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22/02/2021

Iratiense de 18 anos precisa de transplante de medula óssea e motiva o debate sobre doação

Iratiense de 18 anos precisa de transplante de medula óssea e motiva o debate sobre doação

Recentemente teve início uma campanha em Irati para a divulgação da história da Maria Eduarda Costa, de 18 anos, que tem leucemia e precisa de um transplante de medula óssea. O caso trouxe à tona a importância do cadastro de doadores junto a Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) de Irati.

Maria Eduarda foi diagnosticada com a doença em agosto do ano passado e logo após, iniciou o tratamento contra a leucemia – um câncer maligno que causa o acúmulo de células doentes na medula óssea substituindo as saudáveis. A jovem está na terceira fase do tratamento e precisa realizar um transplante de medula óssea assim que as sessões de quimioterapia acabarem. 

Segundo a médica Larissa Gimenez Mazepa, da UCT de Irati, o transplante de medula óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e outras doenças do sangue. “A doação pode ser aparentada ou não aparentada. No primeiro caso, o doador é uma pessoa da própria família, em geral um irmão ou um dos pais”, explicou. Há cerca de 25% de chances de encontrar um doador compatível na família, um irmão totalmente compatível (100%) será a primeira escolha para ser um doador, caso contrário, inicia-se a busca de alternativas para a realização do transplante.

Reação da família e campanha

Jackeline de Fátima Fernandes, tia da Maria Eduarda, conta que toda a família ficou muito desesperada quando recebeu a notícia que a jovem tinha leucemia. “Porque a gente já conhece um pouco sobre essa doença, então ficamos bem nervosos. Agora, no momento, já estamos mais tranquilos porque a gente sabe que ela está tendo todos os recursos necessários”, disse.

A jovem de 18 anos tem demonstrado muita força durante o tratamento e não está se deixando abalar. “Nós entregamos nas mãos de Deus porque nós cremos que Deus está na frente, nos apoiando e dando forças para a gente”, relatou Jackeline.

Com o lançamento da campanha em Irati, muitas pessoas têm procurado a Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) com a intenção de ajudar Maria Eduarda. Entretanto, não é tão simples assim, é preciso que o doador seja compatível, como explica a médica Larissa Mazepa.

“A pessoa tem que ser 100% compatível com a Maria Eduarda para que ela receba essa medula óssea. Então quanto maior o número de pessoas para serem estudadas, maior é o número de chances para que a gente ache um doador compatível”, comenta a médica.

Ter o mesmo tipo de sangue que o receptor não garante que o doador seja 100% compatível. Larissa explica que o sangue tem vários fenótipos, que são chamados de fenotipagem, e cada um desses fenótipos é uma característica da membrana e do núcleo das células-tronco e então, somente após uma analise detalhada do sangue do doador se pode saber se é ou não compatível com o sangue da Maria Eduarda.

Entretanto, assim como a jovem iratiense, há milhares de pessoas no Paraná e no Brasil esperando por um doador compatível para que continuem vivendo ou tenham melhor qualidade de vida. Existe um banco de dados nacional, que cruza os dados dos fenótipos de doadores e pacientes com doenças do sangue que precisam de transplantes de medula.

As informações dos pacientes que necessitam de transplante são incluídas no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Já os doadores, são cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Os dados registrados nesses dois órgãos são cruzados para verificar a compatibilidade entre os pacientes e doadores. Assim que o paciente entra para o Rereme acontece à primeira tentativa de encontrar um doador compatível e a partir daí, o sistema refaz as buscas todos os dias.

Como é feita a doação

A médica responsável pelo UCT de Irati explica que a coleta de células-tronco hematopoéticas, ou seja, medula óssea, é um procedimento rápido que dura em média 2 horas e meia. A doação pode ser feita de duas formas, sem nenhum risco para o doador.

Uma das formas é por meio de uma pequena cirurgia, em que o doador recebe anestesia geral. Então, são realizadas de quatro até oito punções com agulhas nos ossos da bacia para que seja aspirada parte da medula – 15 ml por quilo de peso do doador. “Pode ser um pouco dolorido. Mas não é uma coisa que vai deixar sequelas no doador e o receptor vai se beneficiar, e muito, dessas células”, explicou a médica da UCT de Irati.

Outra forma de coleta de medula óssea é a chamada de aférese, em que  o doador faz uso de um medicamento por cinco dias com o objetivo de aumentar o número de células-tronco no sangue. Após esse período, o doador faz o procedimento por meio da máquina de aférese, que colhe o sangue da veia e separa as células-tronco e depois devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente.

A médica explica que a retirada de medula não causa nenhum comprometimento à saúde do doador, pois, para ele, isso não representa nem 10% das suas células e a recuperação é muito rápida. Já para que é quem recebe a medula representa a possibilidade de voltar a ter talvez uma vida normal.

Para realizar a doação, seja ela de sangue ou de medula óssea, a médica ressalta que independe da cor da pele e qualquer pessoa que atenda aos requisitos (idade, ter boa saúde e não ter doenças infecciosas) pode se disponibilizar.

O que é a medula óssea?

A medula óssea é um tecido líquido gelatinoso que está presente no interior dos ossos e é conhecido popularmente como “tutano”. É lá que estão localizadas as células-tronco hematopoéticas, responsáveis por produzir os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas.

O que é preciso para ser um doador?

Para ser um doador de medula óssea é necessário:

*Ter entre 18 e 55 anos de idade;

*Estar com a saúde geral boa;

*Não ter doença infecciosa ou incapacitante;

*Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

23 de fevereiro é o dia para registro de novos doadores

No dia 23 de fevereiro, próxima terça-feira, a Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) de Irati irá disponibilizar o dia todo somente para o registro de novos doadores de medula óssea.

Todas as pessoas que se disponibilizarem a doar serão adicionadas ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e estarão disponíveis para doações para a Maria Eduarda e para qualquer outro receptor que esteja cadastrado no Registro Nacional de Receptores de Medula óssea (Rereme) e esperando por um transplante.

Texto: Daniela de Mello/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação

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