“Não engula o choro”, denuncie a violência
Lançada no mês de maio pelo Governo do Paraná, a campanha “Não engula o choro” teve grande repercussão nacional. A campanha estimula crianças e adolescentes que sofreram ou sofrem algum tipo de violência a não se calarem e buscarem alguém de confiança para desabafar.
Um dos objetivos da campanha é reduzir a subnotificação, através do incentivo para que a população denuncie esses crimes. A subnotificação dos crimes de abuso sexual e orientações para os pais de como agir para proteger seus filhos foram abordados na reportagem de capa da edição Nº 1053 do Hoje Centro Sul na semana passada, no dia 08 de junho. A reportagem apurou que foram registrados 12 casos de abuso sexual na região da 8ª Companhia de Polícia Militar entre 2017 e 2018. Entretanto o Conselho Tutelar alertou que ainda existe o receio das pessoas em denunciar, sobretudo porque na maioria dos casos, os agressores costumam ser pessoas próximas das famílias das vítimas. Por isso, a subnotificação.
A campanha “Não engula o choro”tem estimulado a discussão sobre abuso sexual e também de outros tipos de violência sofridas por crianças e adolescentes.
Conforme dados do Ministério da Saúde, as quatro principais formas de violência contra crianças e adolescentes são a negligência ou abandono; e violências física, psicológica ou moral e sexual. Levantamento das fichas de notificação pelos serviços de saúde, de 2010 a 2014, indicaram 35.479 casos. Desse total, 37,6% refere-se a negligência; 29,4% a violência física; 17,9% a psicológica; e 15,1% a sexual. A negligência responde pela maioria das notificações para crianças até 12 anos e, a partir de então até os 19 anos, é a violência física que predomina.
O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança do Adolescente (Cedca), Alann Bento, enfatiza que as violências não escolhem classe social. “Não é possível afirmar que os abusos físicos, sexuais ou psicológicos ocorrem mais em famílias de baixo poder aquisitivo. Mas, independentemente da condição financeira, o sofrimento é o mesmo, assim como o mal causado ao desenvolvimento saudável da criança e do adolescente”, afirmou.
No Paraná as denúncias de violações de direitos podem ser feitas pelo telefone 181.
Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

