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22/02/2021

Fim de auxílio emergencial aumenta procura por vagas de emprego

De acordo com a Agência do Trabalhador de Irati, a procura por emprego aumentou após o fim do período de recebimento do auxílio emergencial. Especialistas discutem a possibilidade de prorrogação do benefício e os impactos na economia

Fim de auxílio emergencial aumenta procura por vagas de emprego

O fim do auxílio emergencial no começo do ano tem modificado a busca por empregos. De acordo com a Agência do Trabalhador de Irati, a procura tem aumentado neste início de ano, após o fim do benefício. Um cenário diferente do que aconteceu no ano passado, no começo da disponibilização do auxílio emergencial.

Segundo o chefe da agência, Marcelo de Ávila Francos, no ano passado foi possível perceber uma diminuição. “Embora sempre com muita intensidade na procura por vagas de emprego, nos primeiros meses do auxílio emergencial, houve uma oscilação para baixo na procura”, disse. Com o anúncio do fim do auxílio emergencial no começo deste ano, o cenário mudou. “Percebe-se no movimento diário por busca de inserção ou reinserção no mercado de trabalho, um volume muito grande de pessoas”, conta.

O chefe da agência afirma que muitas pessoas têm conquistado a recolocação, apesar da procura alta. “Estamos conseguindo, através dos encaminhamentos feitos, alguns retornos positivos de colocações e recolocações de trabalhadores no mercado de trabalho”, explica.

As vagas que mais têm sido disponibilizadas estão nos setores de serviços e comércio, além da indústria. “As áreas em que se concentram os maiores índices de busca por emprego são de linha de produção, auxiliar administrativo e vendas, seja interna ou externa”, relata.

Contudo, um antigo problema na busca de emprego em Irati prejudica a reinserção. A falta de candidatos qualificados ainda é uma dificuldade para a efetivação na vaga. “As dificuldades de colocações e recolocações de trabalhadores se dão muito em função da qualificação dos trabalhadores, da experiência, entre outros fatores”, disse.

Continuação do auxílio emergencial

O aumento na procura por vagas de trabalho é apenas um dos reflexos do fim do benefício. A preocupação de muitas autoridades é que a economia possa recuar ainda mais se as pessoas não conseguirem recolocação e, assim, o consumo diminuir. Ao mesmo tempo, empresas têm enfrentado um cenário de crise mundial e podem diminuir a oferta de vagas futuramente.

Essas preocupações fizeram com que o Congresso Nacional volte a discutir a possibilidade de prorrogar o auxílio emergencial. São 11 projetos de lei enviados por deputados e senadores de diversos partidos, tanto da esquerda, quanto da direita, segundo levantamento do portal de notícias do Judiciário, Jota.

Mas apesar dos projetos, a expectativa é que o próprio Executivo possa enviar um termo de um acordo ao Congresso Nacional para prorrogar o auxílio por três meses e em um valor menor que os R$ 600 mensais. O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é quem está liderando a intermediação entre Executivo e Legislativo. No início do mês, o presidente Jair Bolsonaro chegou a cogitar a possibilidade da volta do auxílio em uma entrevista à TV Bandeirantes, mas disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é quem deve sinalizar a volta, caso a situação econômica do país não evolua.

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), estiveram reunidos com Paulo Guedes na sexta-feira anterior ao Carnaval, dia 12, e reafirmaram o compromisso com a continuidade do pagamento do auxílio emergencial. O valor das parcelas e o período do pagamento ainda serão definidos. Cogita-se a volta do auxílio em março, mas ainda não há confirmação.

Impacto na economia

Enquanto não há consenso entre as autoridades para a volta do auxílio emergencial, especialistas destacam que estes recursos causaram impacto em 2020 e podem ajudar na recuperação da economia brasileira neste ano.

Para o economista Luiz Fernando Schvartzman, apesar de ainda ser cedo para ter dados mais concretos, é possível observar que o auxílio trouxe a possibilidade de subsistência de milhões de famílias afetadas pela crise, e consequentemente, injetou dinheiro no comércio, empresas e outros prestadores de serviços. “A sociedade e o mercado se estabelece em uma enorme cadeia de conexões. O mercado produtor precisa do mercado consumidor, se quebrada essa relação, ou seja, se as pessoas não conseguem comprar por falta de dinheiro, as empresas param de produzir e, consequentemente, o resultado disso é desastroso para toda e economia e, principalmente, para a qualidade de vida das pessoas”, disse.

O economista Ricardo Paulo Oliveira, destaca que o auxílio teve um impacto significativo. “Garantiu a sobrevivência de quase a metade da população brasileira. Além de que assegurou uma grande parte da indústria, comércio e serviços a continuarem a produzir. Considerando que já foram injetados mais de R$ 250 bilhões na economia durante toda a primeira fase mais crítica da pandemia”, relata.

Mas para o advogado tributarista, Antônio Carlos Morad, ainda é cedo para saber exatamente a repercussão do auxílio para a economia brasileira, especialmente nos empreendimentos. “O impacto foi relativo, em termos econômicos percebeu-se uma clara manutenção mínima de sobrevivência, porém sem afetar positivamente o mercado ou o comércio de modo geral. Afastou, portanto, de forma regular uma situação famélica junto à população mais desprotegida e que mais sofre em conjunturas como essa”, conta.

A prorrogação do auxílio também é um tema difícil para os especialistas que concordam com os impactos positivos de uma continuidade, mas têm receio sobre a origem dos recursos. Para Schvartzman, o auxílio foi fundamental e contribuiu para a não estagnação da economia, entretanto acredita que “o governo não pode ficar interferindo indefinidamente, com tais subsídios, pois o impacto no médio prazo pode ser péssimo”.

Ele alerta que a prorrogação forçará que o Estado escolha onde terá investimento e onde não terá. “É uma situação delicada, pois as contas públicas têm uma destinação específica, e quando ocorrem eventos extraordinários, ou reduzirá o investimento em outras áreas, ou aumentará a dívida pública”, explica.

Morad considera que a prorrogação é possível, mas destaca que o governo atual não possui uma forte atuação em políticas sociais de distribuição de renda. “Seria possível o auxílio emergencial, sim. Porém a política do governo atual não está, e nunca esteve voltada para a mitigação ou solução de problemas sociais. Isso vale para antes da pandemia e nesse período de pandemia”, disse.

Fonte dos recursos

Mas para o economista Ricardo Oliveira, por mais que existam desafios e divergências, há sim como o país encontrar um caminho para continuar com o benefício, contudo, é preciso ter atenção. “É fundamental fazer com muita responsabilidade, para que o efeito não seja contrário, levando o país a uma crise maior ainda. É necessário que seja feito uma dotação orçamentária, com a aprovação prévia da Câmara e do Senado Federal”, relata.

Ele conta que esses recursos podem vir da venda de títulos do Tesouro Nacional. “Esses recursos veem da emissão de títulos pelo Tesouro Nacional, órgão Federal que controla o fluxo de caixa por meio da arrecadação de impostos e pagamentos dos gastos públicos, que são comprados pelos fundos de investimentos, seguradoras e investidores brasileiros e estrangeiros. No caso específico do auxílio emergencial, o próprio Banco Central e os demais bancos compram esses títulos com o objetivo de socorrer o governo, por isso precisa ser aprovado pela Câmara e o Senado”, relata.

Mas para o economista Luiz Schvartzman, o caminho para a prorrogação do auxílio está voltado para o desenvolvimento da economia brasileira. “Aumentar impostos é impopular e não adianta, pois estaria retirando o dinheiro novamente da população. A melhor maneira é tentar promover o desenvolvimento, gerar novas riquezas e, principalmente, contribuir para uma melhor educação financeira da população, para que possam passar por momentos como estes de maneira menos impactante”, conta.

E no futuro?

Se neste momento o fim do auxílio preocupa, a crise na economia mundial é algo que traz incertezas para o futuro. O início das aplicações de vacina trouxe um alívio para muitos países, mas economistas destacam que é preciso acelerar a vacinação para ter bons retornos no futuro. “De imediato, acelerar o processo de vacinação o mais rápido possível, para que as coisas voltem a uma normalidade. Quanto mais tempo se estender e demorar, maior o prejuízo do Estado, das empresas e da população em geral”, disse Luiz.

Além de ações imediatas, o Brasil terá que lidar com situações antigas que dificultam a criação de mais vagas de trabalho, como a falta de investimento na industrialização. “Se não temos empreendedorismo em nosso país, sem não temos empresas, indústrias de modo geral, como podemos gerar empregos? Esse desiquilíbrio poderia ser revertido, mas parece que só o agronegócio é importante para nossos administradores públicos. Não existem políticas públicas para a indústria, comércio ou serviços no Brasil. Quando existir, sairemos, em parte, dessa crise em que vivemos”, defende o advogado tributarista Antônio Carlos Morad.

Mas para o economista Ricardo, o país pode se recuperar com a união entre as forças políticas e empresariais. “O auxílio emergencial fez circular muito dinheiro e uma nova indústria vem surgindo no país com força total. A indústria de grandes negócios pela internet, que aproximou todo o povo brasileiro do mundo, aumentando muito as exportações, levando em conta que o dólar estando valorizado, ajuda os exportadores a venderem para o exterior. A agropecuária, com excelente produção, alimenta as exportações, com as políticas de créditos ofertadas pelo Governo”, disse.

Ele ainda destaca que a taxa de juros baixa pode ajudar a atrair mais investimentos. “Outro ponto importante são as taxas de juros controladas pelo Governo. Com a Selic abaixo de 2% ao ano (fato histórico que há mais de 20 anos não acontecia), desperta o interesse de grandes investidores e, o mais fundamental, controla a dívida pública. Além de que permite os bancos abrirem linhas de créditos com taxas de juros baixas”, conta.

Para Schvartzman, o futuro da economia brasileira pode ser positivo, apesar das dificuldades. “Apesar da grave crise enfrentada, de maneira geral, sem entrar em aspectos políticos, o mercado se adaptou muito rapidamente. Em menos de um ano, a bolsa de valores recuperou boa parte das suas perdas. Na crise de 2008, foram anos para recuperar. As pessoas e empresas foram resilientes, criativas e rapidamente se adaptaram à ‘nova’ realidade. Ano passado teve um recorde de abertura de novas empresas, mais de 3,3 milhões, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Isso demostra a nossa capacidade de se reinventar”, afirma.

Ele ainda ressalta que a reação da população frente à crise é que vai ditar como será o futuro da economia brasileira. “Apesar da atipicidade do ano, é necessário erguer a cabeça, replanejar, pensar e seguir adiante. Obviamente algumas pessoas foram muito mais afetadas do que outras, seja pela perda de entes queridos ou pelo impacto econômico gerado  pela pandemia. Mas é preciso seguir, com coragem e criatividade. O que de fato muda a economia, é como a população reage a momentos como estes”, destaca.

Setores disponíveis para emprego

A Agência do Trabalhador de Irati disponibilizou diversas vagas de trabalho no início deste ano. “Posso destacar: linha de produção, a colheita da maçã em Santa Catarina, mecânica (linha leve e pesada), mecânico industrial, vendas (interna e externa), auxiliar administrativo, corretor de imóveis, estágio na área de segurança do trabalho, serviços gerais (tanto masculino, quanto feminino), na área da saúde tivemos vagas para enfermeiro(a), técnico(a) de enfermagem, dentista”, conta o chefe da agência, Marcelo de Ávila Francos.

Ele ainda cita que em outras áreas também surgiram vagas. “Na área de alimentação, vagas para cozinheira, operador(a) de caixa, auxiliar de cozinha, padeiro(a), chapeiro, garçom, garçonete. Também foram abertas vagas para Jovem Aprendiz e vagas para Pessoas com Deficiência”, disse.

A hotelaria também foi uma das áreas que abriu postos de trabalho. “Para hotelaria foram disponibilizadas vagas de camareira, para cozinha, recepção e limpeza. Outras ocupações em que tivemos vagas abertas foram para: operador de empilhadeira, operador de rolo compactador, operador de motoniveladora, operador de caldeira. Para a safra tivemos: balanceiro, classificador de grãos, administrativo. Na construção civil foram disponibilizadas vagas de pedreiro e servente, também foi aberto vaga de polidor de mármore e granito”, relata.

Texto: Karin Franco

Fotos: Divulação

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