Irati teve 16 suicídios registrados em 2017. Como identificar e ajudar quem pode vir a tirar a própria vida

Por Redação 4 min de leitura

O número de suicídios têm aumentado todos os anos no Brasil. Em Irati, um trabalho de orientação e prevenção vem sendo feito no CRAS da Lagoa depois que um jovem do bairro se suicidou e amigos sentiram-se culpados

Você já se perguntou o que está por trás do comportamento suicida? Que mensagem existencial se esconde neste ato ou que desejos esta pessoa desistiu de realizar?

A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam para este grave problema de saúde pública, responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo.

De acordo com a OMS, o Brasil é o 4° país com maior crescimento de casos de suicídio na América Latina, com um aumento de 10,4% na última década, e sendo o líder, em números absolutos, destes casos. Os dados são de um relatório divulgado pela entidade em 2014. Na cidade de Irati, cerca de dezesseis pessoas se suicidaram no ano de 2017.

Entre os fatores de risco associados com o suicídio estão: transtornos mentais, como depressão, bipolaridade, esquizofrenia; situações como isolamento ou vulnerabilidade social, desemprego, migrantes; questões psicológicas, como perdas recentes, problemas na dinâmica familiar; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurastes, dor crônica e câncer. Por outro lado, o uso de drogas, principalmente cocaína e álcool, aumenta a impulsividade e, com isso, o risco de suicídio.

Rafaela Maria Ferencz é psicóloga e desenvolve um trabalho de prevenção ao suicídio no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) da Lagoa de Irati. “A gente iniciou um trabalho de prevenção em janeiro, quando ocorreu um caso aqui na Lagoa, um jovem de dezenove anos se suicidou, ele morava bem do lado do CRAS. Ele tinha se mudado há dois meses e cometeu suicídio dois dias antes de completar vinte anos”, relata.

Esse caso fez com que o suicídio fosse abordado com mais frequência na instituição. “Abalou muitas pessoas aqui do bairro. Cada suicídio acaba afetando todos que estão em sua volta, a família, os conhecidos e a gente sentiu bastante esse baque nas pessoas, resolvemos então começar a trabalhar um pouquinho sobre esse assunto”, explica a psicóloga.

Ela conta que muitos jovens que frequentam o lugar conheciam o menino. “Vários adolescentes que vêm ao CRAS conheciam esse jovem e ficaram abalados, a gente sentiu o quanto eles ficaram surpresos com o que aconteceu, porque eles não esperavam, muitos estavam se sentindo culpados, com aquele sentimento de que poderiam ter feito alguma coisa, mas não sabiam o que fazer”, diz.

O tema suicídio não é abordado com tanta frequência, como deveria, e isso faz com que as pessoas não saibam como agir diante dessa situação. “Esse tema não é trabalhado, muitas vezes a pessoa não sabe como pode ajudar, não sabe que muitas vezes aquela pessoa que está falando que vai se matar, que fala certas coisas, que tem certos comportamentos realmente pode vir a se matar. Geralmente as pessoas acham que é da boca pra fora”, explica Rafaela.

Atividades lúdicas foram feitas para abordar o assunto dentro do CRAS. “Então começamos um trabalho.Em janeiro, fizemos algumas tardes de brincadeiras para chamar o pessoal aqui para o CRAS, nessa atividade vieram muitas pessoas e a gente pôde conversar sobre a importância de cuidar da saúde mental. Buscar fazer amizades, de cuidar da pessoa que a gente gosta, de olhar quando a pessoa não está bem, de saber onde procurar ajuda”, comenta.

 

Como identificar u