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10/06/2020

Vários tipos de golpe têm feito vítimas na região nos últimos três meses

Vários tipos de golpe têm feito vítimas na região nos últimos três meses

Crimes de estelionato passaram a ser destaque nas ocorrências policiais registradas na região Centro Sul nos últimos três meses e têm resultado em prejuízos.  Diversas táticas são utilizadas para alcançar as vítimas, desde a abordagem presencial para aplicar o antigo golpe do bilhete premiado aos anúncios falsos em diferentes plataformas na internet para a venda de veículos ou concessão de supostos empréstimos.

Nesta semana, na tarde de segunda-feira, dia 08 de junho, a Polícia Militar de Irati foi acionada por uma mulher que caiu em um golpe aplicado por um homem que, segundo ela, vestia roupas simples e disse ter um grande valor para receber, mas antes precisava pagar uma dívida. A abordagem e o convencimento da vítima ocorrem no centro de Irati, na rua Munhoz da Rocha. A mulher sacou dinheiro em agências bancárias para repassar ao estelionatário e ainda o levou até a sua casa, para lhe entregar mais dinheiro.

No dia 24 de abril, também em Irati, outra mulher já havia caído no mesmo golpe. Ela foi abordada na rua Dona Noca por outras mulheres, acreditou na história que elas teriam um prêmio a receber e repassou R$ 5.700,00 para as estelionatárias.  

Golpe similar aconteceu no dia 13 de maio, em Teixeira Soares. A vítima repassou R$ 2.900,00 para um casal de estelionatários, que dizia ter um prêmio de R$ 300 mil para receber. 

Outros golpes que têm feito vítimas na região ocorrem pela internet. No dia 05 de junho, em Inácio Martins, um homem recebeu uma mensagem de texto em seu celular que dizia que ele tinha um empréstimo aprovado, no valor de R$ 10.000,00. Ele negociou com os estelionatários e foi convencido a fazer depósitos para os mesmos. Só depois, percebeu que se tratava de golpe.

Fato similar trouxe prejuízo a um morador de Prudentópolis. No dia 08 de junho, ele procurou a Polícia Militar do município e disse ter entrado em um site de empréstimos que lhe solicitou um fiador. Como ele não tinha, aceitou fazer o depósito para a suposta liberação do dinheiro. Logo após o depósito, não conseguiu mais contato com os estelionatários.

Transações de compra e a venda de veículos através da internet também têm sido coordenadas por estelionatários e feito vítimas na região. No dia 29 de maio, uma moradora de Rio Azul transferiu R$ 12.000,00 a golpistas que supostamente lhe vendiam um veículo.

No dia 05 de junho, um morador de Curitiba esteve na sede da Polícia Militar em Ivaí após ter depositado R$ 38 mil a estelionatários que fizeram um anúncio falso de venda de uma caminhonete nas redes sociais.  Um morador de Ivaí, que realmente estava vendendo a caminhonete por R$ 57 mil, teve as fotos copiadas pelos golpistas. 

Ainda em Ivaí, outro tipo de estelionato ocorreu recentemente. No dia 27 de abril, idosos moradores da área rural do município caíram no golpe da venda de falsos medicamentos. Os estelionatários entregaram gravetos aos idosos, como sendo um “remédio milagroso”, para curar todo tipo de doença.

Todos estes crimes foram registrados pela Polícia Militar em boletins de ocorrências.

Orientações da polícia

A 8ª Companhia Independente de Polícia Militar de Irati, através de sua assessoria de comunicação, orienta a população sobre o que fazer para evitar os crimes de estelionato.

Sobre o golpe do bilhete premiado: “Não acredite em pessoas que querem lhe dar dinheiro! Apesar de muito conhecido, ainda há pessoas que caem no golpe do falso bilhete premiado. Ninguém irá trocar um bilhete de alto valor por menor quantia em dinheiro”.

Sobre anúncios de veículos na internet: “Ao comprar veículos divulgados na internet, cuidado ao fazer transações bancárias. Certifique-se de que o anúncio é verdadeiro e antes de realizar o pagamento, realize todos os procedimentos legais necessários, além de verificar o veículo fisicamente. Os golpistas também dizem que o vendedor do carro tem uma dívida com ele e pedem para que o comprador deposite parte da quantia em sua conta”.

Os policiais também alertam as pessoas para que “não façam transferências a desconhecidos e não repassem seus dados a terceiros, independente da história contada”.

Eles enfatizam que os estelionatários costumam ser muito convincentes e contar as mais diversas histórias para tentar conseguir obter o dinheiro das vítimas.

O delegado de Irati, Paulo César Eugênio Ribeiro comenta que é preciso estar atento para evitar os golpes. “O que falta à população é um pouco mais de atenção, cuidado, porque realmente vão ter muitas pessoas aproveitadoras dessa situação, contando com a bondade das pessoas para poder aplicar vários tipos de golpe”, diz. 

Nos golpes que envolvem transferências ou depósitos de valores através da rede bancária, o delegado orienta os procedimentos que devem ser adotados para a que polícia possa investigar o caso. “A pessoa ir até o banco e pedir um extrato [explicando] fui vitima de um golpe e preciso saber para onde enviei. Com esse extrato a gente vai conseguir comprovar, fazer um elo de ligação do dinheiro, de onde saiu e para onde foi, para gente poder pedir o bloqueio”, orienta Ribeiro.

Com a maior quantidade possível de informações em mãos, a vítima deve procurar a Polícia Civil rapidamente. “É muito importante que a pessoa venha aqui para a gente conseguir ter tempo hábil para solicitar ao poder judiciário o bloqueio do valor para onde foi o dinheiro. Se a pessoa às vezes demorar um pouco para fazer essa comunicação para nós, esse dinheiro corre muito rápido”, comenta o delegado.

Ele cita um caso registrado em 2019, em que a vítima do golpe do bilhete premiado trouxe os extratos bancários e denunciou o golpe na 41ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Irati, que agiu rápido. “Logo que ela [vítima] percebeu, no mesmo dia ela compareceu na delegacia munida já das informações de para onde havia sido enviado esse dinheiro. Lembro que isso aconteceu em uma sexta-feira –  e isso pode acontecer mesmo, porque os marginais se utilizam do final de semana, porque acham que não temos um expediente, que o poder judiciário não trabalha. No mesmo dia a gente conseguiu solicitar o bloqueio judicial, para poder guardar esse dinheiro e ninguém mais mexer, para podermos devolver para a vítima”, relata.

Segundo o delegado, o valor do golpe foi expressivo, algo em torno de R$ 70 mil, mas a vítima terá o dinheiro de volta assim que todas as análises do processo forem concluídas. “Ela vai restituir esse valor, agora tem os trâmites burocráticos para poder fazer a restituição, mas o dinheiro foi recuperado”, finaliza.

Não confie em estranhos

Na maioria dos casos em que as vítimas entregam dinheiro a estelionatários, é o próprio golpista quem faz os saques ou transferências, segundo dados da Polícia Civil.

“A pessoa passa o cartão ou mesmo acompanha, mas quem movimenta todo o caixa eletrônico ou mesmo na boca do caixa é um terceiro. Então é interessante quando a pessoa se dirigir ao banco e notar que está sendo vítima de um golpe ou mesmo quando achar alguma situação estranha, procurar algum funcionário da agência bancária e explicar porque ela está fazendo aquela retirada e para onde está enviando aquele dinheiro, sem ter medo de relatar isso para o funcionário da agência bancária, porque eles estão lidando com isso o tempo todo, e eles têm essa percepção de quando é um golpe, para se mencionar a Polícia Militar ou a Polícia Civil”, recomenda o delegado.

Outra sugestão que ele dá para ampliar a segurança é que idosos e as pessoas que não tem familiaridade com transações bancárias solicitem apoio de conhecidos. “Ponto relevante é sempre que for ao banco, principalmente as pessoas mais idosas, se tiver alguém de confiança, um familiar, que acompanhe esta pessoa. Duas pessoas pensando do mesmo fato para poder descobrir um golpe é muito mais fácil”, diz o delegado. E ele complementa: “A gente nunca sabe de como esses marginais vão agir, se estão armados, se estão com mais gente, então do ponto de vista da segurança é interessante sempre ir com mais uma pessoa”.

Boletos

Pela 41ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Irati ainda foram registrado casos de envio de boletos falsos, supostamente para a negociação de dívidas. 

“Costuma-se enviar boletos falando que é de financeiras para quitação de dívidas em razão da pandemia. Nesses casos, quando a pessoa recebe esse boleto, ela já tem que desconfiar da fonte desse boleto, muito embora às vezes está escrito o nome do banco ou da pessoa credora, é interessante ela tomar cautelas no sentido de entrar em contato com a instituição financeira ou com o credor para analisar a veracidade daquele boleto, não simplesmente efetuar o pagamento achando que a dívida vai estar quitada”, alerta o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Foto: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul

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