Sergio Moro é o 2º candidato a governador entrevistado pela Najuá e Hoje Centro Sul
Em parceria, a Rádio Najuá e o Jornal Hoje Centro Sul estão realizando uma série de entrevistas com os principais candidatos a governador do Paraná, para que eles apresentem as suas propostas ao eleitor. O Sergio Moro (PL) participou na última sexta-feira (11), acompanhe a entrevista:
Najuá – Paulo Henrique Sava – O que o levou a decidir por essa candidatura ao governo do Estado do Paraná e o que o credencia, qual o seu projeto?
Sergio Moro – Eu sou paranaense, nasci em Maringá, sou do interior, fiz a minha vida profissional aqui. Uma referência que é positiva, o Paraná é o Estado acima da média, nós somos diferenciados, mas no fundo, o que a gente pensa é que não basta mais ser acima da média, nós queremos ser o primeiro lugar. Então nós apresentamos um plano de governo, muito técnico, ouvimos lideranças de todo o Estado, de todos os setores, e nós entendemos que temos a capacidade de realizá-lo, com a credibilidade que a gente construiu na Operação Lava Jato.
Hoje Centro Sul – Letícia Torres – O candidato fala em dar continuidade às ações do atual governo. Como fazer isso e ao mesmo tempo propor mudanças?
Sergio Moro – O Paraná é como se fosse um livro, escrito em vários capítulos por mãos diferentes, o fato de nós termos um projeto diferente político não significa ignorar o que foi feito e reconhecer o mérito, então nós vamos dar continuidade aos bons projetos do atual governador, do Ratinho Júnior, nós não somos adversários, mas nós sonhamos que o Paraná pode mais e o Paraná pode melhor, e teremos as nossas marcas próprias, então por exemplo, nós queremos que o Paraná seja o estado mais seguro da federação, a Rede Pública de Saúde, não vai bem das pernas, ela está no vermelho, nós temos um problema de subfinanciamento da saúde, ano passado o Paraná investiu 12,21% do orçamento de saúde, nós queremos colocar a saúde do Paraná como uma das nossas prioridades e para isso a gente apresentou a nossa proposta da tabela SUS paranaense, que é um complemento pago pelo Tesouro do Estado, para que a gente faça justiça a quem presta serviços ao SUS, mas também para que a gente tenha mais hospitais, médicos, enfermeiros e profissionais da saúde dispostos a prestar esse serviço.
Najuá – De onde o candidato pretende tirar os recursos para efetivar esse plano da tabela SUS paranaense?
Sergio Moro – Nós vamos cortar as burocracias e os gastos desnecessários. Hoje nós temos uma máquina pública inchada, são 24 secretarias. Nós queremos cortar gastos desnecessários para que a gente possa valorizar os servidores que efetivamente trabalham, mas dois, atender o cidadão da ponta, com saúde, com educação e com segurança pública. Se, como disse lá, São Paulo fez e dobrou em um ano o número de cirurgias eletivas, nós também conseguimos fazer aqui no Paraná. Primeiro com esse corte de gastos desnecessários. Dois, nós seremos absolutamente intolerantes em relação a qualquer espécie de desvio ético. Aliás, a gente está vendo em Brasília hoje uma situação escabrosa, que nunca esteve tão ruim em Brasília. E vamos mostrar aqui no Paraná que a gente pode ser diferente. Nós vamos ter um código de ética para a alta administração pública estadual, vinculando governadores, secretários, a alta administração. E vamos fazer a nossa agência estadual anticorrupção.
Hoje Centro Sul – Candidato, você foi juiz durante 22 anos, e como juiz tinha a caneta na mão, decidia, dava sentença. Como governador, numa possível eleição sua, você tem a função de articular com lideranças políticas, com a Assembleia Legislativa. O candidato critica bastante a ala do centrão, a ala da esquerda. Como pretende manter um relacionamento com a Assembleia Legislativa para que o governo não trave?
Sergio Moro – Bem, além de ser juiz, eu fui ministro de Justiça e Segurança Pública. Naquele ano nós conseguimos bons resultados nas políticas públicas que adotamos, e sempre envolveu um contato com o parlamento, um contato com o mundo político. Nesses últimos quatro anos, no Senado, não foi diferente. Ninguém aprova projeto de lei sozinho. E eu aprovei projeto de lei na área da saúde. Aprovei, só no segundo semestre do ano passado, três projetos de leis importantes na área da segurança pública. E para você aprovar projeto de lei, tem que dialogar com pessoas que têm, muitas vezes, pensamentos diferentes de você, mas buscando a base do convencimento.
Hoje Centro Sul – Mas em relação à Assembleia, ao tratamento com os deputados, como será?
Sergio Moro – Sendo na base do diálogo. Nós temos, aliás, a expectativa de fazer a maior bancada, o PL, o Novo e o Podemos juntos, para que a gente possa ter uma relação com a Assembleia fundada em princípios e programas. E claro, você não exime a participação da política dentro do seu governo, mas você não pode condicionar os interesses do paranaense aos interesses políticos partidários de poucos.
Najuá – Como é sua relação com o governador Ratinho Júnior?
Sergio Moro – Eu sempre tive uma relação cordial com o Ratinho Júnior, nunca fui inimigo e nem adversário. Ele tem o projeto dele, eu tenho o meu projeto, nós nos respeitamos, mas o nosso projeto, basicamente, é aquela visão, o Paraná pode mais e o Paraná pode melhor. A gente parece que hoje está satisfeito em estarmos em quarto lugar na economia do país. Mas espera aí, nós somos o maior exportador de frango, nós somos o maior exportador de feijão, o maior exportador de tilápia, terra de gente que trabalha e que produz.
Agora, existe uma situação, sim, que são os pontos de estrangulamento econômico do nosso Estado do Paraná, que impedem que nós desenvolvamos todo o nosso potencial, além das deficiências de serviços públicos que impactam na vida do cidadão. Um deles a gente já falou que é da saúde. Mas vamos olhar, por exemplo, nesses pontos de estrangulamento, as nossas estradas. Só quem vive fora da realidade acha que as nossas estradas não têm problemas, e vocês que vivem aqui em Irati, nessa região do nosso Estado central, sabem que é a região pior servida por estradas aqui dentro do nosso Estado. Nós queremos garantir primeiro que as obras da concessionária sejam realizadas.
Hoje Centro Sul – Candidato, um dos focos principais da sua campanha, do seu discurso, é o combate ao PT e ao presidente Lula. Como você pensa em fazer isso como governador, considerando uma possível reeleição do Lula? Além disso, no Senado, onde você ainda tem 4 anos de mandato, não seria um local mais adequado para isso, considerando a função do senador, que também é de julgar crimes de responsabilidade do presidente, dos ministros do STF?
Sergio Moro – Olha, ainda bem a gente estar vendo as pesquisas aí nas últimas três semanas, que tem havido uma ascensão do Flávio Bolsonaro, que é o nosso candidato a presidente, inclusive já na frente do Lula, em segundo turno, dentro da margem de erro de um ponto, mas nós estamos vendo a tendência, a tendência hoje, inclusive o mercado está apostando na vitória do Lula, do Lula, desculpe, do Flávio, e não do Lula. E a gente consegue virar essa página tenebrosa do governo do PT, que está levando o nosso país à ruína, as famílias estão endividadas, o supermercado está caro, a roubalheira impera no Brasil, é só olhar o que está acontecendo lá em Brasília, o crime organizado avança, então vamos conseguir resolver isso. Mas na hipótese trágica de uma reeleição, teremos uma relação que faz parte das relações institucionais.
Najuá – Como é a sua relação com Flávio Bolsonaro, com a família Bolsonaro? O senhor foi ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro, e acabou sendo exonerado pelo presidente.
Sergio Moro – Eu creio que essas são águas passadas. Veja que em 2022 eu fui eleito senador, aqui no Paraná, e logo em seguida, eu estava cansado, porque é jornada exaustiva uma campanha eleitoral, estava cansado em casa, e recebi uma ligação. Quem me ligou? O Jair Bolsonaro, pedindo que eu o apoiasse no segundo turno contra o Lula, e inclusive que eu o acompanhasse nos debates presidenciais. Eu fui, porque eu entendia que a eleição do Lula seria uma tragédia moral e econômica para o nosso país. Desde então, houve essa reaproximação e essa reconciliação.O fato de ele estar me apoiando agora, e eu estar apoiando o Flávio, não é uma coisa artificial que foi oportunismo no momento, houve essa reaproximação lá atrás.
Hoje Centro Sul – Grande parte dos municípios do Paraná são pequenos e dependem muito de recursos estaduais e federais. O que os prefeitos das cidades pequenas podem esperar do Moro em uma possível vitória como governador?
Sergio Moro – Nós vamos desenvolver diversas políticas públicas em parceria com os prefeitos. O prefeito está mais perto ali do cidadão e a gente precisa na implementação trabalhar junto. Então a nossa intenção é continuar esse diálogo com os prefeitos. Muitos sofrendo pressões da máquina pública, da máquina política, para apoiarem outro candidato, mas queremos tratar esse tema com absoluta liberdade. As pessoas têm que apoiar quem elas quiserem e nós não vamos confundir o prefeito com o cidadão do município. Eu não posso, por exemplo, discriminar uma cidade como Irati porque o prefeito me apoiou ou não me apoiou na eleição. Passada a eleição, todo mundo tem que trabalhar junto em prol do munícipe, do cidadão, todos nós somos paranaenses e é assim que a gente vai proceder.
Najuá – Como o senhor pretende lidar com a questão da Copel?
Sergio Moro – A Copel é uma empresa que a gente respeita, não somos contra a privatização, é um governo de direita, mas o péssimo serviço que a Copel está prestando hoje à população paranaense, que era o contrário da expectativa, pois a privatização se faz para ter um ganho de eficiência, perdeu a qualidade e ainda nos colocaram um reajuste de 20% na conta de luz. Eu fui o único senador que fez uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura esse ano, chamando os dirigentes da Copel, da ANEEL e de entidades empresariais aqui do nosso estado. Nós cobramos, primeiro, como vocês explicam essas quedas constantes de energia, demora no religamento, gerando prejuízos, às vezes de milhões até, para empresas ou para os paranaenses, ou deixando cidades às escuras. Foi nessa audiência pública que eu indaguei o presidente da Copel, vocês indenizaram essas pessoas? Ele me disse, não, estamos discutindo na Justiça. Pois bem, com a caneta do governador, nós vamos exigir que a Copel apresente um plano de investimentos robusto para acabar com essa queda de energia.

Letícia Torres

