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09/11/2020

Polícia Científica usará Robô de DNA para elucidar casos de estupros

Polícia Científica usará Robô de DNA para elucidar casos de estupros

Uma nova tecnologia que será usada pela Polícia Científica do Paraná vai ajudar a elucidar os cerca de dois mil casos de crimes de estupros ocorridos no Estado e que ainda não foram solucionados. Trata-se da Plataforma de Automatização Starlet ID: um “robô” que acelera a extração de amostras dos materiais genéticos relacionados a crimes, otimizando tempo na obtenção de perfis genéticos dos possíveis autores. 

A tecnologia foi apresentada nesta quarta-feira (04), em Curitiba. O equipamento, que amplia a capacidade prática de exames de DNA do Laboratório de Genética Molecular Forense, foi doado pela Secretaria Nacional da Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ), devido ao fato de a Polícia Científica paranaense apresentar bons resultados a nível nacional e cumprir todos os requisitos exigidos. Isso coloca o Paraná  entre os seis estados, e o primeiro da região Sul, a contar com essa tecnologia contra o crime. 

O secretário Nacional de Segurança Pública, Carlos Renato Machado Paim, conta que a entrega do equipamento é fruto de uma parceria entre o governo federal e o governo estadual, em que o Paraná assumiu o compromisso de coletar DNA e inserir na Rede Integrada de Banco de Perfis Genético (RIBPG). “Isso é uma ação estruturante, que visa atingir todo país, para formar um grande banco de DNA e valorizar os profissionais. É incentivador ver as pessoas trabalhando com capacidade para desenvolver as suas atribuições”, disse ele.

A nova tecnologia possibilita fazer mais em menos tempo e isso é mais que importante para segurança pública como um todo, destaca o secretário estadual da Segurança Pública, coronel Romulo Marinho Soares. “Ainda mais ao Instituto Médico Legal e ao Instituto de Criminalística, que apontam fatos por meio da ciência. Poder contar com a automatização dentro do nosso Laboratório de Genética é mais um grande passo para transformarmos a Polícia Científica do Paraná em uma das melhores do Brasil”, afirmou o secretário.

O robô

Na prática, o robô permite que o DNA de mais de 80 amostras diferentes seja extraído, simultaneamente, no mesmo período que antes um único fragmento poderia ser processado. Com isso, a Polícia Científica visa analisar, em um ano, cerca de dois mil vestígios de crimes sexuais ocorridos no estado, cujas investigações ainda não puderam ser concluídas por não haver suspeitos para o confrontamento de DNA, de acordo com o diretor-geral da Polícia Científica do Paraná, Luiz Rodrigo Grochoki.

“A plataforma vai contribuir para a melhoria do processamento de amostras de vestígios de violência sexual no Paraná. Neste primeiro momento planejamos para cumprir a meta estipulada pelo Ministério da Justiça extrair amostras de DNA de vestígios de estupros e mapear milhares de perfis genéticos de autores”, explicou. “Muitos desses crimes seguem em investigação há anos por não ter o DNA de suspeitos para uma comparação. A Plataforma de Automatização pode mudar isso e esse é o nosso foco: dar uma resposta significativa à sociedade em relação a essas amostras”, disse o diretor-geral.

Com os perfis genéticos mapeados e incorporados à Rede Integrada de Banco de Perfis Genético, o autor do estupro poderá ser identificado, de maneira rápida, caso ele já tenha tido sua amostra de DNA colhida em outras situações ou estados.

Banco de Perfil Genético

A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) foi criada com o objetivo de manter, compartilhar e comparar perfis genéticos para ajudar na apuração criminal e no processo de investigação. Até a divulgação do último relatório, em maio de 2020, o Banco Nacional de Perfis Genéticos contava com mais de 82 mil perfis genéticos cadastrados, sendo mais de 5,4 mil mapeados pela Polícia Cientifica do Paraná. O dado coloca o estado na quinta colocação com a maior contribuição absoluta de perfis genéticos no Banco Nacional.

No Paraná, de acordo com o mesmo relatório, 65 coincidências de vestígios e nove coincidências de indivíduos confirmadas no Banco Nacional de Perfis Genéticos auxiliaram em investigações criminais no país, até maio de 2020.

Texto/Fotos: Agência Estadual

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