facebook
13/11/2020

História de superação marcam os oito anos da Comunidade Bethânia em Irati

História de superação marcam os oito anos da Comunidade Bethânia em Irati

Presente em Irati desde 2012, a Comunidade Bethânia ao contrário do que muitos pensam a não é uma casa de reabilitação, o intuito dela, é o acolhimento. “A gente acolhe todos os fragilizados da sociedade”, esclareceu José Whasghiton Ferreira, administrador da Comunidade Bethânia de Irati. “O nosso maior público hoje, por causa da demanda, é a pessoa dependente química”, completou.

Atualmente o recanto de Irati conta com 16 homens acolhidos, mas a capacidade é para 20 homens entre 18 e 59 anos. Por conta da pandemia o número teve de ser reduzido.  E existe um projeto para que, futuramente, mulheres também possam ser acolhidas, pois a demanda tem aumentado mais a cada dia.

O acolhimento acontece por etapas, desde o pré-acolhimento, que é nas quintas-feiras, quando são repassadas as informações de como funciona o recanto, as regras, os valores e a relação de exames que são necessários. Depois, assim que surge a vaga, a assistente social do recanto, Andreia Carla Glinski, entra em contato para que o acolhimento aconteça.

“Quando ele é acolhido, ele passa por três fases: A fase do acolhimento, da restauração e da reinserção. E toda essa proposta acontece em nove meses”, explica Andreia.

O recanto só recebe as pessoas que querem estar lá, ninguém é levado contra a vontade, são todos livres, tanto que não tem nem portão, para que os acolhidos não se sintam presos e na obrigação de estar lá.

Filhos de Bethânia

Todos os acolhidos na Comunidade Bethânia, são chamados de filhos. Era uma expressão que o Padre Léo, o fundador da entidade usava. O objetivo é que o acolhido já tenha o sentimento que é da família logo que chegue. “Aqui, no dia-a-dia, na convivência, a gente é realmente uma grande família”, contou Mário Sena, consagrado da Comunidade.

Todo dia 4 de cada mês, a Comunidade Bethânia comemora o “Dia do Filho” em memória do Padre Léo. Na ocasião, é escolhido um tema e durante o dia todo são feitas gincanas, almoço especial, jantar festivo e atividades de cunho espiritual.

Neste mês de novembro, o tema escolhido foi Circo e além das gincanas, da missa e das apresentações de teatro, o dia contou com pipoca, algodão doce e pastel.

Histórias de superação

Diversas histórias de força de vontade e superação podem ser encontradas na Comunidade Bethânia de Irati. Cesár e João são os protagonistas de duas dessas histórias. 

César Augusto Fabris é de Rebouças, está no recanto há um mês e destaca a importância do apoio que recebe.  “Acho importante falar sobre isso. Mostrar para as pessoas que tem o mesmo problema que eu, que elas têm onde pedir ajuda e onde se curarem”, comenta.

Ele tem 39 anos e foi usuário de drogas e bebida alcoólica durante 20 anos. O uso começou junto com amigos e foi aumentando, até que saiu do controle. César tinha uma vida financeira boa, era dono de uma farmácia, sempre que podia viajava com a esposa. Por conta do uso excessivo da droga, acabou se separando. Após vender todo o seu patrimônio para sustentar o vício, decidiu procurar ajuda. Foi quando escolheu vir para a Comunidade Bethânia. “A experiência está sendo fantástica, aqui é o céu na terra. Somos tratados como filhos”, contou.

E ele já tem planos para o futuro. “Eu nasci de novo, estou nascendo. Eu só quero o suficiente para poder dar estudo para os meus filhos, poder dar uma comida e poder ter uma família. É só isso que eu quero daqui para frente. Eu só quero ser feliz e ter a paz que eu nunca tive em 20 anos”, finalizou.

Outro filho da Bethânia é João Acir de Andrade. Ele está lá desde fevereiro,  quando percebeu que o alcoolismo era uma doença e que ele não podia mais viver daquela maneira. “Aqui a gente vive os desafios, mas a Comunidade ensina valores que são pequenos, que são coisas simples, mas que se a gente aplicar no cotidiano, trás uma grande lição de vida para a gente. É uma experiência muito forte e fascinante”, relatou.

Outros recantos

Além de Irati, existem mais sete recantos da Comunidade Bethânia espalhados pelo Paraná e pelo Brasil. Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, Padre Léo, como era conhecido, foi o fundador da Comunidade Bethânia e faleceu em 2007, com 47 anos.

Com ajudar a entidade

A Comunidade Bethânia está localizada em Arroio Grande, interior de Irati. Vive exclusivamente de doações dos Amigos de Bethânia e de eventos que eles realizam para a arrecadação de verbas.

É possível fazer doações para o recanto de Irati através do Banco do Brasil – Agência 0182-1,  conta 45030-8.

Na próxima semana, na sexta-feira, dia 20, acontecerá a “Pastelada de Bethânia”, a partir das 13h30 na Peixaria Camilo.  Quem quiser ajudar a entidade poderá adquirir pastéis de carne, tilápia e banana, por R$2,50 cada.

Texto/Fotos: Daniela de Mello/Hoje Centro Sul

Galeria de Fotos

COMENTÁRIOS