Mulheres são destaque no comando de veículos pesados
Profissões que até poucos anos eram consideradas exclusivamente masculinas atualmente tem mulheres desempenhando. E isso acontece mesmo no interior, em cidades como Irati ou Rebouças.
Fabiula Candeo é motorista de ônibus escolar no Município de Rebouças há cinco anos. Ela assumiu o cargo na Secretaria de Educação quando tinha apenas 22 anos. “Antes de assumir aqui, eu era instrutora de autoescola. Em 2014 teve um concurso, disputei com 200 candidatos, entre eles fiquei em quarto lugar. A única mulher. Em 2015 fomos chamados e eu assumi o cargo”, conta.
Maria Eluiza Jeczmionski também é motorista de ônibus, mas em uma construtora que realiza obras no Município de Irati, a Triunfo. Ela trocou radicalmente de profissão para seguir um sonho de criança. “Sou motorista do ônibus, encarregada de levar o pessoal para as frentes de trabalho. Iniciei a profissão agora, faz cinco meses. Fiz o teste para ser motorista e passei. Foi uma reviravolta na minha vida, fui cabelereira durante 22 anos e cansei da profissão. Depois trabalhei fazendo marmita e cozinha profissional. E sempre tive vontade de trabalhar dirigindo, meu falecido pai era caminhoneiro e toda vida dirigia. Me criei em um ambiente vendo o pai sair e viajar, já era uma vontade de infância”, explica.
Cecilia Gil trabalha operando máquinas rodoviárias, na mesma empresa que Maria Eluiza. “Sou operadora de retroescavadeira. Já trabalhava com retroescavadeira há 15 anos, particular. Entrei aqui na firma faz cinco meses. Como me separei do marido, fiquei sem as máquinas. Tive que procurar outro emprego. Essa profissão foi o que me apareceu e me adaptei bem”, conta.
A aceitação
Nessas profissões consideradas por muitos como de domínio dos homens, podem ocorrer preconceito e desconfiança quando se tem uma mulher à frente do trabalho.
“No começo não foi fácil, porque as pessoas não aceitam tão bem quanto um homem dirigindo um ônibus escolar. Para as pessoas uma van até seria normal, mas como era ônibus escolar da Prefeitura, teve um certo alvoroço na cidade para saber quem era, o que fazia, e na época eu tinha 22 anos. Passava na rua com o ônibus e lia no lábio das pessoas falando nossa é uma mulher. Por ser uma cidade pequena, para as pessoas era bem diferente. Tinha muita desconfiança, fizeram até alguns bolões para ver quanto tempo eu ficaria”, conta Fabiula.
Ela relata que apesar da desconfiança inicial, atualmente seu ambiente de trabalho é muito bom. “Somos em 10 motoristas do transporte escolar, sendo eu a única mulher e o tratamento é muito bom, eles não me tratam de forma diferente por ser mulher, eu acompanho eles e o que preciso eles estão sempre me ajudando”, diz.
Quem também sofreu com o preconceito foi a operadora de retroescavadeira. “As pessoas não confiam na mulher até hoje, não na firma, mas a população. Acha que já vai bater, já vai derrubar e quebrar. Foi muito difícil para mim. Sofri bastante preconceito e até hoje ainda tem. Teve uma vez que cheguei para fazer o serviço e a pessoa disse ‘nossa você que veio fazer’, achando que eu não conseguiria, mas fiz e depois no final a pessoa até pediu desculpas, já teve vários casos assim”, lembra Cecilia.
Maria Eluiza cita a reação das demais mulheres ao vê-la dirigindo o ônibus de transport

