Projeto social ajuda moradores de rua em Irati
Um projeto social em Irati vem ajudando moradores de rua com comida, roupas, recuperação de vícios e a voltarem a ter um lugar para morar. O projeto “Falta Amar” foi criado em maio de 2019 por Bruna Gomes Oliveira, 18 anos.
A ideia do projeto surgiu quando Bruna notou que várias pessoas estavam falando sobre os moradores de rua em Irati, que sofriam por conta do frio e ninguém tomava uma atitude. “Pensei em mudar essa situação de alguma forma e comecei a postar [em redes sociais] pedindo ajuda para criar um projeto maior. Várias pessoas se interessaram e conseguimos roupas, cobertas e fazer os sopões com o patrocínio do Empório da Fruta com frutas, legumes e carne algumas vezes para ajudar essas pessoas”, disse.
O grupo cresceu e chegou reunir 15 pessoas, mas atualmente apenas cinco desenvolvem o projeto.
Moradores de rua
A primeira reação dos moradores de rua foi com receio. Isso porque, a maioria deles já sofreu agressões estando na rua. “A primeira vez que fomos visitar, eles ficaram preparados para brigar. Achamos eles em um prédio abandonado, estavam em sete. Chegamos e falamos que tínhamos trazido roupa e comida e eles agradeceram. Nos contaram que o importante para eles era a atenção que estávamos dando e não a comida. Em sua maioria, eles conseguem sobreviver de doações”, explica.
Em uma de suas experiências, Bruna explica a forte ligação que percebeu entre os moradores de rua e os animais. “Um dia conhecemos dois moradores de rua e queríamos levá-los para a Casa de Passagem, para ficar dois dias até entrar em contato com a família. Eles aceitaram ir apenas se levássemos os cachorros. Colocamos os animais dentro do automóvel e levamos para a casa de um membro do nosso grupo. À noite, o animal conseguiu pular o muro e fugiu. Quando eles ficaram sabendo que o cachorro tinha fugido, queriam sair da Casa de Passagem atrás do animal. Às vezes deixam de comer pra dar para o cachorro, quando dávamos sopa, eles pegavam um pote e davam para o animal”, conta.
Bruna explica que há um motivo forte para essa ligação. “Os moradores de rua contam que essa relação com o cachorro é porque os animais são os únicos que não abandonam eles e os animais os protegem”, conta.
Vício
Muito do abandono aconteceu pelas próprias famílias, especialmente com quem possui um vício. A desistência acontece após a família persistir ajudar a pessoa a sair do vício, porém ela não consegue.
Bruna conta o argumento de um ex-alcoólatra que morava na rua e entrou no grupo Alcoólicos Anônimos. “A família tenta internar, mas acaba desistindo, porque tenta internar e não resolve. O argumento que um ex-alcoólatra usou para a gente, foi que, quando ele tentou parar a primeira vez de usar álcool a família veio e disse que ele não iria conseguir, porém quando ele entrou para o AA [Alcoólicos Anônimos], ele encontrou pessoas que estavam passando pela mesma situação e que deram apoio, e assim, ele conseguiu se entender e se reerguer”, disse.
Segundo Bruna, através de sua experiência com o projeto, pessoas que começam a morar na rua se tornam viciadas após o contato com pessoas que já estavam viciadas na rua. “Começamos a frequentar o Alcoólicos anônimos e descobrimos que muitos que estão lá e conseguiram se recupera

