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29/07/2021

Iraty disputará 3ª divisão do Campeonato Paranaense

Clube confirmou participação no arbitral da competição após quitar dívida de R$ 120 mil com a Federação Paranaense de Futebol com ajuda de investidores

Iraty disputará 3ª divisão do Campeonato Paranaense

O Iraty Sport Club vai retomar as atividades do futebol profissional. Na terça-feira, 27, o clube confirmou que vai participar da 3ª divisão do Campeonato Paranaense neste ano. O arbitral que definirá o regulamento e fórmula de disputa da competição será realizado na sexta-feira, 30, às 15h, por meio de uma videoconferência na plataforma zoom.

Para disputar o estadual, a diretoria do Azulão precisou quitar uma dívida de R$ 120 mil que o clube possuía com a Federação Paranaense de Futebol (FPF). Desse valor, segundo o presidente do Iraty, Odair Sérgio Marochi Filho, R$ 83 mil era referente a um parcelamento de dívidas feito em 2018 que não foi pago e ficou em aberto, além de multas aplicadas em 2019, quando o time disputou a segunda divisão do Paranaense e acabou sendo rebaixado sem uma única vitória. Esse montante precisou ser pago junto ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD/PR), conforme Odair. Mais R$ 37 mil foram pagos para a FPF, sendo R$ 25 mil de multas consolidadas de 2019 de ex-gestores do clube e R$ 12 mil referentes as taxas da entidade dos anos de 2020 e 2021, quando o Azulão já era comandado pela atual diretoria.

Em entrevista à Najuá, o presidente do Iraty disse que alguns investidores ajudaram a quitar o valor total da dívida sem necessidade de parcelamento. Os nomes das pessoas que auxiliaram a realizar o pagamento não foram revelados. “[O clube] quitou 120 mil na Federação de débitos dos anos anteriores, multas que os gestores passados deixaram de herança para o clube. A gente fez o pagamento e conseguiu a inscrição para o arbitral que ocorrerá dia 30”, afirmou Odair.

Um empresário de São José dos Pinhais, que possui investimentos em seu município de origem e também em Inácio Martins, se dispôs de ajudar e já visitou as instalações do Iraty no sábado, 24. De acordo com Odair, o empresário tem interesse de contribuir com a chegada de atletas para formar o elenco.

“Temos que postar e investir no que a gente acredita que seja um caminho viável para quitação das dívidas do clube. O futebol ele acaba proporcionando o pagamento de dívidas com um fluxo de dinheiro, um exemplo é o Foz do Iguaçu, a venda [do jogador Pepê] deixou as burras cheias de dinheiro. Será o principal oponente e favorito da terceira divisão, o Foz. Ele está com o dinheiro vasando dos cofres. Mais de 30 milhões pelo que soubemos dos comentários”, relatou o presidente do Azulão. Odair se referiu ao atacante Pepê, que foi revelado pelo Foz do Iguaçu e estava jogando no Grêmio. Ele foi vendido para o Porto, de Portugal, por 15 milhões de euros, valor próximo de R$ 100 milhões. Pela negociação, o Foz deve receber R$ 29,4 milhões referentes aos 30% dos direitos econômicos do jogador e R$ 981 mil pelo mecanismo de solidariedade da Fifa, que concede um percentual do valor da venda ao clube formador.

Odair ainda não sabe se a participação do Iraty na 3ª divisão obriga o time a disputar uma competição de base neste ano. Essa exigência faz parte do regulamento de competições da FPF há vários anos. No entanto, o presidente do Azulão deverá receber um posicionamento sobre o assunto durante o arbitral de sexta-feira. Apesar disso, Odair acredita que isso não será um empecilho para retomada das atividades do futebol profissional graças à parceria realizada com a empresa Soccer Academy G4, que está administrando as categorias de base do clube. Com isso, entre 80 e 90 atletas estão treinando no estádio Coronel Emílio Gomes para disputa de competições Sub-15, Sub-17 e Sub-19. Atualmente, esses jovens estão disputando competições em Curitiba e Região Metropolitana e também recebendo times para jogos em Irati.

Para Odair, o clube precisará realizar contratações pontuais para não prejudicar o trabalho a longo prazo das categorias de base. Ou seja, a ideia não é utilizar todos os meninos da base no time profissional.

O presidente do Iraty também revelou que o Azulão era obrigado a participar das competições oficiais da FPF neste ano. Se isso não ocorrer, o clube terá que solicitar o seu licenciamento. Desta forma, o time só poderia retornar as atividades em 2022 se efetuasse o pagamento de uma taxa da Federação. “Aí ficaria inviável demais. Esse valor de R$ 120 mil dobraria, então ficaria mais custoso para pagamento”, avalia Odair.

No entendimento da diretoria do Iraty, a retomada do futebol profissional é um anseio da população, que está acreditando no projeto e na metodologia de trabalho da empresa Soccer Academy G4, que está cumprindo seu papel de zelar e revitalizar a sede esportiva do Azulão.

Odair diz que o clube conta com o auxílio dos empresários para viabilizar a participação na 3ª divisão, já que haverá custos com o pagamento de salário de atletas, encargos, taxas de arbitragens e gastos com viagens. “Tudo precisa de planejamento e apoio do empresariado. [Vamos vender] espaço publicitário no uniforme, patrocínio Master, para que seja feito um trabalho honesto e bem feito. Nós não queremos incorrer nos erros do passado. Jogar por jogar e largar um legado para as próximas direções. Temos condições de tocar sem deixar as dívidas para o clube. Esse é o planejamento”, enaltece.

O presidente do Iraty também relatou que o dinheiro referente a venda do jogador Bruno Henrique do Palmeiras para o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, ainda não foi pago. Bruno Henrique foi revelado nas categorias de base do Iraty. “Esse dinheiro está uma disputa lá com o Al-Ittihad, que não fez o pagamento e está pendente. Esse dinheiro vai auxiliar o clube no futuro”, entende Odair.

Texto: Rodrigo Zub, reportagem de Ademar Bettes/Najuá

Foto: Osmair Turko/Arquivo

 

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