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12/11/2021

Hospitais Erasto Gaertner e Agnus Dei passam a atuar juntos: O que muda no atendimento?

Trata-se de uma parceria para os próximos 15 anos, em que os atendimentos oncológicos e em outras áreas acontecerão no mesmo prédio, no Agnus Dei. Com isso os serviços do Erasto em Irati deverão ser ampliados

Hospitais Erasto Gaertner e Agnus Dei passam a atuar juntos: O que muda no atendimento?

Em outubro de 2017, o hospital Erasto Gaertner inaugurou sua unidade em Irati e, nesta semana, no dia 10 de novembro, além de comemorar quatro anos de serviços prestados no município, o Erasto também formalizou a parceria com o Hospital Agnus Dei para a ampliação da oferta de serviços oncológicos à população regional.

Na ocasião, ocorreu uma cerimônia para a assinatura do contrato entre os hospitais, com a presença de profissionais da saúde, autoridades e integrantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/Amcespar), da Associação Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer (Anapci) e Rede Feminina de Combate ao Câncer. 

A partir de agora, a Unidade Avançada do Erasto em Irati passa a se chamar Centro de Saúde Erasto Gaertner. O novo projeto contempla três salas cirúrgicas, 15 leitos de enfermaria, consultórios e centro de diagnóstico por imagem, além de nove poltronas (nas salas de manipulação de quimioterapia) e farmácia.

Adriano Lago, superintendente do Erasto Gaertner, detalha a parceria. “Esta parceria é inicialmente de 15 anos. É uma segurança muito grande para os municípios, não é algo que vai acabar logo. E temos a certeza que dentro de 15 anos podemos crescer muito com todos os processos e procedimentos. Com certeza a soma de tudo o que foi construído entre os dois hospitais vai proporcionar ciência, humanismo e afeto, que é a grande missão do Erasto, para toda a região”, disse.

Quando o hospital se instalou em Irati, a meta era ter o aumento de capacidade e estrutura em 10 anos, o que foi possível em menos da metade do tempo planejado, graças à vontade da comunidade e à atuação política dos prefeitos da região, através do Consórcio  CIS/Amcespar, com apoio de deputados estaduais e federais.

“O Consórcio de Saúde serviu como um intermediário entre os dois hospitais e também levou os anseios que toda a 4ª Regional de Saúde tem no atendimento oncológico. Os ajustes feitos para iniciar os atendimentos nesta nova estrutura trarão muitos benefícios para a nossa população, como qualidade de vida e de saúde, além de economia para os municípios que não precisarão mais se dirigir com seus pacientes até cidades mais longes, como Curitiba ou Guarapuava”, afirmou a presidente do CIS/Amcespar, prefeita de Fernandes Pinheiro Cleonice Schuck.

Ela destaca que a ampliação do atendimento terá impacto positivo direto no tratamento aos casos de câncer da região. “As pessoas que estão em tratamento terão uma condição muito melhor de absorver o tratamento e reagir melhor à doença, pois a própria imunidade é afetada com as viagens longas, perca de sono, isso com certeza vai mudar tendo um atendimento perto de casa, sem contar que os pacientes estarão juntos com os familiares, que dão apoio moral, emocional e carinho”, comenta.

Na avaliação do prefeito  Jorge Derbli, a parceria significa que Irati passa a ter o seu “Hospital do Câncer”. “É um dia histórico para nós, é um sonho realizado, do ‘Hospital do Câncer’ que a gente tanto falava aqui em Irati. Isso veio acontecendo aos poucos, primeiro veio a Unidade do Erasto e agora com essa fusão com certeza vai melhorar e muito o atendimento às pessoas que mais precisam”, frisou Derbli.

Funcionamento

Com a parceria entre os hospitais, os pacientes que já eram atendidos na atual estrutura do Agnus Dei continuarão tendo acesso a todos os serviços, pois o novo espaço não se destina apenas à oncologia. Por exemplo, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) já eram atendidos no Agnus Dei através de contrato com o Consórcio de Saúde e continuarão sendo atendidos no local. Pacientes particulares e de convênios também podem continuar procurando os profissionais do Agnus Dei.

“A parceria firmada com os sócios do Hospital Agnus Dei proporcionará mais conforto e segurança para nossos pacientes erastianos. Assim, somamos ao trazer toda a nossa experiência e conhecimento para os pacientes já atendidos pelo Agnus Dei.  É uma enorme alegria poder comemorar nosso quarto aniversário de trabalho em Irati anunciando a nossa primeira fase de expansão”, destaca Adriano Lago.

Uma reforma do espaço será realizada, com investimento de R$ 1 milhão, em parceria com os municípios da 4ª Regional de Saúde.

“Toda a parte comercial ficou a cargo do Erasto Gaertner e Agnus Dei, o Consócio [de Saúde] trabalhou com um investimento inicial, com recursos de uma emenda parlamentar da deputada Leandre, que foi determinada por unanimidade pelos prefeitos para que esse recurso fosse destinado à ampliação”, conta Cleonice Schuck. Ela refere-se à emenda ao Orçamento de União no valor de R$ 1 milhão destinada por Leandre Dal Ponte ao CIS/Amcespar, para o custeio de atendimentos às populações dos municípios e, em contrapartida, os prefeitos repassaram recursos proporcionais às obras necessárias no Agnus Dei.

Além da readequação da estrutura do prédio, o projeto prevê investimentos de R$ 4,5 milhões para aquisição de equipamentos, como mamógrafo e mesas cirúrgicas para procedimentos de baixa e média complexidades, entre outros.

Deste montante, R$ 2 milhões já foram assegurados pelo deputado federal e secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, que esteve em Irati representando o governador Ratinho Júnior na solenidade de assinatura do contrato entre os hospitais. 

“O governador, antes de eu sair me disse: ‘Nós vamos resolver e vamos trabalhar todos juntos’. Então, hoje aqui é uma reunião de trabalho, de anúncios de investimentos e também encontro de soluções”, afirmou Sandro Alex, enfatizando que a regionalização da saúde é uma meta do Governo.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, não participou do evento, apesar deste ter sido remarcado do dia 05 para o dia 10 de novembro em virtude da agenda do secretário da Saúde. A deputada federal Leandre Dal Ponte, que tinha se programado para estar em Irati no dia 05, não pode estar presente na nova data devido a outros compromissos agendados, mas o superintendente do Erasto frisou a participação decisiva da parlamentar em todo o processo, desde a vinda da unidade, e leu uma mensagem enviada por ela.

“Infelizmente, não poderei comparecer no evento de hoje, mas tenho certeza que será um passo importante para consolidar a regionalização do tratamento oncológico na região da Amcespar, que precisa e merece. Também não tenho dúvidas que eu e as mais de 200 mil pessoas que um dia sonhamos com a vinda o Erasto para Irati, continuamos unidos nesta nova luta e às ordens para contribuir que esta expansão seja mais uma conquista para a nossa região e para todos que precisam de tratamento. Sabem que podem sempre contar comigo”, afirmou Leandre, através da mensagem.

O deputado Sandro Alex também se colocou à disposição somar esforços e para atuar em prol da entidade. “Nós temos aqui uma frente de trabalho de muitas pessoas que se dedicaram ao longo dos anos, uma conquista. Claro que não é algo fácil de ser gerido, de ser tocado, o investimento é alto, então precisa de muito empenho, muita dedicação sempre. É um esforço diário, uma construção diária, e é isso que nós temos por meta, por objetivo, é poder auxiliar, os prefeitos, as lideranças junto à Secretaria do Estado da Saúde”, afirmou.

O deputado estadual Alexandre Curi também resolveu ajudar. Ele se comprometeu a conversar com os demais parlamentares paranaenses e com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para a destinação de R$1,5 milhões para equipamentos do Centro de Saúde Erasto Gaertner. Segundo ele, os recursos poderão ser aportados através da verba que a Alep devolverá aos cofres do Governo do Estado.

Além dos investimentos em infraestrutura e equipamentos, outra ação necessária ao funcionamento conjunto dos hospitais é a adequação do fluxo de pacientes, explica Adriano Lago. “A partir de agora temos um tempo para iniciar a programação das adaptações, que já estão em projeto e devem começar em janeiro de 2022. As mudanças são técnicas, uma vez que o hospital Agnus Dei é referência na cidade, já funciona com todas as autorizações, e o que precisamos agora é adaptar para o nosso fluxo de pacientes. O hospital já tem sua clientela, a gente quer ajudar trazendo mais segurança e qualidade com a experiência que o Erasto pode trazer. Essas adaptações são para que tenha um bom fluxo operacional de trabalho com os pacientes oncológicos, dos que estão em investigação e diagnóstico, e os pacientes que não são oncológicos. No projeto temos parcerias fortes com os municípios da Amcespar, então há emendas parlamentares que vão proporcionar também um reequipamento e um reaparelhamento técnico ao hospital”, destacou o superintendente do Erasto.

Custeio

Mais do que o investimento em infraestrutura e equipamentos, o maior valor necessário ao projeto é para o custeio mensal dos atendimentos oncológicos, que faz parte do orçamento do Estado. 

“O Governo do Estado é o grande parceiro, é a chave do sucesso da entrega do projeto, sem esse incentivo as coisas não acontecem. Boa parte dos procedimentos que a gente faz para que o paciente não se desloque são de baixa complexidade, a gente tem um nível de atendimento que em alguns casos a média de recebimentos é R$ 8,00, quer dizer, do ponto de vista financeiro é impraticável, mas funciona há quatro anos graças a essa parceria, os municípios dão estrutura, apoio e o Estado dá toda a parte de custeio”, disse Adriano Lago.

Em nome do governador, Sandro Alex destacou que o Estado continuará fazendo o melhor por Irati e região. “Nada é fácil, não pense que é fácil conseguir fazer um hospital funcionar, um atendimento dar certo, ter gestão, ter dinheiro, é uma luta, mas é uma luta necessária. É uma obrigação nossa, nós temos que somar esforços, o que cada prefeitura pode fazer, o que cada liderança pode fazer, o que o Estado pode fazer. O governador me disse: ‘Nós vamos buscar uma solução e vamos continuar fazendo o melhor por Irati’, ele me disse antes de eu sair”, afirmou Sandro Alex. 

Tratativas diretamente junto à Secretaria de Estado Saúde para a ampliação dos serviços em Irati já foram feitas, segundo o presidente da Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná (Amcespar), prefeito de Inácio Martins, Júnior Benato. O prefeito conta que ocorreu uma audiência da qual ele e a presidente do CIS/Amcespar Cleonice Schuck participaram. “Estivemos junto com o nosso secretário Beto Preto, que garantiu para a gente verbalmente, não por escrito, que realmente poderia ser aplicado este aumento e esta fusão. Agora a gente pede para que o Governo cumpra com o que falou. Vamos cobrar politicamente, da forma que for possível e necessária. Mas o importante aconteceu, essa fusão, esta ampliação, mas agora a gente depende do recurso financeiro”, afirmou Júnior Benato.

Ele frisa que é importante que o CIS/Amcespar possa ter acesso aos recursos para atender adequadamente a demanda por diagnósticos precoces e por tratamentos oncológicos, evitando as filas de espera para que o paciente receba o primeiro atendimento.

Este problema tem ocorrido nos últimos tempos na região, pois o agendamento está subordinado a Curitiba, e foi motivo de reclamação dos vereadores recentemente na Câmara Municipal de Irati. “A preocupação grande nossa hoje, a briga grande nossa, é a entrada do paciente. Aquele que está em casa, que está de posse de toda a sua documentação, de todos os seus exames, de posse da biópsia e aguardando a entrada. Alguns chegam até perecer”, destacou o presidente da Câmara de Irati, Helio de Mello.

História

O suporte aos pacientes com câncer e suas famílias vem sendo oferecido em Irati há muitos anos pela Associação Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer (Anapci). A entidade construiu sua sede própria a partir de doações da comunidade e, em 2017, cedeu gratuitamente o espaço para que a Unidade Avançada do Erasto Gaertner funcionasse em Irati. Após quatro anos atendendo no local, a fusão com o Agnus Dei dará uma nova estrutura para o atendimento.

A vice-prefeita de Irati, Ieda Waydzik foi uma das líderes da Anapci por muitos anos e atualmente trabalha junto à Rede Feminina de Combate ao Câncer, que congrega voluntárias para o acolhimento aos pacientes na Unidade. Ela relata o sentimento de satisfação de poder ter acompanhado toda a trajetória para a melhoria no atendimento oncológico. 

“É uma alegria, depois de toda essa caminhada que a gente teve desde a Anapci, desde aquele paciente que não tinha atendimento, que não tinha um médico oncológico aqui na cidade. A pessoa quando descobria que estava doente tinha aquele choque, tinha que ir para Curitiba com medo para poder se tratar. E hoje tem o atendimento na porta da casa da gente, graças a Deus. Então, a gente só tem a agradecer. Agradecer também à deputada Leandre, que sempre esteve conosco, que nos propiciou esse caminho todo. Agradecer as nossas voluntárias da Anapci, da Rede Feminina”, disse Ieda, comemorando a fusão entre o Erasto e o Agnus Dei.  

Emoção e luta para reduzir o tempo para o início do tratamento

A história da pequena Alice Schvaidak Peruceli, de 6 anos, que recebeu atendimento adequado e foi curada do câncer, emocionou a todos durante o evento. A menina é moradora de Rio Azul e filha da secretária de Saúde do Município, Cristiana Maria Schuvaidak.

“Ter o Erasto perto da casa, fazer o tratamento aqui, ter o acolhimento, é mais do que 70% tratamento. A tecnologia do Erasto é muito grande, minha filha foi curada de um câncer metastático, o acolhimento, a humanização é uma coisa extraordinária e fundamental, tomara que além do diagnóstico precoce, que é muito importante no tratamento do câncer, se encurte o início do tratamento, que todos os códigos de regulação se resolvam para nós. E agora eu falo como secretária de Saúde”, afirmou Cristina.

Ela refere-se à necessidade da resolução do problema – também apontado pelos vereadores de Irati – da demora para o início do tratamento oncológico.  “Para a Alice, em menos de 72 horas saiu um código de regulação, então por que não sair códigos de regulação para pacientes que já têm o diagnóstico, que já tem o exame pronto, que precisam começar o tratamento? Então nós começamos uma nova luta, a unidade está linda, com profissionais maravilhosos, mas nós precisamos encurtar este tempo, para que este prazo seja diminuído, estes 30 dias são uma vida para o paciente, isso faz toda da diferença”, desabafou a mãe e secretária de Saúde.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul

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