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26/06/2020

Falta de perspectiva de quando voltar ao trabalho preocupa quem vive de eventos

Como estão as pessoas que ganham a vida trabalhando em locais com aglomerações? O que os profissionais que dão suporte para que exposições, shows e festas aconteçam têm feito para obter renda?

Falta de perspectiva de quando voltar ao trabalho preocupa quem vive de eventos

Shows, rodeios, bailes, casamentos, festas de aniversário, apresentações teatrais e outros eventos deixaram de ser realizados desde que o início da pandemia tornou o isolamento social imprescindível para frear a propagação do novo coronavírus. No Paraná, eventos com aglomeração de pessoas estão proibidos desde as últimas semanas do mês de março, há três meses. Para muitos, isso trouxe a falta de alternativas de lazer e de entretenimento, mas para outros, trouxe a falta de renda. E, além das perdas financeiras, iratienses que trabalham no suporte à realização de eventos também estão apreensivos com a falta de perspectiva de quando será possível retomar as atividades com segurança.

Rogério Menon, proprietário de uma empresa que atua na locação de estrutura de som, luz e palco para grandes eventos, a Promix, comenta a situação. “O grande problema é a falta de perspectiva, a gente não tem a mínima ideia de quando vai voltar, se vai voltar este ano ou não vai voltar este ano. É uma classe que está toda sem saber o que fazer, com as contas vencendo, sem ganhar grana. Isso envolve todo o segmento, se for fazer uma cadeia produtiva nesta questão dos eventos, você pega desde o garçom, o carregador de equipamentos, os músicos, técnicos de som, técnicos de luz, as locadoras de equipamentos, está todo mundo parado”, diz.

Ele conta que a rotina de trabalho deixou de existir. Antes, a equipe da empresa costumava viajar nas quartas-feiras para chegar aos locais de shows, exposições, festas. Nas quintas-feiras trabalhavam para montar as estruturas e seguia dando suporte aos eventos nas sextas, sábados e domingos. “A nossa empresa trabalha com bastante show nacional, em que a quantidade de público é grande, então acho que o momento mais difícil foi quando a gente se deu conta que parou, que não tem o que fazer, não adianta querer fazer evento que não pode, por uma questão óbvia”, comenta Rogério.

Suzana Glinski, proprietária de uma empresa de decoração para eventos, a Bolos e Bolas Festas, também acredita que o pior momento foi o inicial. “As primeiras cinco semanas foram as mais difíceis. Todos os contatos eram para cancelar os eventos, ninguém ligava para pedir orçamento ou agendar qualquer tipo de locação. Nenhuma peça saiu em locação nesse período. Minha receita foi garantida graças a uma promoção que lancei, em que propus 30% de desconto no pagamento integral antecipado de festas sem datas específicas, com validade até junho de 2021. Esse ‘vale-decor’ me garantiu uma renda mínima para essas cinco semanas sem serviços”, relembra.

A empresária criou essa alternativa no período em que o comércio estava fechado e tinha expectativa de que tudo mudaria com a volta do funcionamento das lojas, o que não se confirmou. “Fiquei na expectativa da reabertura, com esperança de que a procura por locações começasse. Porém quando houve a reabertura, em abril, cumpri à risca meu horário de atendimento convencional, sem nenhum retorno. Em quatro semanas, ninguém foi até lá. Por fim, decidi não abrir mais minha loja, até que se normalizem as realizações de eventos”, diz Suzana. Atualmente, a empresa faz atendimentos presenciais somente com hora marcada e mantém o atendimento online todos os dias.

No Buffet Luíza Sedoski, desde o início da pandemia, 50% dos eventos que estavam programados foram cancelados e 50% foram remarcados. Entretanto, Lúcia Sedoski já se preocupa com as festas que foram remarcadas, por não saber a partir de quando poderá voltar a trabalhar.  “Realmente não sei, tenho alguns eventos que foram marcados para setembro, já não sei se poderão ser realizados. Somos do ramo que foi o primeiro a parar, e vai ser o último a voltar para o ritmo normal”, diz.

No segmento de festas, ela cita que perderam renda garçons, comerciantes que vendem bebidas, profissionais de recreação, empresas que alugam brinquedos infláveis, floriculturas, fotógrafos, cinegrafistas, lojas de decoração e empresas de locação de equipamentos de som.  “Todos estão nessa de se reinventar, oferecendo algo pequeno para que a comemoração seja feita em casa”, comenta a empresária.

Fechado

Lúcia Sedoski conta que é complicado ver o espaço de festas e eventos, que comporta até trezentas pessoas, fechado.  Ela também se entristece ao falar sobre a falta que os momentos de comemoração fazem na vida de seus clientes: “O evento em si que não foi realizado, aquela reunião de pessoas que seria um reencontro entre vários familiares, vários amigos, para comemorar mais um ano que passou, mais um ano de batalhas que foi vencido, e comemorar com festa não tem coisa melhor”.

Assim como comemorações familiares, as exposições e shows também não estão ocorrendo. Rógerio Menon relata que guardou os equipamentos de som e iluminação de sua empresa. “Parou tudo, então a gente teve que descarregar os caminhões, botou todo equipamento no barracão e na primeira semana foi feita a revisão do equipamento. Aí chegou um ponto que fechou a porta do barracão e está tudo guardado lá. De vez em quando a gente vai abrir um ‘case’ para ver se não tem nada embolorando por estar parado, agora inverno também pega bastante umidade nos equipamentos”.

Segundo ele, toda a agenda de trabalho está suspensa. “Eu tenho agenda cancelada até novembro deste ano já, os shows que eu tinha marcados, os eventos que tinha marcados não foram nem adiados, foram cancelados mesmo”, diz. 

Lives viram alternativa de renda

Inicialmente as lives dos músicos da região começaram a ser realizadas em parceria pela Promix e pela Brand Vídeo Produções, segundo Rogério Menon, apenas “por brincadeira”, “para não ficarmos ociosos”.  Ele conta que trabalha com evento há mais de 20 anos e que gosta muito do que faz, então surgiu a ideia das lives.

Várias empresas da cidade apoiaram a proposta, o que têm auxiliado os músicos e, em menor escala, também os proprietários das produtoras. Segundo Rogério, os recursos são suficientes para “pagar alguma continha de casa, logicamente que as contas da empresa, estas são grandes, e não têm como as lives resolver”.

Os músicos e bandas pagam um valor baixo para ter suas lives produzidas, aproximadamente 10% do que se cobraria normalmente. “Neste momento que está renda zero, para todo mundo ganhar um pouquinho”, finaliza.

Festas entregues em casa

“Como todos neste ramo, estamos tentando nos reinventar, oferecendo opções para que a comemoração seja feita em casa, com um jantar ou coquetel pequeno. Entregamos tudo pronto”, diz Lucia Sedoski.

Ela e a proprietária da Bolos e Bolas Festas também fizeram uma parceria para entregar guloseimas e decoração a preços acessíveis.

“Os kits de decoração de festa em casa, por R$50,00 apenas, têm sido os mais procurados”, conta Suzana Glinski. Segundo ela, o resultado é bem bonito e datas importantes como aniversários, bodas e batizados não passam em branco. Já o kit com bolo, doces e salgados oferecido pelo Buffet Luíza Sedoski custa a partir de R$ 100,00.

“Combinando nossos kits, se faz uma festinha para os que moram na casa, com algumas delícias e com uma pequena decoração, por R$150,00, sem promover aglomerações, mas mantendo as comemorações”, finaliza Suzana.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação

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