Municípios não sabem quantas pessoas perderam emprego ou renda com a pandemia

Por Redação 3 min de leitura

Faltam informações sobre quem são as pessoas que precisam de ajuda. O sistema nacional de dados, por município, relativo ao emprego e desemprego, Caged, está desatualizado.

Não há dados oficiais sobre o impacto econômico do coronavírus na vida dos moradores de Irati e da região. Quem são os iratienses que tiveram seus empregos e sua renda afetados pela pandemia? Quantas são estas pessoas? Quantos microempreendedores individuais (MEIs) foram atendidos com o Auxílio Emergencial? Quantos trabalhadores autônomos, informais? Qual o número total de Auxílios Emergenciais pagos pela agência da Caixa Econômica de Irati? Qual foi o percentual de aumento no número de demissões no município?Nenhuma destas perguntas tem resposta.

Ministério da Cidadania, Caixa Econômica Federal, Secretaria Municipal de Assistência Social e Agência do Trabalhador foram procurados, mas não há informações concretas.  A Secretaria de Assistência Social e o Ministério da Cidadania têm o número de pessoas que fazem parte do Cadastro Único e que, por isso, recebem o Auxílio Emergencial. Ao todo, 4.154 famílias de Irati integrantes do Cadastro Único receberam a primeira parcela Auxílio Emergencial, no valor de R$ 600,00 ou R$ 1.200,00. Destas famílias, 2.674 estão inscritas no programa Bolsa Família.

Os demais beneficiados pelo Auxílio Emergencial, como trabalhadores informais, autônomos, microempreendedores e desempregados não estão incluídos neste público. A secretária municipal de Assistência Social, Sybil Dietrich, já solicitou que estas informações sejam disponibilizadas ao Município.  “Eu fiz o pedido para a Caixa Econômica, para eles nos enviarem quem são estas famílias que pediram o Auxílio Emergencial para a gente poder pautar as nossas ações. Eles ainda não me passaram”, relata a secretária.

Sybil comenta que o setor Assistência Social não dispõe de profissionais em número suficiente, nem de estratégias para mapear todas estas pessoas. Ela cita que o próprio governo federal não tinha estas informações.  “Eles mesmos não tinham, porque eles tinham cogitado um número x, mas foi bem maior a procura”, diz.  

Quanto ao índice de desemprego, o Ministério do Trabalho deixou de atualizar desde dezembro do ano passado os dados de admissões e demissões de pessoas, por município, no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nesta semana, na quarta-feira (27),  foram disponibilizadas apenas algumas informações nacionais e estaduais no Caged.  No Brasil, na comparação entre os meses de janeiro a abril de 2019 com o mesmo período em 2020, o número de demissões aumentou 10,5% e o número de admissões caiu 9,6%. Não foi divulgada a comparação dos primeiros quadrimestres de 2019 e de 2020 por Estado.

Em relação aos municípios, não há informações. “O governo federal não tem alimentado uma plataforma que é pública e de importância para que nós tenhamos dados, que é o Caged. A última alimentação do Caged foi em dezembro de 2019 e aí nós não temos acesso a estas informações”, explica o chefe da Agência do Trabalhador de Irati, Marcelo de Ávila Francos. Segundo ele, é a partir dos dados lançados no Caged que a Agência do Trabalhador tem o perfil de cada município.

Sem acesso às informações oficiais, Marcelo faz uma estimativa do desemprego e