Requião Filho é o 1º candidato a governador a ser entrevistado pela Najuá e Hoje Centro Sul

Por Redação Hoje Centro Sul 10 min de leitura

Em parceria, a Rádio Najuá e o Jornal Hoje Centro Sul estão realizando uma série de entrevistas com os principais candidatos a governador do Paraná, para que eles apresentem as suas propostas ao eleitor. As entrevistas são ao vivo, durante o programa Meio Dia em Notícias, e têm duração de trinta minutos.

O candidato Requião Filho (PDT) foi o primeiro a ser entrevistado, na terça-feira (08). O candidato Sergio Moro (PL) participou nesta sexta-feira (11) e o candidato Sandro Alex ainda não confirmou a data em que falará à população do Centro Sul.

Entrevista com Requião Filho

Acompanhe os principais momentos da entrevista com Requião Filho, que além de tecer críticas ao atual governador e dizer que irá retomar programas como o Trator Solidário, que existiam na época em que seu pai, Roberto Requião era governador, também expôs suas propostas para setores como saúde, educação e infraestrutura.

Najuá – Paulo Henrique Sava – No seu plano de governo, você fala em cuidar das pessoas. Como fará isso?

Requião Filho – Cuidar de pessoas é o básico, é o que deveria mover qualquer governo. Quero fazer um governo que tenha resultados efetivos na vida das pessoas. Vamos erguer concreto? Vamos. Vamos fazer obras? Vamos, mas obras que mudem para melhor a vida do paranaense. Chega de fazer só obra pragmática eleitoral. Hoje temos um governo preocupado com CNPJs, com dinheiro, propaganda, índices, eu me preocupo com gente de verdade, de carne e osso.

Najuá – A Copel foi privatizada recentemente, o que o senhor pretende fazer caso assuma o governo?

Requião Filho – Nós queremos auditar essa privatização. O Estado ainda tem ações da Copel e abriu mão de votos na Assembleia de Acionistas, vamos exigir esses votos novamente, vamos exigir a Golden Share [poder de veto], vamos trabalhar com outros entes e outras entidades que têm ações da Copel, como o BNDES, para que a Copel volte a cuidar do povo do Paraná. Hoje, a Copel tem uma das tarifas mais caras do Brasil e é a 29ª ou 26ª empresa entre as piores do nosso país. Então a ideia é que a Copel volte a ter energia barata, de qualidade, energia boa, estável, para que o agro possa produzir, para que as indústrias possam produzir, para que as empresas possam produzir e para que a família paranaense não pague tão caro num serviço tão ruim.

Hoje Centro Sul – Letícia Torres – Uma das dificuldades da máquina pública é a burocracia e a tecnologia avança cada vez mais. Como você pretende inovar na gestão pública, considerando esses entraves burocráticos que existem?

Requião Filho – No caso da Copel, isso nunca foi um problema, porque a Copel é uma empresa mista, sempre foi mista e continuará sendo. Então ela não tem essa burocracia, essa lentidão da lei de licitações e outros afins. Ela pode ser uma empresa com competitividade no mercado, tanto Copel como Sanepar são empresas mistas, mas com o mando do Estado como acionista prioritário. Já a máquina pública, ela pode e deve ser mais rápida. Para isso, temos o uso de tecnologia, de inteligência artificial, de diminuição de conferência de documentos.

Hoje para você conseguir abrir uma empresa no Paraná, você tem que falar com três, quatro, cinco secretarias. A gente vai botar a Secretaria da Indústria e do Comércio para funcionar como porta única do Paraná. Entra pela Secretaria de Indústria e Comércio para abrir a sua indústria, para abrir o seu comércio, e esse processo começa e termina lá. Vamos simplificar o processo ao máximo e utilizar a inteligência artificial e a tecnologia a favor da empresa e da indústria paranaense.

Hoje Centro Sul – Sobre a redução do ICMS. Como você pretende implantar isso?

Requião Filho – ICMS zero para pequena e microempresa, por decreto, se for preciso, porque quem mais gera emprego no Paraná, hoje, não tem ajuda do Governo do Estado. Não tem linha de crédito, não tem reconhecimento, tem energia cara, tem água cara e teve aumento no ICMS por parte do governador. Nós queremos diminuir o ICMS para zero para pequenas e microempresas. São quem mais empregam no Paraná, são quem mais pagam salário e são responsáveis apenas por 2% da arrecadação de ICMS no Estado. Geram mais de 70% dos empregos e são responsáveis por 2% do imposto. Então, a gente vai zerar esse imposto, mas não adianta só zerar, pequenas e microempresas pagam substituição tributária no Paraná e isso está em quase todos os produtos. Nós vamos retirar a substituição tributária da maioria dos produtos, porque o Estado, ele não tem que ser uma máquina de arrecadação, ele tem que ser a mão que ajuda a pequena empresa a crescer.

Najuá – Como o candidato pensa em compensar isso para a questão da economia do Estado?

Requião Filho – A compensação é automática, porque se eu zerei o imposto da pequena e da microempresa, ela vai contratar mais, ela vai investir mais, ela vai pagar melhor. Automaticamente nós temos mais gente com mais salário e o trabalhador paranaense compra comida, bens, roupa, paga a conta. Então quanto mais salário, mais a economia se aquece.

Hoje Centro Sul – Candidato, em relação ao pedágio, o seu plano de governo prevê rever esses contratos?

Requião Filho – Na verdade, essas revisões estão na mão do governo federal hoje. O Ratinho e o Sandro Alex são responsáveis pelo novo contrato do pedágio. A Assembleia Legislativa fez inúmeras audiências públicas e o Paraná inteiro rejeitou o pedágio. Aí o governador mandou entregar todas as nossas estradas, sem nenhuma condicionante, para o governo federal, à época com o Jair Messias Bolsonaro, para que o pedágio fosse implementado no Paraná. Ele participou da escrita do contrato do pedágio. Ele e Sandro Alex. Eles foram para São Paulo, na Bolsa de Valores, comemorar a vinda do pedágio, dizendo que era mais moderno, mais barato, que ia ser incrível, que ia ter internet, iluminação, ia ter até cadeira de massagem, se dependesse deles, na beira da estrada. O que nós temos hoje são obras que são inauguradas no seu início e não vemos o fim dessas obras. O pedágio hoje, de ponta a ponta no Paraná, já é mais caro hoje do que ele era ontem, mesmo com a inflação corrigida. O pedágio mais caro do mundo. E eles estão aí inaugurando obras do pedágio como se fossem deles e dizendo que a culpa do valor do pedágio é do governo federal. E eu já dizia isso lá atrás, se você entrar no YouTube tem discurso meu, dizendo: Ratinho vai botar o pedágio no Paraná, vai dizer que as obras são conquista deles, vai inaugurar obras não feitas e vai dizer que o preço do pedágio é culpa do governo federal. Só que hoje, infelizmente, o contrato é com o governo federal e com a ANTT. Como governo estadual, a gente pode fiscalizar e denunciar e rezar para que a justiça faça o seu trabalho.

Hoje Centro Sul – Então não é possível essa revisão dos contratos em nível estadual?

Requião Filho – Através do nível estadual, não é. A gente tem que exigir do governo federal.

Hoje Centro Sul – Porque a preocupação de grande parte dos paranaenses é que essas obras, que são históricas, como a duplicação da BR-277, venham a ser paralisadas.

Requião Filho – Nós não gostamos de pedágio e não gostamos de pedageiras, mas nós vamos exigir que as obras sejam feitas dentro do contrato e dentro de um preço razoável, vamos estar em cima disso, fiscalizando.

Najuá – Na educação, suas críticas têm sido em relação a dois projetos, o parceiro da escola e as escolas cívico-militares.

Requião Filho – Privatização do ensino, que custa muito mais caro que o ensino público normal, com resultados piores, porque há a maquiagem de resultados para recebimento de bônus desses contratos. Então, ou seja, eles economizam na folha, mas gastam muito mais no custeio. Não há economia real para o estado e não há vantagem real para os alunos. E o modelo de escola cívico-militar, que não é um modelo pedagógico, é um modelo de propaganda ideológica, e eu prefiro polícia fazendo segurança de escola, garantindo a segurança do entorno, prendendo bandido, do que colocando criança para marchar.

Najuá – Pretende, então, abolir esses projetos?

Requião Filho – Parceiro da escola abolido, vamos retomar o comando dessas escolas, vamos para cima desses contratos com investigação séria sobre os custos e uma transição das escolas cívico-militares para que a polícia continue parceira da comunidade escolar, mas distante do projeto pedagógico. Quem cuida de educação é educador. Polícia cuida de segurança e combate ao crime.

Hoje Centro Sul – Qual é a sua proposta para a melhoria da saúde pública?

Requião Filho – Mais investimentos de verdade na saúde, co-participação e cogerência com os nossos hospitais filantrópicos e OSCs (hospitais que não visam lucro, mas visam cuidar de pessoas, como as Santas Casas). Essa parceria com eles, um aumento na tabela do SUS, também um repasse extra por parte do Paraná, para que a gente torne atrativo e possível fazer isso. Parcerias com o Governo Federal, com programas como o Mais Especialista e uma fila única e transparente da saúde. Hoje tem a fila da consulta, a fila do exame, a fila da operação, da cirurgia. Nós queremos uma fila única, com padrões técnicos muito claros e transparentes, onde o paciente possa acompanhar o seu lugar na fila, a sua consulta, o seu exame, a sua cirurgia, se for o caso, em um aplicativo pelo seu celular, de forma bem transparente. Hoje não há transparência. E o fim da terceirização da saúde também.

E queremos colocar para funcionar também o hospital da mulher e da infância. Veja, tem um opositor meu que fala em construir presídio. Eu falo em hospital para cuidar da mulher e da infância. Olha que diferença, nós preocupados com a vida e eles preocupados só com cadeia e com morte.

Sergio Moro fará evento nesta sexta em Irati
Esta nota é uma reprodução da edição impressa do Jornal Hoje Centro Sul de 11 de setembro

Letícia Torres

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