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Edição 1230 - Já nas bancas!
19/06/2020

O pico da pandemia de coronavírus já foi alcançado?

De acordo com o chefe da 4ª Regional de Saúde “este é um momento delicado da doença”. Os profissionais de saúde alertam para a necessidade de manter as medidas de isolamento social e os cuidados básicos para evitar a doença.

O pico da pandemia de coronavírus já foi alcançado?

Nos últimos dias, o aumento do número de pessoas infectadas pelo coronavírus no Paraná motivou o Conselho Regional de Medicina do Paraná e a Sociedade Brasileira de Infectologia a emitirem um alerta de que “o estado entra em sua semana mais crítica da pandemia causada pelo coronavírus”.  A 4ª Regional de Saúde reconhece a validade do alerta feito pelas entidades para os municípios da região Centro Sul.

“Este momento é um momento delicado da doença, nós estamos entrando no período de inverno, todos nós sabemos que no período de inverno aumentam-se as síndromes respiratórias, aumentam os problemas de doenças e este vírus é um vírus de síndrome respiratória, então a possibilidade dele afetar mais as pessoas, de nós termos este pico agora neste momento, é justa, é correta, é bem possível que a gente esteja neste momento de quase chegando no patamar, mas também a gente entende que houve um aumento de testes”, comenta o chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Henrique Trevisan.

O bioquímico do setor de Vigilância Epidemiológica da 4ª Regional, Acácio Renze explica que todos os municípios da região receberam os testes rápidos em quantidade suficiente para fazerem a testagem retroativa das pessoas que tiveram síndrome gripal desde o dia 11 de março e procuraram as unidades de saúde. “Está sendo liberado um quantitativo razoável [de testes] para eles fazerem, tem município que já fez todos os retroativos até”, comenta.

A enfermeira Cleusimara Tumasz, também do setor de Vigilância Epidemiológica da 4ª Regional, relata que as secretarias de saúde dos municípios vêm acompanhando pacientes com síndrome gripal leve, moderada ou aguda, desde o início da pandemia do novo coronavírus. Então, quando veio a orientação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) para fazer o teste rápido e identificar quem pode ter tido COVID-19 e não nem ter tomado conhecimento da doença, os municípios sabiam como proceder. “Todos estes casos de síndrome gripal eram notificados e acompanhados, então mesmo aqueles que já curaram, o município tinha informação. E a partir desta planilha foi entrando em contato com os pacientes e foi chamando para testagem”, comenta.   A enfermeira refere-se à planilha com os nomes das pessoas que procuraram as unidades de saúde devido à gripe desde março.

Isso explica o fato de muitos casos aparecerem já como curados na mesma data em que entram nos boletins divulgados pelas prefeituras da região. “Não são só casos atuais, são casos que já tiveram os sintomas de síndrome gripal, curou, e foram testados novamente”, reitera Acácio. E ele acrescenta que esta ampliação da testagem também é um dos motivos para o  número de casos estar aumentando.

Quanto à adição como “caso confirmado” no boletim oficial da SESA dos pacientes que realizaram o teste rápido e os resultados foram positivos, Acácio esclarece que pode demorar alguns dias. Isso porque para que o registro ocorra, toda a documentação tem que chegar até a central e ser processada. Enquanto isso, os municípios têm os dados em tempo real, por isso, ocorrem algumas divergências entre os números do Estado e dos municípios.

O chefe da 4ª Regional de Saúde explica o porquê desta testagem retroativa (testes rápidos), que identifica pacientes curados. “Isso para nós é importante que aconteça para que a gente tenha um desenho epidemiológico da circulação do vírus na nossa região. E isso é importante dizer que a epidemiologia tem feito com muita propriedade. Esse trabalho de todos os técnicos é que vai garantir a segurança para a população”, argumenta Walter.

Mesmo assim, os técnicos da Vigilância Epidemiológica sabem que nem todas as pessoas que tiveram síndrome gripal nos últimos meses procuraram uma unidade de saúde. Por isso, nem todos que já tiveram COVID-19 em suas formas mais leves constam nas estatísticas.

Quando procurar atendimento

Atualmente, todas as pessoas que apresentarem sintomas de síndrome gripal devem ser testadas, com o teste laboratorial. A enfermeira Cleusimara Tumasz orienta: “A partir do momento que apresentou sintomas gripais já deve procurar atendimento, até para ser testado dentro deste período de sintoma agudo e para já fazer o isolamento domiciliar para que não se propague o vírus”.

Segundo ela, todos os municípios que fazem parte da 4ª Regional de Saúde estão bem estruturados e priorizam o atendimento a pacientes com síndrome gripal em suas unidades de saúde, ou seja, quando a pessoa chega com sintomas já é encaminhada para um atendimento mais rápido.

“Tosse, dor de garganta, coriza, dor de cabeça, dor no corpo estes são os sintomas mais frequentes que a gente tem visto. Então a partir destes sintomas já procurar atendimento”, diz.

Isso é necessário para que o acompanhamento médico tenha início antes que a doença seja grave, segundo a enfermeira. “A gente não pode ter a falsa sensação de tranquilidade, temos que estar vigilantes sempre sim e sempre atentos aos sintomas, procurar atendimento quando tem sintomas, não esperar o agravamento para ir procurar um serviço de saúde, porque a gente sabe que principalmente aquelas pessoas que tem comorbidades (doenças crônicas como diabete, asma) estão adoecendo e estão precisando ficar hospitalizadas”, comenta Cleusimara.

Mentiras nas redes sociais

A 4ª Regional de Saúde divulga apenas as informações já confirmadas sobre a COVID-19. Sempre aguarda que saiam os resultados de exames, inclusive para a divulgação de óbitos em virtude da doença.  Os hospitais de referência para o atendimento à pacientes graves estão localizados em Ponta Grossa, União da Vitória e Campo Largo. Nestes locais, podem ocorrer óbitos, mas em cada caso é necessária a confirmação se o óbito em que se suspeita de COVID-19 foi devido à doença ou não. 

Isso aconteceu em relação a um caso de Mallet, em que um paciente que já era considerado curado da COVID-19, tempos depois voltou a ser internado em um hospital de União da Vitória, faleceu, e até o fechamento desta edição ainda não havia confirmação sobre a causa da morte. 

Diante disso, o chefe da 4ª Regional de Saúde pede que as pessoas sejam mais ponderadas nas redes sociais. “Muitas vezes, as pessoas colocam muita coisa no facebook, muitas coisas que são inverdades, e isso prejudica o trabalho dos técnicos. Então nós pedimos que não se coloquem coisas num momento tão delicado usando uma doença para se brincar ou para se colocar em dúvida o nosso trabalho, a nossa informação. Pedimos um pouco de paciência, porque não estamos escondendo nada, há uma transparência por parte de todos os técnicos e por parte do Estado, e nunca nós vamos deixar de informar a população daquilo que é importante”, finaliza Walter Trevisan.

Precaução e prevenção

Passados vários meses desde o início da pandemia, em março, a principal recomendação dos profissionais de saúde é para que as pessoas continuem cumprindo as medidas de prevenção.

De acordo com o chefe da 4ª Regional de Saúde a precaução e a prevenção são imprescindíveis.

“Não precisa sair de casa, não saia. Não faça festa, não junte pessoas, todo mundo gosta de juntar a família nesses feriados, não é o momento. É o momento de todo mundo se reservar o máximo possível, até nós passarmos o período de julho, que é onde nós acreditamos que daí a gente já estará tentando resgatar a normalidade no mês de agosto, setembro”, enfatiza Walter Trevisan. 

Ele frisa que o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, tem solicitado que a população cumpra o seu papel, assuma a responsabilidade para que o lockdown (fechamento total) seja evitado.

O chefe da 4ª Regional lembra que caso a população não cumpra o isolamento social e as demais medidas preventivas como uso de máscaras, lavagem constante das mãos, uso do álcool em gel, os efeitos de um possível lockdown podem prejudicar a todos. 

“O prejuízo econômico é um desastre muito grande para toda população e isso vai afetar na saúde também, então a gente não pode deixar que chegue neste ponto, por isso a responsabilidade é de todos, não dá para relaxar”, finaliza.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Imagem: Agência Estadual