Sem internet, famílias da área rural têm o direito à educação prejudicado

Por Redação 3 min de leitura

Marcelo Augusto Alves da Silva, 16 anos, e André Victor Nebesniak, 15 anos, são moradores da área rural de Irati e estão matriculados no 1º ano do ensino médio. Ambos não têm internet em casa e nos locais onde moram, Cerro da Ponte Alta e Cachoeira do Cadeadinho, também quase não chega o sinal de telefonia celular para que eles possam acessar o aplicativo Aula Panará. 

“É difícil porque aqui em casa pega mal o sinal e para fazer as atividades tem que subir lá na serra”, conta Marcelo, apontando para um morro distante de sua residência. “Os vídeos eu não estou conseguindo assistir porque a internet é ruim e lá em cima também não fica muito boa, dá só para enviar as atividades escritas”, diz.

André tem conseguido assistir as aulas, mas com maior esforço, como relata a mãe do adolescente, Eliane Nebesniak.  “A gente não tem internet em casa. Daí é bem difícil, ele vai um quilômetro na casa do meu irmão”, conta.

Assim como Marcelo e André, muitos outros alunos de escolas da área rural dos municípios da região Centro Sul também estão com dificuldades para acompanhar as aulas online.

A diretora do Colégio Estadual do Campo do Rio do Couro, Sônia Cristina de Mello Maneira, explica que desde o início das aulas online diversos pais de alunos compraram celulares para os filhos. Algumas famílias utilizaram para o auxílio emergencial de R$ 600 para isso. Entretanto, além do investimento em um smartphone, também é preciso internet de qualidade e em muitos locais nem o sinal 3G chega.

Maristela Andrade Nunes, 13 anos, aluna do 9º ano é exemplo desta situação. A família da menina comprou um smartphone para ela, mas Maristela ainda não pode ver as aulas. “Não adiantou por causa da internet. Daí eu ia até a casa de uma amiga, só que por causa desta pandemia não tem como ficar indo na casa dos outros”, conta.

A alternativa dela é buscar as atividades impressas na escola a cada quinze dias. “É um maço de folhas que vem. É muito trabalhoso, porque tem que copiar no caderno também, bastante complicado”, afirma.

Cesar Hul, diretor do Colégio Estadual do Campo Padre Pedro Baltzar, que possui 96 alunos e está localizado na comunidade do Itapará, também no interior de Irati, destaca que a situação de Maristela não é um caso isolado. “O 3G é muito fraco, qualquer baixada já não pega”, relata.

 O problema sensibilizou a equipe do colégio.  “Identificamos que em torno de 20% que iria conseguir ter acesso à internet, acesso ao aplicativo, fazer leitura, também vídeos e assim por diante. Então, em reunião com os professores, com a equipe escolar, a gente decidiu entregar material impresso para todos os alunos”, conta Cesar.  

Segundo ele, há algumas famílias que têm internet via rádio, o que possibilita aos estudantes o acesso aos vídeos das aulas, pelo aplicativo ou youtube. Mas o custo da instalação e a mensalidade deste tipo de serviço são inacessíveis para muitos.  “Por exemplo, no Itapará tem uma [internet] via rádio, tem uma perto da Água Mineral, mas são poucos os que têm condições financeiras de para pagar R$ 100,00, R$ 115,00 por mês”, relata.

O professor H&eacut