Volta às aulas movimenta a economia local e aquece setores além das papelarias em Irati

Comércio relata otimismo nas vendas de material escolar e uniformes, enquanto pais equilibram planejamento financeiro com a busca por qualidade e durabilidade dos produtos
As férias de verão entram na reta final e, com o retorno às salas de aula marcado para o início de fevereiro, a rotina de pais e comerciantes em Irati já gira em torno da preparação para o ano letivo de 2026. O período, tradicionalmente o mais importante para o setor de papelarias, movimenta também outros nichos da economia local, como a confecção de uniformes, exigindo planejamento financeiro das famílias e estratégico das empresas.
O perfil do consumidor iratiense tem se mostrado mais atento à relação custo-benefício. É o caso de Tania Teixeira, mãe de dois filhos em idade escolar. Neste ano, além da lista de materiais, ela precisou investir em mochilas novas para ambos. “Isso representou um custo adicional no orçamento e, para equilibrar as contas, parcelei minhas compras. Preferi comprar produtos de mais qualidade que têm mais durabilidade”, afirma Tania.
Outra consumidora, Mariana Martins, adotou uma abordagem diferente. Ela já realizou uma pesquisa de preços dos materiais, mas decidiu adiar a compra final para depois que retornar de uma viagem em família. O planejamento financeiro de Mariana precisou ser ainda mais rigoroso neste ano. “Minha filha mudou de escola, o que gerou a necessidade de compra de uniformes completos. Mas como eu já sabia dessa demanda extra, deixei um dinheiro reservado especificamente para essa finalidade”. Quanto ao material escolar, ela também parcelará a compra no cartão de crédito.
Otimismo no comércio local
Para os lojistas, a expectativa é positiva. Junior Freitas, sócio-proprietário de uma papelaria na cidade, relata que a procura começou cedo. “A procura de material escolar começa em dezembro, pois muitos clientes querem viajar de férias e aproveitar a linha completa de material, pois já temos toda a linha de produtos para a volta às aulas disponíveis”, explica.
Freitas destaca que o movimento se mantém intenso durante todo o mês de janeiro, o que leva a loja a ampliar o horário de atendimento. No entanto, o pico absoluto de vendas é esperado para a última semana do mês, que antecede o início das aulas. Sobre o comportamento do cliente, ele observa uma tendência clara: “A cada ano, mais o consumidor vem em busca de qualidade e variedade”. O otimismo se reflete nos números iniciais. “Pudemos sentir, nestes 45 dias de vendas, um aumento muito bom em relação ao ano anterior”, conta. Ele ressalta que sua equipe está bem otimista com o retorno das aulas de 2026.
Setor de uniformes também sente o aquecimento
Não são apenas cadernos e canetas que impulsionam a economia de fevereiro. O setor de vestuário escolar também vive seu momento de alta. Gisely Moleta, sócia-proprietária de uma loja de uniformes, confirma que o aquecimento das vendas começa no final do ano anterior. “As vendas começam a crescer, em geral, entre a metade de novembro e o início de dezembro, quando as famílias iniciam o planejamento para o próximo ano letivo. No entanto, o período de maior movimento acontece entre janeiro e fevereiro”, detalha.
Para estimular as compras e organizar a produção, a loja realizou uma ação promocional com descontos para compras antecipadas ainda em dezembro, o que, segundo Gisely, ajudou a garantir mais eficiência no atendimento também. Em relação aos preços, houve reajuste nos valores das peças, considerando principalmente a inflação acumulada do ano, além dos custos de produção, matéria-prima e mão de obra”, conforme justifica a empresária.
A percepção de aumento nos custos em Irati reflete uma tendência nacional confirmada neste início de ano. De acordo com balanços divulgados por entidades do setor, como a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), a cesta de produtos para a volta às aulas em 2026 apresenta um reajuste médio estimado entre 3% e 6%. O índice é pressionado, principalmente, pela variação cambial — que afeta insumos importados — e pelo aumento nos custos de produção e logística.
Apesar do aumento nos custos, o desempenho de vendas local se mantém estável em comparação a 2025. “Até o momento, as vendas estão equivalentes ao mesmo período do ano passado. No início de janeiro, pelo menos, o desempenho se manteve estável, sem queda em relação ao ano anterior”, avalia Gisely.
Com a proximidade do início das aulas, a expectativa é que os últimos dias de janeiro sejam de movimento intenso no comércio de Irati. O cenário desenhado por consumidores e empresários mostra que o ano letivo de 2026 começa marcado pela busca do equilíbrio: de um lado, famílias fazendo contas e priorizando a durabilidade; do outro, comerciantes apostando na variedade e na antecipação para garantir o faturamento mais importante do primeiro semestre.
Fernanda Hraber

