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05/10/2021

Trabalho remoto continua sendo vantajoso nas áreas em que é possível?

Empresa de tecnologia da região optou pelo retorno presencial de grande parte de seus colaboradores e justifica os motivos para isso, dentre os quais está a importância da interação no ambiente de trabalho para a saúde mental das pessoas

Trabalho remoto continua sendo vantajoso nas áreas em que é possível?

Trabalhar em casa passou a ser comum no cenário da pandemia do novo coronavírus, mesmo que praticamente todas as atividades estejam voltando a acontecer presencialmente algumas instituições e empresas notaram que é possível e vantajoso manter os funcionários trabalhando em suas casas. “O Tribunal de Justiça onde trabalho mantém, até o momento, o regime de teletrabalho. No entanto, o expediente forense presencial está retornando gradativamente”, conta Jamylle Dalermo Ferreira Ribeiro Rosa que atua como assessora judiciária. Ela iniciou o trabalho remoto em março de 2020, em Irati, porque estava grávida e atualmente seu cargo permite que continue trabalhando em casa.

Jamylle comenta que o home office durante a gestação foi apropriado, pois permitiu que ela ficasse mais confortável no período mais crítico antes da chegada da filha. E após o término da licença maternidade, continuar trabalhando em casa possibilitou a ela o acompanhamento permanente do processo de desenvolvimento da filha. “Eu tive a oportunidade de estar em casa no primeiro ano de vida da minha filha, podendo amamentá-la em livre demanda e acompanhar ela de perto. Além disso, enquanto estava em licença maternidade, meu chefe passou a trabalhar na região metropolitana de Curitiba, então quando retornei ao trabalho eu mudei de Irati para Curitiba, pois o trabalho presencial poderia iniciar a qualquer momento”, relata.

Outra vantagem do teletrabalho citada pela assessora é evitar a perda de tempo no trânsito, no entanto, ela também pontua que, trabalhando em casa deixa de ter o contato com a equipe e isso interfere na comunicação e na dinâmica do serviço. “Sinto falta do contato mais direto com minha equipe de trabalho, da comunicação mais acessível, até mesmo de estar em um local diferente, trocar de ambiente, sair mais de casa. Com a pandemia acabamos ficando muito fechados em casa e isso também pode ser cansativo”, afirma Jamylle.

Ela acredita que seu retorno presencial ao trabalho está próximo de acontecer e, por mais que tenha que enfrentar o desafio de ficar longe da filha, acha que será positivo ter um ambiente de trabalho fora de casa. Além disso, quer conhecer os colegas de trabalho que, até então, só viu pelas telas.

A falta de interação entre a equipe e as dificuldades psicológicas ocasionadas pelo isolamento foram as principais causas que levaram a empresa de tecnologia com sede em Imbituva, Bsoft – especializada no desenvolvimento de software para gestão de transporte rodoviário de cargas – a retornar gradativamente com a atuação presencial dos funcionários.

“São vários motivos e vantagens de retornar o serviço presencial, o primeiro é devido ao aumento significativo de colaboradores que desenvolveram ansiedade e depressão por conta do isolamento. A Bsoft sempre manteve um excelente ambiente de trabalho, e as amizades que aqui se formam são essenciais para manter uma boa saúde mental. E também, sentimos que as adversidades são resolvidas com mais facilidade quando podemos conversar pessoalmente, pois a comunicação dessa forma, sem as burocracias de reuniões, é muito mais eficiente”, comenta Bruno de Antoni, diretor executivo (CEO) da Bsoft.

Além de presar pela boa saúde mental dos funcionários, a empresa também optou pelo retorno devido à estabilidade da energia elétrica e uso da internet nos escritórios em sua sede. “Nossos equipamentos são preparados para enfrentar instabilidades, e isso é um grande diferencial na qualidade do atendimento”, disse o diretor executivo.

Bruno de Antoni conta que desde o início da pandemia adotaram o trabalho remoto, momento em que a empresa fez um levanto para saber se todos os colaboradores dispunham de internet de qualidade e espaço em casa para a instalação de uma estação de trabalho. “Todos os colaboradores tinham a possibilidade de exercer suas funções em home office. A partir do dia 23 de março, todos, sem exceção, passaram a trabalhar em suas casas, e ninguém frequentou a Bsoft por mais de um ano”.

Durante esse período, a qualidade no atendimento aos clientes se manteve, na avaliação do diretor executivo. Ele conta que o desempenho dos colaboradores foi monitorado com uso de tecnologias. “Como era de se esperar, alguns colaboradores precisaram conciliar o trabalho com a rotina da família em casa, e eventualmente, nossos clientes foram surpreendidos durante o atendimento com latidos de cachorro ou gritos de crianças. Mas isso não foi um problema para nossos colaboradores e muito menos para nossos clientes, pois todos abraçaram o teletrabalho, e compreenderam que aquela era uma situação atípica”, esclarece Bruno.

Outro fato que pôde ser observado é que, com a opção de trabalhar em casa, algumas pessoas passaram a morar em uma cidade e trabalhar em outra. Isto aconteceu com o engenheiro civil Juliano Rosa – esposo de Jamylle –, que não precisou se despedir de seu emprego quando mudou de Irati para Curitiba. “Sou engenheiro civil, boa parte do meu serviço é realizada através do telefone e do computador. Passei a fazer o home office a partir do momento em que minha esposa foi trabalhar em São José dos Pinhais. Trabalho de forma remota quatro dias da semana e um dia presencial na empresa em Irati”, conta o engenheiro.

Juliano também vê como vantagem poder trabalhar em casa e ficar mais tempo perto da família, além de não precisar se deslocar, porém, ele se considera uma pessoa comunicativa e o contato com mais pessoas acaba fazendo falta.

“Há estudos que apontam que o home office tem colaborado com a maior produtividade dos funcionários, claro, há serviços que não tem a possibilidade de levar para o home office, mas aqueles que podem e que não atrapalha, acho interessante tentar aplicar o home office em certos setores. Acredito que o home office veio para ficar e será muito utilizado”, concluiu Juliano.

Na Bsoft, a experiência do trabalho remoto começou a ser praticada somente a partir da pandemia e, apesar do retorno ao trabalho presencial ter iniciado no mês de agosto e ser a regra atual para os colaboradores que operam no atendimento direto ao cliente, a empresa  considera atuar em sistema híbrido, utilizando a possibilidade do trabalho remoto para buscar profissionais qualificados além da região. “Por outro lado, podemos dizer sem medo de parecer demagogia, que passamos a valorizar muito mais a conversa olho no olho, os sorrisos, os abraços. Para nós, sair do convívio diário com mais de 130 colaboradores foi uma mudança muito abrupta, e mesmo retornando aos poucos, ainda sentimos falta de como as coisas eram antes de tudo isso começar”, destacou Bruno de Antoni.

A volta dos funcionários à sede da empresa foi possível neste segundo semestre de 2021 graças ao aumento do número de pessoas vacinadas e à diminuição de casos de contaminações pelo coronavírus na região. Atualmente, apenas os colaboradores que não operam com o atendimento direto ao cliente permanecem trabalhando em casa.

Rotina de trabalho em casa

Jamylle e Juliano trabalham juntos na mesma casa, espaço onde a filha fica por um período sob os cuidados de uma babá. Para o bom desempenho nas funções de pais e de profissionais alguns limites foram estabelecidos por eles mesmos. “Por mais que o teletrabalho proporcione certa flexibilidade no horário do serviço, desde que satisfeitas as metas e cumpridas as obrigações e responsabilidades do cargo com eficiência, eu busco cumprir o horário de expediente normal”, pontuou a assessora Jamylle.

Juliano também busca seguir a risca o horário de trabalho, mesmo estando fora da empresa fisicamente. “Procuro ter disciplina em seguir exatamente o horário de trabalho estabelecido, gosto de manter essa pontualidade de início e fim de trabalho. Evito ficar saindo para fazer qualquer coisa no meu horário de trabalho. A parte mais difícil de estar em casa é a possibilidade de distração, driblo essa dificuldade me policiando no horário”, acrescenta o engenheiro civil.

O expediente de Jamylle é das 12h às 19h, enquanto o de Juliano é das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30. O casal providenciou um escritório na sala da residência, cada um no seu espaço para trabalhar. Também estabeleceu as regras para a divisão das tarefas domésticas e familiares. “Pela manhã, eu cuido da minha filha e faço o que consigo dos afazeres domésticos e almoço e, pela tarde, contamos com a ajuda de uma babá, que fica com a Chloe até o fim do expediente do meu marido, que assume os cuidados com nossa filha até eu terminar o meu expediente, quando vou colocá-la para dormir”, conta Jamylle. Assim como o marido, ela conta que procura manter o foco no trabalho. “Também evito distrações como o uso incontrolado do celular. Até porque meu trabalho exige muita atenção e concentração, então qualquer coisa que tire o foco atrapalha muito”, frisou a assessora judiciária.

Home office

A expressão home office significa “escritório em casa”, porém, é usada pelos brasileiros para definir o trabalho em casa, assim, todos que utilizam a expressão no Brasil se referem ao trabalho desempenhado em casa.

Texto: Cibele Bilovus/Hoje Centro Sul

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação Bsoft

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