarro ou dispositivo eletrônico de tabaco no Paraná. Dentre estes jovens, 35,9% alegaram ter feito uso de cigarro ou dispositivo eletrônico nos 30 dias anteriores à pesquisa.
  • Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 3,3% dos escolares entre 13 e 17 anos alegou ter feito uso de drogas ilícitas.
  • Dentre os estudantes paranaenses de 13 a 17 anos que já experimentaram drogas ilícitas, 11,8% alegaram ter usado maconha por 10 dias ou mais, nos 30 dias anteriores à pesquisa.
  • Cerca de 33% dos escolares entre 13 e 17 anos no Paraná afirmaram ter experimentado bebida alcoólica com 13 anos ou menos. Além disso, 13,8% dos jovens responderam que tiveram problemas com familiares ou amigos, perderam aulas ou brigaram, em razão de terem ingerido bebida alcoólica.

Fernanda Araujo Greppe de Mello/ IBGE

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