Pais e alunos das APAEs encaram dificuldades depois de mais de um ano longe das escolas

Por Redação 4 min de leitura

“A vida de muitos alunos tinha a base na escola, até mesmo para fazer refeições e higiene”, destaca o presidente da Apae de Irati, Fernando Amaral

Há mais de um ano sem ir para a escola devido à pandemia da Covid-19, os alunos matriculados nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) têm enfrentado várias dificuldades, pois o meio educacional é, sobretudo para estes alunos, uma porta para o mundo. Nas Apaes, eles têm acesso à educação, atendimento na área de saúde e assistência social – que são os três eixos de atuação das Apaes. Além disso, mantêm as interações sociais por meio do contato com colegas, professores e profissionais de saúde.

Fernando Ricardo Insaurriaga Amaral é presidente da Apae de Irati e pai do Fernando Mosele Amaral, que é aluno da instituição. Ele relata que a desigualdade social entre as famílias é um fator que altera visivelmente as condições em que os alunos vivem fora do ambiente escolar. A começar pelos meios de comunicação, que estão sendo a forma de manter contato com professores, pedagogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais que prestam atendimento nas Apaes.  Fernando conta que muitas famílias não têm condições de ter aparelhos como smartphones e tabletes, ou ainda, não sabem utilizá-los de maneira eficiente.

“Eu percebo, porque estou no grupo do meu filho. Vejo que têm pais que enviam respostas bem simples, não sabem usar muito as tecnologias, nesses casos a professora tem que tratar em particular com estas famílias, e nesse sentido o trabalho remoto está sendo muito bem feito pela equipe. Felizmente, meu filho está conseguindo se manter bem, mas nem todas as famílias conseguem”, comenta.

Ele destaca ainda que “a vida de muitos alunos tinha a base na escola, até mesmo para fazer refeições e higiene”. Por isto, os reflexos da pandemia foram mais intensos para as famílias com condições socioeconômicas desfavoráveis.  “Realmente, há casos bem complicados, de famílias que tivemos que pedir a orientação do Dr. Ladislao Obrzut Neto, que atende os alunos da Apae. Por passarem o dia inteiro dentro de casa, o estresse tomou conta dos pais e dos filhos”, relata o presidente da Apae de Irati. 

Nesses casos, alguns pais levavam os filhos para dar uma volta de carro na Apae Rural. Entretanto, devido ao agravamento da situação da pandemia, atualmente esses passeios estão suspensos.  Mas a ideia é que assim que possível essas famílias voltem a fazer visitas isoladas.

Antonia de Fátima Koblinski é mãe do Isaque Fernandes, que estuda na Apae de Fernandes Pinheiro. Ela descreve que não levar o filho para a escola é uma experiência muito diferente, pois além de ser mãe está no lugar do professor, e nesse momento ela se deparou mais ainda com a importância dos professores. “A gente participa, tenta fazer o melhor para que ele se sinta bem, pois com a pandemia o meu filho sente muita falta da escola, ele pergunta todos os dias se tem aula. Todos os dias o Isaque levava balas para as professoras. Ele faz as atividades em casa e eu aprendo com ele, mas sente muita falta da escola e eu não sou professora. Dá vontade que volte às aulas, mas com essa pandemia desse jeito não tem como, todos os alunos já têm a imunidade mais baixa e precisam de mais cuidados”, afirma Antonia.

José Carlos de Souza, mais conhecido por Juca, trabalha no transporte escolar de Irati há mais de 20 anos. Sempre prestou ser