facebook
10/12/2021

Produtores rurais e empresas usam energia solar para garantir economia e sustentabilidade

A redução no valor da tarifa de energia elétrica surpreendeu o agricultor Irineu Lucavy, que instalou painéis fotovoltaicos para gerar eletricidade em sua propriedade

Produtores rurais e empresas usam energia solar para garantir economia e sustentabilidade

No meio urbano ou rural, quem utiliza energia elétrica geralmente busca formas de economizar na tarifa. Na região, muitos agricultores e pecuaristas têm conseguido obter energia mais barata e segura para suas atividades na fumicultura, produção de verduras ou leite através da instalação de equipamentos para geração de energia solar. “Procurei esse tipo de energia porque não estava aguentando mais pagar a conta de luz, eu pagava em média R$ 1.000,00 por mês, por isso tomei essa decisão. E nesse primeiro mês depois da instalação veio somente R$ 70,00 de taxa da Copel”, relata Irineu Lucavy, produtor de hortaliças, que comercializa alimentos na Feira do Produtor Iratiense.

A mudança significativa no valor da tarifa de luz do agricultor resultou da instalação de placas fotovoltaicas na propriedade.  Há dois meses, a empresa ClimaDek instalou 30 painéis que captam a energia do sol e empregam o calor para geração de eletricidade, que é distribuída na propriedade de Irineu para o consumo por todos os aparelhos ligados à rede. 

No caso do agricultor, o maior consumo de energia se dá pela irrigação das plantas. “Eu gastava, em média, R$ 12 mil de luz por ano. Analisando os talões percebi que cada vez a luz fica mais cara, fui amadurecendo a ideia de adquirir [painéis para gerar] a energia solar e acredito que é um bom negócio, viável para todos que precisam gastar bastante luz”, afirma Irineu.

Há 35 anos ele trabalha ao lado de sua família no cultivo de verduras e legumes. Entretanto, nos últimos tempos, os constantes aumentos nos custos de produção começaram a preocupar. Então o investimento para a geração de energia veio como uma alternativa para equilibrar o orçamento. “Quero daqui para frente não precisar desembolsar tanto dinheiro com luz, fiz isso para conseguir equilibrar um pouco, porque está difícil lidar com o preço dos insumos que estão muito caros, e a gente vai vender as coisas e tem que ser sempre no mesmo preço”, explica o agricultor.

Os consumidores que investem em energia solar, além de economizar, estão contribuindo com a sustentabilidade, pois a produção é limpa e o sol é uma fonte inesgotável. Diferentemente, por exemplo, da energia produzida pelas hidrelétricas, que está se tornando cada vez mais cara por conta da crise hídrica e do aumento do consumo de eletricidade no mundo todo. 

“É um caminho sem volta, porque o mundo vive o aumento da demanda energética com produtos eletrônicos, carros elétricos, indústrias totalmente voltadas para parte elétrica. E vêm ao encontro da crise hídrica que está afetando o mundo todo, o que ocasiona o aumento do custo da energia gerada pela água, por isso fontes renováveis estão se tornando a melhor alternativa”, afirma Nycolau Alves Taborda, administrador da empresa ClimaDek.

No Brasil, a energia solar tem um percentual pequeno de produção comparado com a energia de hidrelétricas e termoelétricas, que é de 82,37%. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia solar é responsável por apenas 2,48% da geração no país – sendo que no Paraná o percentual é de 0,01% na geração de energia. Já a geração de energia pelas usinas hidrelétricas corresponde a 57,61% no país e a das usinas termoelétricas a 24,76%.

“Apesar de ainda ser pouco produzida se comparada com as outras, existem estudos que mostram que dentro de 10 anos a energia solar estará bem posicionada, porque é barata, sustentável, de fácil manutenção e o investimento tem longa durabilidade”, argumenta Taborda.

Empresas, indústrias e consumidores residenciais já perceberam este potencial e os benefícios da instalação de sistemas de geração de energia sustentável, como a energia solar, que é uma alternativa limpa e renovável. A instituição financeira Sicredi é um exemplo disso. “Nas agências do Centro e da Rua Antônio Cavalin, em Irati, foi instalada há um mês a energia solar, estamos pensando muito na sustentabilidade, além de ser uma alternativa de economia onde são usados muitos aparelhos de ar condicionado”, relatou o gerente da agência Sicredi do Centro de Irati, Emerson de Lara.

Incentivo

Nos últimos anos, o Brasil tem incentivado a produção de energia limpa com isenção de alguns impostos. “Do governo federal tem uma redução no Imposto de Importação, isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que resulta na redução de até 30% do custo do produto”, informa Taborda.

O incentivo é maior para produtores rurais cadastrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que podem fazer financiamentos com juros de 3,5% a 4,5% ao ano. Irineu Lukavy se encaixa neste perfil e achou os juros baixos se comparados a outros financiamentos.

“À vista iria custar um pouco menos, mas pelo Pronaf é só 3,5% de juros por ano, então em 10 anos vai ter juros total de R$ 7 mil. Hoje, a gente sabe que qualquer coisa que for comprar tem juros muito altos e nesse caso não dá nem para comparar, porque pelo Pronaf saiu bem barato”, pontuou o agricultor.

Taborda explica que esta isenção e redução de impostos acontecem somente quando o cliente adquire todo o pacote fornecido pela empresa desde os materiais até a instalação – porque há  normas legais que precisam ser seguidas para ter acesso às isenções. Neste sentido, adquirir os materiais em vários lugares e terceirizar instalações pode custar mais caro.

Financiamento

Antigamente, ter acesso aos equipamentos para energia solar parecia ser algo difícil, por conta do custo dos materiais e instalação. Por isso, as cooperativas de crédito abriram linhas específicas para energias renováveis, a fim atender todos os públicos: moradores da área rural e da cidade, pessoas físicas e jurídicas.

“A linha de financiamento fotovoltaico existe há um bom tempo, mas nos últimos dois anos se intensificaram mais devido ao aumento do custo da energia elétrica. Temos várias empresas parceiras que usam a linha de financiamento do Sicredi para energia solar. O Sicredi conta com várias linhas de crédito para atender públicos diversos, com prazos maiores e taxas atrativas, seja para produtores rurais ou pessoas físicas e jurídicas do perímetro urbano”, conta o gerente Emerson de Lara.

E ele enfatiza a responsabilidade do Sicredi diante das necessidades do produtor rural, que busca melhorar sua rentabilidade e contribuir para a preservação dos recursos naturais, como a água. “Hoje se fala muito em economizar luz e com a energia solar você está gerando sua própria energia. Sabemos da escassez da água e temos uma fonte inesgotável de energia que é sol, então precisa do amparo de algumas instituições para conquistar mais esse recurso. O Sicredi nasceu no Agro e tem uma força gigante nesta área, fazemos tudo o que conseguimos para auxiliar o produtor e estar junto com ele”, diz o gerente do Sicredi.

Retorno de investimento

O administrador da ClimaDek explica que o tempo do retorno do investimento nos painéis fotovoltaicos varia conforme o perfil de consumo, mas acontece em um prazo curto. “O retorno de investimento para uma residência gira em torno de quatro anos, considerado um retorno de curto prazo, que dá uma rentabilidade de 25% ao ano”, pontua Taborda. Já no caso dos investimentos feitos por empresas ou propriedades rurais, o retorno pode acontecer em um prazo ainda menor, segundo o empresário.

Apesar de a procura pela energia solar ter como objetivo economizar, o consumidor acaba tendo outras vantagens. “O principal motivo que leva a pessoa a instalar a energia solar é a redução do valor da fatura de luz, para ele se livrar dessa preocupação. Mas consequentemente a pessoa terá outros benefícios, como a valorização do imóvel em caso de venda ou locação”, comenta Taborda.

Outro aspecto positivo é que o sistema quase não exige manutenção. É preciso apenas fazer a limpeza dos painéis e a verificação da parte elétrica – o recomendado é uma vez por ano. Já a garantia das placas é por um período significativo: 10 anos para defeitos de fabricação e até  25 anos para a eficiência. “Isso significa que durante 25 anos a placa tem que gerar 80% da sua eficiência inicial. A durabilidade desses produtos é de mais de 30 anos, por isso a pessoa não precisa fica com medo de investir porque não vai perder o investimento”, afirma Taborda.

No entanto, o administrador da ClimaDek destaca que a energia solar só é viável para consumidores que gastam acima de R$ 250 por mês. “Quando o consumo é menor que isso, a instalação pode não ser viável se comparada com o gasto da energia elétrica, o que não se torna lucrativo. Neste sentido, a nossa empresa orienta os clientes de acordo com suas particularidades”, disse.

Como é usada a energia?  

Até pouco tempo, as placas fotovoltaicas que eram mais comercializadas tinham a potência de 335 watts, porém, nos últimos meses, com o avanço da tecnologia, as placas que mais têm sido utilizadas nos sistemas de geração de energia solar são as de 400 watts até 550 watts.

Após a instalação do sistema, a Copel precisa aprovar para que a energia solar seja distribuída pela propriedade.

“Para que a energia solar entre dentro da energia distribuída precisa da aprovação da Copel, sendo que a energia que é gerada já será consumida. Caso gere a mais do que o consumo, esta energia fica ‘armazenada’ com a Copel por até cinco anos, para que em um mês em que a geração seja menor a pessoa consuma automaticamente o que sobrou. E, caso gere menos energia do que o necessário, o consumidor vai utilizar a energia da Copel, isso tudo acontece de forma automática”, detalhou Taborda.

Serviços da ClimaDek

Há 15 anos no mercado na área de climatização atendendo Irati e região, desde 2018 a ClimaDek começou a trabalhar também com sistemas de energia solar. A empresa conta com uma equipe profissional qualificada e  fornece o serviço completo para instalação de painéis fotovoltaicos, desde análise dos últimos 12 meses do consumo de energia elétrica pelo cliente até a manutenção de equipamentos já instalados.

O agricultor Irineu Lukavy conta porque escolheu a empresa para fazer seu sistema de geração de energia solar. “Eu sabia que tinham outras empresas que fazem instalação, mas eu optei pelo Taborda porque é daqui de Irati, a gente conhece e sabe que a hora que precisa sempre dão assistência, por isso que dei preferência para o serviço dele”, conta.

Antes de comercializar os painéis fotovoltaicos, a ClimaDek testou a eficiência na sede da empresa. “No caso da própria loja, o consumo era em média de R$ 700,00 por mês, com a produção de energia solar a tarifa passou para R$ 100,00 – valor composto pela taxa mínima de ligação, iluminação pública e o imposto de transmissão de energia”, relata o administrador da Nycolau Alves Taborda.

A ClimaDek dispõe de um kit completo para a instalação de energia solar que contém: placas que captam a energia do sol, estrutura para fixar no telhado ou no solo, cabeamento, conectores e inversor que faz a leitura da energia gerada, sendo que os principais objetos são as placas e o inversor.

“A ClimaDek mantém o foco em projetos de cidades próximas com no máximo 100 km de distância, para manter vínculo e qualidade no atendimento”, finaliza Taborda.

Serviço

A ClimaDek fica na Rua Zeferino Bittencourt, 786 - Centro de Irati. Interessados podem entrar em contato pelo (42) 3422-2191 ou (42) 99974-0911.

Texto: Cibele Bilovus

Fotos: ClimaDek; Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul; Cibele Bilovus/Hoje Centro Sul

Galeria de Fotos

COMENTÁRIOS