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05/07/2021

Iraty perde sócios e tenta se manter durante pandemia

Perda de sócios tem dificultado a vida financeira de clube que já possuía muitas dívidas. Além do Iraty, outros setores esportivos também têm dificuldades durante a pandemia

Iraty perde sócios e tenta se manter durante pandemia

O Iraty Sport Club tem sido atingido drasticamente com a pandemia. O clube já possuía uma vida financeira complicada, com dívidas de gestões passadas, mas as medidas preventivas de distanciamento social, feitas para evitar maior contaminação de Covid-19, inviabilizam as atividades do clube que agora vê a perda de sócios. No entanto, o clube não é o único afetado pela pandemia. Outros setores que possuem campeonatos amadores no interior, como o futsal, têm sentido a dificuldade de sobreviver financeiramente durante a pandemia.

O presidente do Iraty Sport Club, Odair Sérgio Marochi Filho, conta que ainda não é possível dizer exatamente quanto foi a perda de arrecadação do clube, mas ele estima que tenha baixado aproximadamente 50% do que era, devido aos sócios que deixaram de contribuir. “Apenas após a estabilização da situação que a gente vai poder apurar quem vai colocar em dia as mensalidades que não estão sendo pagas e quem realmente vai optar pelo desligamento do clube. Em alguns casos, em alguns convênios que o clube possui, em que é feito o desconto da mensalidade, já há inclusive pedido de desligamento formal dessas pessoas”, disse.

Além do futebol, o clube também possui uma parte social que tem sido afetada. No momento, os espaços não podem ser abertos aos sócios, e os funcionários trabalham de forma escalonada para continuar com a manutenção da infraestrutura, como as piscinas e dependências.

A perda de sócios e o atraso das mensalidades tem afetado o clube, que já estava em situação desfavorável.  “Já era uma situação muito delicada e complicada do Iraty, em virtude das dívidas anteriores que o clube possuía. Em virtude dos decretos, em virtude da própria pandemia, a situação ficou muito complicada mesmo. A arrecadação cai, poucos sócios mantêm em dia a mensalidade porque eles não podem utilizar do serviço e também por ser a atividade menos essencial no cotidiano de uma família, o lazer”, explica.

Contudo, apesar das dificuldades, o clube conseguiu no final do ano passado firmar uma parceria com uma empresa de ex-atletas que estão gerenciando a parte de futebol.  A empresa Soccer Academy G4 é formada por quatro ex-jogadores do Azulão: Marco Antonio, Leandro Carvalho (Polaco), Sandro Cabral e Augusto Leonel (Nelinho). Além da gestão de categorias de base, a empresa tem objetivo de preparar e montar equipe profissional para disputar o Campeonato Paranaense de Futebol.

Para o presidente, essa parceria tem salvado o clube. “Nessa parceria foi elaborado um contrato de arrendamento das dependências para essa empresa, mediante a contraprestação de pagamento mensal. Esse pagamento realmente traz um benefício maior do que o próprio clube estar explorando essas atividades no momento”, diz Marochi Filho.

O contrato também estabelece que a empresa cuide da manutenção dos espaços relacionado ao futebol. Assim, os vestiários já foram reformados e a Soccer Academy G4 tem cuidado da pintura do estádio e da manutenção do campo. “Além de ter um retorno financeiro com o arrendamento, o clube deixa de ter o gasto com a manutenção desta parte”, destaca o presidente.

Marochi Filho explica que a parceria com a empresa tem trazido mais vantagem, especialmente quando há liberação das atividades esportivas. “Em alguns períodos, as atividades esportivas acabam sendo liberadas, então o pessoal está fazendo o trabalho de treinamento de atleta - que este é o objetivo da empresa, treinamento de atletas com alto rendimento - quando não está vedado a utilização. Então o clube consegue ter um retorno financeiro pelo menos mais vantajoso do que a exploração pelo próprio clube, que não tem pessoal suficiente para cuidar dessa situação. Isso acabou sendo discutido em reunião com a diretoria, o que é mais viável e vantajoso para o clube, uma vez que estão trabalhando de forma séria e dedicada”, relata.

Para o presidente, mesmo que não tivesse pandemia, a terceirização é a forma de garantir a continuidade do futebol no Iraty. “Acredito que até seria a única solução, seria você fazer essa terceirização, mas para pessoas realmente sérias, como eu disse. Essa parceria está acontecendo com a empresa com CNPJ, não é apenas um mero empresário que vem e explora a atividade esportiva e leva os lucros da cidade. A empresa constituiu aqui, ela tem a intenção de realmente fincar os pés na cidade como uma parceira do clube, mas a utilização do Iraty, do ente federado, é o clube. É o Iraty Spor Club, não é a empresa”, disse.

Pandemia e competições

Os planos do clube para esse ano tiveram que ficar pausados com a volta das medidas restritivas mais intensas. Segundo Marochi Filho já havia conversações com a Federação Paranaense de Futebol para conseguir quitar os débitos e ingressar no campeonato estadual. “Já estava em negociação para fazermos um parcelamento dos débitos junto à Federação para podermos disputar uma divisão de base e a série C, que é obrigatório ter esse formato. Não dá para só disputar o campeonato de base ou só disputar o campeonato profissional. Você tem que disputar os dois concomitantes, pelo menos com uma equipe na base para então disputar o profissional”, disse.

Mas a terceira onda de Covid-19 fez com que as medidas restritivas voltassem a ser mais rigorosas, impedindo os planos. “A perspectiva era de a gente estar trabalhando e participando das competições que a Federação estava organizando. Depois disso, estamos com a decisão um pouco incerta, em virtude de não sabermos como essa atividade esportiva no município vai poder se portar”, contou.

A preocupação atual do clube é não perder mais sócios para não prejudicar a situação financeira. “É um clamor que o clube pede que as pessoas acabem não abandonando, sabemos que não é fácil nesse momento. É o serviço menos essencial hoje, é o lazer, mas uma hora isso vai ter que passar, e na hora que passar, o clube não pode estar com as portas fechadas. O clube precisa dessa sobrevida e é somente o sócio que pode dar continuidade para as atividades do clube”, solicita o presidente.

Campeonatos amadores afetados

Outros segmentos esportivos também têm dificuldades durante a pandemia. O secretário de Esportes de Irati, André Demczuk, explica que os campeonatos amadores têm sentido o impacto da paralisação das atividades. “Nos esportes amadores, a repercussão é grande porque o fator de ter torcida, ter gente nos ginásios é o principal instrumento de entrada de recursos junto com alguns patrocínios”, destaca.

O secretário acrescenta que os times amadores costumam não ter altos patrocínios, por isso o impacto da falta de público é alto para as equipes. “Porque cidades pequenas não têm patrocinadores tão altos, empresas com investimentos muito altos, então o pessoal no ginásio, é o que gira bastante dinheiro”, conta.

O secretário explica que todos os campeonatos do interior estão paralisados no momento. “Quando houver uma diminuição significativa no número de infectados e for liberado, todos os campeonatos irão retornar”, explica Demczuk. No entanto, durante esses períodos de paralisação, a Secretaria de Esportes tem buscado encontrar maneiras de auxiliar outros setores esportivos que também foram atingidos.

A pasta chegou até tentar organizar um campeonato on-line, mas teve dificuldades com a continuidade dele. “Devido à pouca procura não realizamos a Liga do Cartola, visto que alguns os participantes não eram Pró – tem custo anual para se tornar pró –, por esse motivo eles poderiam apenas participar de uma única liga”, relata.

Esporte sem contato

Mas nos breves momentos em que as medidas restritivas flexibilizaram, a pasta conseguiu trazer soluções para que os campeonatos não parassem. Um deles foi o Circuito de Habilidades, onde os atletas competiram mostrando suas habilidades, como chute a gol e arremesso.

“Durante os primeiros meses do ano, a Secretaria de Esportes  organizou o 1º Circuito Iratiense de Habilidades com o objetivo da participação presencial dos interessados dentro de várias modalidades ofertadas (futsal – chute a gol, vôlei – torneio de saque, basquete – lance livre e arremesso de 3 pontos, MTB e corrida de rua – 5km) sempre respeitando os protocolos e medidas vigentes para o combate da Covid-19, inclusive sem a disputa direta com contato físico e tampouco a troca de materiais”, conta o secretário.

As competições foram transmitidas na página do Facebook da Secretaria de Esportes.O resultado deu tão certo que a pasta abriu inscrições novamente em maio para mais modalidades. “No mês de maio, abrimos as inscrições para outras modalidades (bocha, skate, rolimã, tênis de mesa e basquete – torneio de garrafão), porém com o aumento de casos na cidade, prorrogamos as inscrições ainda sem datas definidas para a realização das competições”, disse.

Apesar da interrupção das programações, as inscrições trouxeram um resultado positivo. “As inscrições para todas as modalidades que já encerraram tinham o custo de 5kg de alimentos não perecíveis, resultando em uma arrecadação de mais de 3 toneladas de alimentos, transformados em 150 cestas básicas. A etapa de modalidades que ainda estão no período de inscrições será efetivada com a doação de 5 kg de ração animal, em uma parceria com a ONG SOS Amigo Bicho e também com o pet shop Bichos & Caprichos”, destacou.

Com campeonatos paralisados e inscrições prorrogadas, a expectativa é que as programações da Secretaria de Esportes possam ser retomadas. “A expectativa é de que até o próximo mês de julho, a grande maioria da população esteja vacinada e que a gente possa retomar as competições tradicionais e reativar todos os projetos do município, além de outros que temos avaliado a possibilidade de abertura, mas não deixando de lado todos os cuidados necessários para continuar evitando a proliferação do coronavírus”, afirmou Demczuk.

Saídas

Apesar das dificuldades que clubes e setores esportivos têm encontrado no caminho, há saídas para que a situação não fique difícil.

Segundo o especialista em marketing e coordenador de cursos de Marketing da Uninter, Achiles Junior, a saída será tentar atender a demanda reprimida dos torcedores, que não estão podendo ir aos clubes. “Mesmo que pareça algo fora da realidade, a palavra de ordem é inovação, como uma inevitável adaptação ao novo cenário caótico para setor. Logicamente, estamos sem público nos estádios e isso afeta de forma gigantesca a arrecadação, principalmente dos times de interior, deixa também de movimentar a economia local, porém vale pensar em inovação e pensar de forma diferente, tirando sim leite de pedra, mas também tirando grandes ensinamentos”, sugere.

Ele destaca que entre as ações está a utilização de namming rigths, quando o clube concede a propriedade nominal de um determinado local a uma marca, além de eventos de arrecadação. “São consideradas saídas pontuais para o momento: ações e campanhas com apelo emocional que liguem ainda mais o torcedor ao clube, estratégia de namming rigths, otimização dos espaços para transmissão de eventos virtuais, campanhas pontuais como arrecadação de fundos para time da cidade, promoção e parceria com equipamentos esportivos, parceria com supermercados para alimentação e manutenção nutricional dos atletas, parcerias com instituições de ensino superior com abertura de trabalho voluntário para cada curso relacionado as necessidades do clube esportivo, vendas antecipadas de eventos e jogos futuros, parcerias com comércio local de uma forma geral, como por exemplo farmácias, promoção de eventos on-line são exemplos de saídas para movimentação nesse momento de pandemia e isolamento social”, disse.

Para o secretário de Esportes de Irati, André Demczuk, apesar das diversas ações que podem ser feitas ainda há esperança para que as competições voltem à normalidade. “É um momento que o esporte está pedindo socorro de modo geral porque os empresários estão cada vez investindo menos e o esporte está parado, as competições locais uma boa parte estão paradas, e aos poucos a gente espera que vá voltando. Esperamos que em um ou dois meses as coisas se normalizem mais e aos poucos vejamos os estádios, os ginásios com os torcedores”, relata.

Texto: Karin Franco

Fotos: Divulgação 

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