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16/08/2021

Olímpiada de Astronomia leva alunos de Irati a se dedicarem ao estudo e a conquistarem medalhas

Aluno do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e também foi premiado por construir um foguete de garrafa pet

Olímpiada de Astronomia leva alunos de Irati a se dedicarem ao estudo e a conquistarem medalhas

Gostar de observar o céu, querer entender o universo, ter interesse por aprender.  Estes são alguns dos aspectos que unem estudantes do ensino fundamental e médio, premiados na 24ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). A competição é promovida pela Sociedade Astronômica Brasileira em parceria com a Agência Espacial Brasileira e teve vários medalhistas de escolas de Irati. 

 “Desde pequena eu sinto uma atração pelo céu, e sempre admirei as estrelas e a lua”, conta  a estudante do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças,  Maiara Gabriele Camargo Chula, que ganhou medalha de ouro. Além dela, outros 12 alunos da mesma escola também são medalhistas. Dentre eles, Davi Eugênio de Oliveira Borges, do 8º ano, ganhou medalha de prata e teve o irmão mais velho, Ryan, como inspiração.

Aluno do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira, o adolescente sente-se realizado em buscar conhecimentos. “As pessoas ficam muito focadas só na escola, acho que é preciso procurar coisas a mais”, afirma Ryan Demetrius de Oliveira Borges, que obteve medalha de ouro na  Olimpíada de Astronomia e foi único da região escolhido para participar das seletivas para  composição da equipe brasileira que disputará as Olimpíadas Internacionais de Astronomia.

“Todo ano eles divulgam a nota de corte. Eu já sabia que seria selecionado pela minha nota, mas não sabia que iria ganhar medalha de ouro. No dia da premiação eu fiquei vendo o site o dia todo”, relembra o aluno que teve nota 8,8 na prova deste ano e já havia obtido medalhas em outras edições da competição.

Além de estudar sobre os astros celestes, Ryan também aproveitou o tempo ocioso em casa junto com os pais, que a pandemia da Covid-19 proporcionou, para testar a fabricação de um foguete com material reciclável.

“Já tinha visto sobre foguetes de garrafa pet, mas no primeiro ano de pandemia estávamos sem fazer nada em casa, e eu, meu pai e minha mãe começamos a pesquisar e vimos que este foguete não era tão difícil de fazer. Aí, fizemos e conseguimos alcançar 193 metros de distância”, conta Ryan. Depois de vários ajustes, a experiência foi tão bem sucedida que o levou a conquistar outra medalha de ouro, desta vez na 15ª edição da Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG) Real e Virtual. O foguete foi construído com garrafas pet, PVC, cola e a combustão foi gerada por vinagre e bicarbonato de sódio.

Ao ver o irmão se destacando, Davi resolveu seguir o mesmo caminho. “Gosto de olimpíadas porque elas me ajudam a pensar. Quero continuar conquistando medalhas nas olimpíadas, entrar numa boa faculdade”, diz o aluno da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças. Ele já se imagina astrofísico e sonha em trabalhar na Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA).

Motivação para estudar

A participação de Olimpíadas motiva os alunos a estudarem mais do que o tempo regular.

“Estudei em torno de 4 horas por dia para me preparar para a olimpíada. Meus pais sempre me incentivaram”, conta Ryan. Ele ainda destaca o apoio dos professores, tanto no ensino fundamental, como do ensino médio para a sua participação e explica que a OBA o motiva.  “Eu me dedico mais para as olimpíadas, porque são diferentes das provas da escola, me desafiam mais”, contou Ryan.

A diretora do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira, Maria Amélia Inglês enfatiza que os jovens estudam além da carga horária quando determinam metas para alcançar. “Acho muito interessante quando os jovens trabalham com propostas de eles produzirem o conhecimento, transformam isto em um desafio que os tornam autodidatas, eles aprendem sozinhos. O fato de um jovem estudar além da carga horária já é uma vitória muito grande, sabemos que na pandemia muitos ficaram isolados, alguns tiveram depressão, foi um prejuízo por causa de não ter convívio social, mesmo assim, o Ryan achou formas de estudar sozinho para alcançar um objetivo. Esse projeto do foguete foi inovador porque muitos já tentaram, ele tinha uma meta a cumprir e conseguiu alcançar mais que a meta”, afirma Maria Amélia.

Maiara Gabriele, estudante da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças, que obteve a nota 8,2 Olimpíada relata que não há disciplinas sobre a Astronomia e Astronáutica no currículo escolar. A aluna do 9º ano conta que assiste vídeos na internet e estuda essa área separadamente.

Já Davi, aluno do 8º ano da mesma escola, relaciona este campo do conhecimento com as disciplinas normais da grade curricular. “Eu gosto muito de Matemática e ela está ligada diretamente à Astronomia, pois com ela foi possível descobrir padrões como: as quatro estações, os doze meses do ano, as vinte e quatro horas do dia, entre muitas outras descobertas e mistérios”, diz Davi.

José Carlos Reksua Batista dos Santos, aluno do 9º da mesma escola, ganhou medalha de bronze e acredita que a Astronomia é interessante e que há muito conhecimento a ser explorado.

Ele estuda o tema através de aplicativos, materiais da internet e ajuda dos amigos, que se interessam pelo mesmo assunto. “Com o ensino médio chegando quero estudar mais ainda para no futuro poder trabalhar na empresa da família, no ramo agrícola”, planeja.

Desafios e resultados

A participação espontânea dos alunos em busca de desafios é comentada pela diretora a diretora da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças, Alecsandra David. “O envolvimento responsável dos nossos alunos, em seu processo de escolarização, contribui para os resultados que a escola vem obtendo. Nossos 13 alunos medalhistas que participaram espontaneamente da OBA, com a orientação da professora de Ciências, são o reflexo do comprometimento de toda comunidade escolar”, frisou, Alecsandra.

A diretora do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira enfatiza também a importância da família no processo educacional e a qualidade das escolas públicas. “A escola sozinha não alcança tudo isso. Sem o incentivo da família não teríamos esse resultado. A família estando presente, o aluno vai se sentir seguro e a escola faz o seu papel que é inscrever e trabalhar os conteúdos. Isso mostra para os outros jovens que é possível. Conseguimos destruir essa mania de falar que escola pública não consegue, temos que mostrar que escola pública tem tanta qualidade quanto escola particular”, afirma Maria Amélia.

Rodrigo e Rose Borges, pais dos medalhistas de Ryan e Davi, acreditam que as escolas públicas oferecem aos filhos uma realidade social mais enriquecedora e várias oportunidades. “Essas competições abrem muitas portas para conseguir bolsas, a gente sabe que esse é o caminho para eles conseguirem estudar fora, porque pagar os estudos fora do Brasil não temos condições, então, precisamos viabilizar isso”, explica Rodrigo Borges.

Sonho de morar no exterior

Grande parte dos medalhistas da OBA sonha residir no exterior.

Ryan pensa em estudar nos Estados Unidos para depois retornar ao Brasil e contribuir na área da programação, desenvolvendo softwares e sistemas que facilitem o dia a dia das pessoas. “Quero contribuir com coisas que ampliem as possibilidades de melhorar o mundo de alguma forma”, diz.

Maiara Gabriele gosta de estudar idiomas e também sonha em residir no exterior. “Pretendo morar fora do país, mas se isso não for possível, gostaria de morar em alguma cidade grande, ter uma casa própria na cidade e uma casa de campo para passar os finais de semana”, diz a medalhista de ouro.

Pandemia

A pandemia levou muitos jovens a desanimarem em relação aos estudos. Dados divulgados pela Agência Estadual de Notícias apontam que em 23 de junho foram registrados quase 54 mil estudantes que não estavam assistindo às aulas nem realizando as atividades escolares. Em 2 de agosto, com o retorno presencial, esse número caiu para 22 mil.

Entretanto, mesmo com aulas remotas, a participação da Olimpíada motivou estudantes como  José Carlos Reksua Batista dos Santos.  “Como estou em casa me interessei em fazer a OBA quando foi proposta pela professora Mariângela. Meu pai era professor de geografia sempre, me incentivou a procurar novos conhecimentos e acho muito interessante a Astronomia”, afirma o aluno que recebeu medalha de Bronze.

As provas foram realizadas no fim de maio em quatro níveis: do 1º ao 3º, do 4º e 5º;  do 6º ao 9º ano do ensino fundamental;  e do ensino médio.

Medalhistas

A Escola Nossa Senhora das Graças teve 13 alunos medalhistas na 24ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), são eles:

-Ana Paula Martins Silveira - 8º B, medalha de prata;

- André Gadens - 9º D, medalha de bronze;

- Camila Beatriz Malinoski - 9º D, medalha de prata;

- Davi Eugênio de Oliveira Borges - 8º A, medalha de prata;

- Heloise Pereira da Cruz - 9º D, medalha de bronze;

- José Carlos Reksua Batista Dos Santos - 9º C, medalha de bronze;

- Lenin Fidel Scepanski Ribas - 8º A, medalha de prata;

- Lucas Mantovani Esposel - 9º C, medalha de prata;

- Maiara Gabriele Camargo Chula - 9º E, medalha de ouro;

- Nicoli Correia Palhano - 9º D, medalha de prata;

- Rafael Szereda - 7º D, medalha de bronze;

- Steffany Basniak - 9º E, medalha de prata;

- Yasmin Victória Esmanhotto Caetano - 8º A, medalha de prata.

Texto: Cibele Bilovus e Letícia Torres

Fotos: Arquivo Pessoal e Cibele Bilovus/Hoje Centro Sul

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