Ninguém está preparado para perder alguém que ama. Mas como lidar com a ausência?

Por Redação 3 min de leitura

Karine de Oliveira, enfermeira na Santa Casa de Irati, tem entre as suas funções, uma tarefa difícil, dar a notícia da morte de pacientes aos familiares.  Segundo ela, o processo se mantém doloroso a cada ocorrência.

“Estar responsável pela comunicação de morte de um paciente é o maior desafio de nossa profissão, pois fazemos tudo o que é possível para que a vida seja preservada, seja mantida, e perder um paciente acaba gerando frustração. O luto é singular e de cada um, ou seja, todos demonstram a dor de uma maneira diferente. Não existe uma estratégia formulada para lidar com a morte, pois cada um tem uma história e uma forma diferente de lidar com a morte”, explica.

Mesmo com a vasta experiência adquirida na profissão, Karine destaca que, no momento da perda, as reações podem variar consideravelmente, podendo até mesmo dar origem a desentendimentos entre os próprios familiares. “Lidar com a morte não é uma tarefa fácil, visto que nunca estamos preparados totalmente nem para receber nem para dar a notícia de morte. Perder alguém gera dor, ansiedade, gera raiva, gera sentimentos que ninguém consegue decifrar. A comunicação da morte é um ato médico, porém, a equipe multidisciplinar realiza o acolhimento, oferecendo apoio emocional e muitas vezes gerenciando conflitos gerados entre os próprios familiares”, detalha.

Ana Claudia Ferreira de Andrade é assistente social na Santa Casa de Irati. Ela ressalta a importância da empatia, do respeito e do acolhimento ao comunicar uma notícia que ninguém espera receber. “Acreditamos que mesmo diante de todo o sofrimento e tristeza vivenciado pela família que perdeu o ente querido, nossa equipe sempre estará disposta a acolher, orientar, oferecer tudo que possa amenizar o sofrimento neste momento, executando de forma eficaz todo o processo advindo do óbito. Lembrando que todo paciente é o amor da vida de alguém. Temos que dar atenção e aconchego através de um abraço, de um carinho ou apenas estar ali ao lado do familiar”, explica.

Edmilson José Feira Júnior atua na funerária que sua família estabeleceu há 38 anos. Embora esteja familiarizado com a rotina, ele destaca que, acima de tudo, a prioridade em sua profissão é o respeito pelo ser humano e pela família. “Tem que saber como tratar no momento difícil, ninguém quer passar por aquilo. A pessoa entra num lugar para comprar um produto que ela jamais queria comprar. A gente tem que primeiro se pôr no lugar da família, tratar com dignidade e respeito. Por mais que a pessoa morreu, teve uma história por trás, então tem que ter total respeito pela família, ouvir primeiro o que eles querem, o que seja feito”, relata.

Ele acredita que ninguém de fato está preparado para perder alguém que ama. “A partir do momento que a gente nasce, a gente já sabe que a única certeza é a morte. É difícil, não digo que todo mundo vai conseguir, eu posso falar que eu estou pronto, mas vai chegar o momento que posso não estar preparado para uma perda. Eu sempre digo, a gente não gosta de perder. O ser humano já nasce com o instinto de sobrevivência, então a gente quer sempre ganhar, perder jamais. E perder um ente querido é muito complicado”, comenta.

Embora seja um período difícil para as famílias e uma situação que ninguém deseje enfrentar, Edmi