Falta de perspectiva de quando voltar ao trabalho preocupa quem vive de eventos

Por Redação 4 min de leitura

Como estão as pessoas que ganham a vida trabalhando em locais com aglomerações? O que os profissionais que dão suporte para que exposições, shows e festas aconteçam têm feito para obter renda?

Shows, rodeios, bailes, casamentos, festas de aniversário, apresentações teatrais e outros eventos deixaram de ser realizados desde que o início da pandemia tornou o isolamento social imprescindível para frear a propagação do novo coronavírus. No Paraná, eventos com aglomeração de pessoas estão proibidos desde as últimas semanas do mês de março, há três meses. Para muitos, isso trouxe a falta de alternativas de lazer e de entretenimento, mas para outros, trouxe a falta de renda. E, além das perdas financeiras, iratienses que trabalham no suporte à realização de eventos também estão apreensivos com a falta de perspectiva de quando será possível retomar as atividades com segurança.

Rogério Menon, proprietário de uma empresa que atua na locação de estrutura de som, luz e palco para grandes eventos, a Promix, comenta a situação. “O grande problema é a falta de perspectiva, a gente não tem a mínima ideia de quando vai voltar, se vai voltar este ano ou não vai voltar este ano. É uma classe que está toda sem saber o que fazer, com as contas vencendo, sem ganhar grana. Isso envolve todo o segmento, se for fazer uma cadeia produtiva nesta questão dos eventos, você pega desde o garçom, o carregador de equipamentos, os músicos, técnicos de som, técnicos de luz, as locadoras de equipamentos, está todo mundo parado”, diz.

Ele conta que a rotina de trabalho deixou de existir. Antes, a equipe da empresa costumava viajar nas quartas-feiras para chegar aos locais de shows, exposições, festas. Nas quintas-feiras trabalhavam para montar as estruturas e seguia dando suporte aos eventos nas sextas, sábados e domingos. “A nossa empresa trabalha com bastante show nacional, em que a quantidade de público é grande, então acho que o momento mais difícil foi quando a gente se deu conta que parou, que não tem o que fazer, não adianta querer fazer evento que não pode, por uma questão óbvia”, comenta Rogério.

Suzana Glinski, proprietária de uma empresa de decoração para eventos, a Bolos e Bolas Festas, também acredita que o pior momento foi o inicial. “As primeiras cinco semanas foram as mais difíceis. Todos os contatos eram para cancelar os eventos, ninguém ligava para pedir orçamento ou agendar qualquer tipo de locação. Nenhuma peça saiu em locação nesse período. Minha receita foi garantida graças a uma promoção que lancei, em que propus 30% de desconto no pagamento integral antecipado de festas sem datas específicas, com validade até junho de 2021. Esse ‘vale-decor’ me garantiu uma renda mínima para essas cinco semanas sem serviços”, relembra.

A empresária criou essa alternativa no período em que o comércio estava fechado e tinha expectativa de que tudo mudaria com a volta do funcionamento das lojas, o que não se confirmou. “Fiquei na expectativa da reabertura, com esperança de que a procura por locações começasse. Porém quando houve a reabertura, em abril, cumpri à risca meu horário de atendimento convencional, sem nenhum retorno. Em quatro semanas, ninguém foi até lá. Por fim, decidi não abrir mais minha loja, até que se normalizem as realizações de eventos”, diz Suzana. Atualmente, a empresa faz atendimentos presenciais somente com hora marcada e mantém o atendimento online todos os dia