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27/07/2021

Retorno gradativo das aulas presenciais tem início e deixa pais e alunos mais esperançosos

A maioria das cidades da região da Amcespar está retomando as aulas presenciais na rede municipal de ensino, o que traz diferentes sentimentos entre os pais, que relatam como tem sido a experiência

Retorno gradativo das aulas presenciais tem início e deixa pais e alunos mais esperançosos

Letícia e Mateus são alunos do 5º ano, estão matriculados na rede municipal de ensino de Irati e puderam retomar a rotina de ir para a escola na última segunda-feira (19), depois de um ano e quatro meses afastados das salas de aula devido à pandemia da Covid-19. Eles integram o grupo de 30% dos alunos iratienses autorizados pelos pais a participarem das aulas presenciais.

Lucimara Taiok decidiu que o filho Mateus retornasse às aulas presenciais porque acredita que em casa ele aprendeu muito pouco e que a atual situação da pandemia permite que as coisas voltem a acontecer aos poucos. “Quando estava no pico da pandemia eu não iria deixar meu filho voltar para a escola, mas acho que agora é o momento certo, porque a vida precisa continuar. Mesmo eles não indo para escola, a gente trabalha no comércio, e corre o risco de se contaminar, e as crianças precisam voltar a aprender”, explica Lucimara.

A mãe de Letícia, Lucilda Mattos, acredita é normal os pais terem medo de autorizar os filhos a voltarem para a escola, mas também pensa que as crianças precisam voltar a ter interação social, pois isso faz parte do desenvolvimento delas. “Os pais terão dificuldade de aceitar o retorno das aulas, porque todo mundo está com medo desta situação, toda mudança gera um pouco de medo nas pessoas. Mas as crianças precisam voltar com a vida social delas, interagir com outras crianças, por mais que eles estavam tendo o conteúdo em casa, mas estavam convivendo somente com a família e precisam conviver com crianças da idade deles e professores também, isso faz parte da educação e do desenvolvimento deles”, ressalta Lucilda, que conta que a filha ficou muito feliz com o retorno ao contexto escolar.  “Ela adorou a volta às aulas, estava com saudade da escola, por mais que teve todo o distanciamento, cada um com carteira longe um do outro, sem recreio e com todas as restrições, mesmo assim ela ficou muito feliz”, disse a mãe da aluna.

Organização e cuidados

O número de alunos e o tamanho das salas de aula são fatores que cada estabelecimento de ensino precisou considerar para a segurança do retorno às aulas.

“Deixamos livre para que cada escola se organize, pois, tem escolas que têm quatro turmas de 5º ano, então estas fazem um revezamento durante a semana, outras escolas têm um 5º ano e nessas os alunos podem ir todos os dias agora de início, sempre respeitando a capacidade de 30%”, informa a secretária de Educação de Irati, Jandira Terezinha Girardi.

Lucimara conta que na escola onde o filho estuda as turmas foram divididas. “São sete alunos na sala do Mateus, foi dividido. Dois dias vai uma quantidade de aluno da turma e três dias vão os outros. Um grupo de alunos vai nas segunda e terça, e o outro grupo nas quarta, quinta e sexta. Assim inverte na semana seguinte”.

Respeitando o público máximo de 30% de alunos nas escolas as carteiras estão distanciadas 1,5 m umas das outras; o uso de máscara é obrigatório o tempo todo e cada aluno deve levar uma máscara a mais para trocar; não é permitido compartilhar nenhum material ou lanche; durante o recreio os alunos apenas lancham, não há brincadeiras como era de costume nas escolas; e o álcool gel está disponível em todos os espaços, além de cada aluno levar o seu frasco.

Lucilda relata que os professores da escola onde a filha estuda fizeram orientações antes do retorno, por meio de vídeos-chamadas, orientando sobre os cuidados que as crianças precisam ter e as regras de proteção a serem cumpridas. “A escola tem estrutura e preparo para receber os alunos tomando todos os cuidados de proteção. Analiso pela minha filha que as crianças estão conscientes de que precisam se cuidar. Ela sabe que precisa usar máscara, álcool gel, manter o distanciamento, pois nas crianças é bem mais fácil de colocar regras e eles respeitarem mais do que os adultos. Já passamos por momentos muito difíceis nesta pandemia, mas acredito que precisamos continuar vivendo, não podemos ficar dentro de um casulo o tempo todo, temos que ter consciência de cuidado consigo mesmo e com o próximo”, frisou Lucilda.

Lucimara defende que se as crianças forem bem orientadas em casa, pelos pais, saberão se proteger na escola. “Eu acredito que os cuidados que as crianças têm depende muito do incentivo de casa. Aqui em casa já temos os hábitos com a avó, que é idosa. O Mateus tem todo cuidado com ela, de não beijar e abraçar, lavar sempre as mãos quando chega em casa”.

A secretária de Educação de Irati relata que constantemente serão feitas reuniões com as diretoras e coordenadora pedagógicas das escolas e CMEIs para analisar o que está dando certo e o que precisa ser melhorado em relação à segurança.

Transporte escolar em Irati

A Secretaria Municipal de Educação de Irati entrou em acordo com o Núcleo Regional de Educação (NRE) para que em julho o transporte escolar fosse ofertado somente para os alunos da rede municipal de ensino. Após o dia 02 de agosto, será ofertado para os alunos das escolas estaduais também. “Decidimos fazer isso para ver como seria essa situação que é novidade para todos, nessas duas semanas de julho o transporte será apenas para os alunos das escolas municipais”, frisa Jandira.

O limite de alunos nos ônibus é de 30% da capacidade total, isso será mantido mesmo com o retorno dos alunos da rede estadual. A secretária de Educação explica que no transporte escolar será feito um revezamento de turmas, assim como nas escolas, para que não ultrapasse os 30%.

Dificuldades do ensino remoto

A falta de uma rotina diária de estudos foi uma das maiores dificuldades vivenciadas no período longe das salas de aula. “É difícil para os alunos do município continuarem estudando em casa porque não tem aula on-line como tem na rede estadual todos os dias. Os conteúdos são entregues para a semana toda e a professora faz duas meets por semana. Mesmo os pais tentando ensinar e ajudar, não conseguem ensinar da mesma maneira que as professoras na escola, que têm conhecimento e preparo para passar a eles”, explica Lucilda, mãe da aluna Letícia.

Ela conta que com as aulas remotas se tornou mais difícil restringir o uso do celular e computador, pois as crianças precisavam permanecer mais tempo utilizando a internet. Entretanto elas acabam se dispersando com a tecnologia, o que acredita que não ocorrerá na escola.

A mãe de Mateus opina que o filho não aprendeu em casa e que seria necessário rever todos os conteúdos na escola. “Em casa não aprende, não adianta, mesmo que tente fazer alguma coisa, a dedicação é péssima, é só fazer por fazer, aprender nesse período foi muito pouco”, disse Lucimara.

Como está sendo o retorno às aulas na região?

Em contato com as secretarias municipais de Educação da região da Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná (Amcespar), a maioria das escolas está retornando gradativamente com as aulas presenciais e com transporte escolar, seguindo as medidas de proteção. Também respeitando a decisão dos pais, de autorizar ou não o retorno presencial, oferecendo a opção da continuidade do ensino remoto.

Em Imbituva, desde o dia 17 de junho os alunos matriculados entre o 1º e 5º ano do Ensino Fundamental I podem frequentar as aulas presenciais, desde que autorizados pelos responsáveis. A partir de segunda-feira (26), os alunos do Infantil 4 e 5 também poderão voltar, sendo que o transporte escolar irá funcionar em todas as linhas do município, a partir da mesma data, respeitando o limite máximo de 50% da capacidade nos ônibus e escolas.

Em Fernandes Pinheiro, as aulas da rede municipal irão retornar no modelo semipresencial a partir do dia 02 de agosto, será feito um revezamento semanalmente. Alunos do 1º ao 5º ano poderão participar das aulas com 50% da capacidade, nas mesmas condições será ofertado o transporte escolar.

No município de Rio Azul os alunos do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental I voltaram às aulas presenciais desde quarta-feira (21), com escolas e transporte escolar com 50% da capacidade.

Rebouças retornou com as aulas presenciais na última segunda-feira (19), para alunos do 5º ano, Sala de Recursos, Classe Especial e EJA. A partir de segunda-feira (26), retornam os alunos do 3º e 4º ano e a partir do dia 02 de agosto os alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental I. Haverá no máximo 12 alunos por sala, sendo alternados os grupos por semana. Também está disponível o transporte escolar com 50% da capacidade.

No município de Prudentópolis as aulas presenciais voltam dia 02 de agosto, com 50% dos alunos, para as turmas de 4º e 5º ano, que podem utilizar o transporte escolar também com restrições do número de pessoas.

Mallet retorna com as aulas na rede municipal para alunos do 5º ano, Turmas Extracurriculares e Salas de Recursos a partir do dia 02 de agosto, com transporte escolar e revezamento semanal para não atingir mais de 50% dos alunos matriculados.

Em Inácio Martins, as escolas municipais voltam a partir do dia 09 de agosto, para alunos do 5º ano, EJA e Educação Especial. Cada sala terá entre 10 a 12 alunos e o transporte escolar também será restrito em 50%.

Teixeira Soares está por definir a data de uma reunião com o comitê de Volta às Aulas para decidir se as aulas retornam a partir da segunda quinzena de agosto ou em outubro.

Escolas estaduais

Na quarta-feira (21), mais de 1,7 mil colégios estaduais abriram total ou parcialmente no Paraná. A capacidade máxima de alunos em sala de aula e no transporte é definida em cada município seguindo o protocolo de biossegurança.

Na região, dos nove municípios pertencentes ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Irati a estimativa total é de que 5.623 alunos retornaram para as escolas, sendo 3.324 do Ensino Fundamental, 1.895 do Ensino Médio e 404 do Subsequente, conforme informou o chefe do NRE, Marcelo Komar. Em Irati, só o colégio Duque de Caxias não retornou devido às reformas no prédio.

Texto: Cibele Bilovus

Fotos: Divulgação

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