facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 1230 - Já nas bancas!
05/06/2020

Queda no faturamento motiva empresas a buscarem crédito

Em Irati, a Associação Comercial e Empresarial (Aciai) dá suporte para que as empresas tenham acesso a linhas de crédito da Fomento Paraná, que oferece juros mais baixos do que os da rede bancária.

Queda no faturamento motiva empresas a buscarem crédito

No Paraná, 90,2% dos micro e pequenos negócios perderam receitas nos últimos meses, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada no mês de maio. Em todo Brasil, a pandemia tem ocasionado queda no faturamento das empresas, que têm procurado crédito para se manterem em funcionamento.  Em Irati, as micro e pequenas empresas são as que mais têm buscado o auxílio da Associação Comercial e Empresarial (Aciai) para ter acesso a linhas de crédito.

Nos meses de março e abril, a Aciai fez 250 atendimentos a empresas e microempreendedores individuais (MEIs) que queriam saber como fazer contratos com a Fomento Paraná – instituição financeira do Governo do Paraná – e ter acesso a recursos com taxas de juros mais baixas do que as praticadas pelos bancos convencionais.  Destas 250 empresas e MEIs, 140 efetivaram o pedido de crédito junto a Fomento Paraná até o final de maio. “A maior procura foi para microcrédito, até 20 mil”, relata a correspondente de crédito e executiva da Aciai, Simone dos Anjos.

Desde março até o final de maio, ela conta que “foram cadastradas 91 propostas no microcrédito, das quais 22 os recursos já foram liberados, 8 estão aguardando liberação e as demais estão em fase de análise”.  Os valores solicitados para pelas empresas ou pelos microempreendedores individuais nesta modalidade de crédito variam de 6 a 20 mil reais.

Outra modalidade de financiamento, destinada a micro e pequenas empresas, prevê que podem ser solicitados valores entre 50 e 200 mil reais. Esta linha de crédito também teve procura em Irati.  “Das linhas acima de 20 mil, foram cadastradas 49 propostas, apenas 1 foi liberada.   As demais estão na fase de análise financeira e análise cadastral”, conta Simone. 

Segundo a correspondente de crédito, em todo Paraná a busca por financiamentos pelas empresas está sendo grande, o que tem feito com que um enorme volume de propostas chegue para a análise dos técnicos da instituição financeira do Governo do Paraná.  Simone explica que não há uma estimativa do tempo levará para que cada processo cumpra todos os trâmites até que os recursos sejam liberados às empresas iratienses. “Não há previsão, a demanda está muito grande. São poucos os analistas que atuam pela Fomento e atendem todo o Estado.  Após o cadastro o prazo médio para análise é de 15 dias.  Após essa etapa seguem os demais tramites, os quais não há prazo”, relata.

Para que todo processo ocorra no menor período de tempo possível no que depender do correto preenchimento das propostas pelos empresários, ela conta que os correspondentes de crédito da Aciai oferecem o suporte necessário. “Fazemos todo o processo, simulações, coleta de documentos, inserção das informações no sistema, acompanhamento das etapas até a assinatura dos contratos”, comenta. 

Linhas de crédito prioritárias

 A consultoria inclui orientar os empresários a inserir seus pedidos de crédito nas linhas de financiamento que têm prioridade de atendimento pela Fomento Paraná. “Estão sendo priorizadas as linhas para capital de giro e folha de pagamento, com valores até 200 mil. A linha para folha de pagamento as taxas são a partir de 0,68% a.m,  são financiados 3 meses de folha mais os encargos sociais. A comprovação é através do Gfip, e a empresa se compromete a não fazer demissões no período em que estiver  pagando o financiamento”, explica a correspondente de crédito. O valor do crédito é repassado para a empresa, que faz o gerenciamento dos pagamentos.

Para que o crédito seja liberado mais rapidamente, outra estratégia é a utilização do Fundo Garantidor do BNDES  (FGI), segundo Simone.  “As linhas de crédito que utlizam o FGI também são priorizadas e o tramite é mais rápido, pois não precisa  de avalistas ou garantias reais”, diz.

Pandemia e busca por crédito no Paraná

De acordo com a pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, feita pelo Sebrae/FGV, que ouviu 681 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas no Paraná, 43,5% dos pequenos negócios do Estado tiveram que interromper suas atividades temporariamente e 2,2% das empresas fecharam as portas. Além disso, 44,8% dos negócios tiveram que modificar sua maneira de atuar para continuar funcionando.

Dentre os empresários que sentiram o impacto econômico da pandemia, muitos têm buscado empréstimo para manter seus negócios. No Paraná, 20,3% dos micro e pequenos negócios que solicitaram crédito tiveram sucesso, o sexto melhor índice do País.

Ao todo, 34,8% ainda aguardam um retorno enquanto 44,9% dos empresários tiveram seus pedidos negados, terceiro menor índice brasileiro. Nacionalmente, 58,2% não obtiveram o empréstimo requerido.

Comportamento dos donos de pequenos negócios

De acordo com o Sebrae, no Brasil,  historicamente os donos de pequenos negócios têm uma cultura de evitar a contratação de empréstimos. No país, 62% dos 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas ouvidos pela pesquisa Sebrae/FGV não buscaram crédito desde o começo da crise ocasionada pela pandemia.

Dos que buscaram, 88,3% o fizeram em instituições bancárias. Entre os que procuraram em fontes alternativas, parentes e amigos (43%) são a fonte de empréstimos mais citada, seguidos de instituições de microcrédito (23%) e negociação de dívidas com fornecedores (16%).

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse comportamento pode ter diversas razões, entre elas: as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas.

Juros baixos compensam a espera

A Associação Comercial de Irati defende que vale a pena esperar a análise e aprovação de crédito pela Fomento Paraná.  “Apesar da demora na análise e liberação, as linhas da Fomento possuem taxas atrativas e contam com o apoio e assessoria da Aciai.  A Aciai está à disposição para ajudar neste período de pandemia, e podemos fazer simulações e orientações.  Não deixamos de atender as empresas e  somente encerramos as  propostas após esgotadas todas as possibilidades”, relata a correspondente de crédito Simone dos Anjos.

Ela cita que os recursos são para capital de giro e custeio da folha de pagamentos durante a pandemia, mas também há crédito para quem deseja fazer novos investimentos.

“Há também as linhas para investimento para energia renovável,  construções civis, compras de máquinas e equipamentos.  Nessas linhas as taxas são mais baixas que o capital de giro, porém  estas demoram um pouco mais, pois a prioridade no momento  é atender as empresas que precisam de capital de giro e manutenção dos salários”, finaliza.

Texto/Foto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul