Exaustos, profissionais da Santa Casa de Irati contam como tem sido a vida durante a pandemia

Por Redação 4 min de leitura

Há mais de um ano na linha de frente do enfrentamento a Covid-19, profissionais de saúde precisam administrar seus sentimentos, além de dar forças tanto para os pacientes como para os familiares

A pandemia da Covid-19 já ultrapassou um ano de duração, com saldo de mais de 300 mil vítimas fatais no Brasil. No momento atual, o cenário vem se agravando devido à falta de leitos nos hospitais do País, o aumento desenfreado de contaminações e a letalidade maior da nova cepa do coronavírus. Muitos setores pararam por determinados períodos, mas os profissionais da saúde são os únicos que não tiveram a opção de parar em momento algum. Ao contrário, têm trabalhado muito mais para dar assistência às pessoas com Covid-19, para salvar vidas.  São estes profissionais de saúde que ouvem as últimas palavras e veem o último olhar de muitos pacientes que, ao serem intubados, depositam neles todo o medo e toda esperança, pois não podem ter os familiares ao seu lado.

“Estamos na ponta de tudo que pode acontecer de bom ou de ruim com o paciente, quando comunicamos que eles terão de ser intubados fazemos isso com o coração apertado, sabendo que mesmo a gente dando o nosso melhor podem ser as últimas palavras e os últimos olhares do paciente”, relata o fisioterapeuta Renato Oleksichen, que atua na UTI Covid da Santa Casa de Irati fazendo o gerenciamento da oxigenioterapia – definindo, junto com a equipe, quem será intubado.

Ele conta que os profissionais da saúde vivem alegrias intensas, bem como profundas tristezas, e toda essa carga de sentimentos precisa ser administrada por eles todos os dias. “É até difícil descrever tudo, porque cada hora e um sentimento diferente. No mesmo dia ficamos muito felizes por dar uma alta, mais alguns minutos depois ficamos profundamente desolados por um óbito”.

Ver pacientes morrendo sem que possam ter ao lado as pessoas que amam é a situação mais difícil de acordo com a técnica em enfermagem Adriana Gusciora, que atua na ala Covid da Santa Casa. “Nosso psicológico está totalmente abalado, nunca imaginamos que iriamos passar por tudo isso. Meu coração sangra diante da situação, nos sentimos de mãos atadas”, frisou.

Adriana diz que os pacientes já chegam ao hospital com medo e tristeza, e mesmo sabendo da gravidade, os profissionais de saúde precisam de forças para falar que tudo vai dar certo. “Você sai do plantão o paciente está ali conversando, contando sobre sua vida, aí, quando chega no outro dia já está intubado e com quadro bem grave. O óbito é muito triste. As vezes pensamos em desistir, mas Deus e as orações nos fortalecem para prosseguir”.

Estar cara a cara com a morte nessa pandemia tem provocado grandes impactos na vida dos profissionais de saúde.  O fisioterapeuta Renato Oleksichen conta que até o ano passado estava conseguindo gerenciar bem a vida profissional, separando-a da vida pessoal. Entretanto, nos últimos meses, quando a equipe da Santa Casa passou a atender pacientes mais novos, que são intubados e alguns não sobrevivem, isso o abalou de forma mais intensa. “Trabalho diariamente na UTI, mas não desligo quando saio do hospital. Fico quase o tempo todo acompanhando exames e conversando com a equipe sobre a ventilação mecânica, melhora ou piora dos pacientes. Com a minha esposa brinco que estou vivendo um grau de bipolaridade, vou de uma alegria imensa, quando evoluo bem um paciente, a uma grande tristeza e sensação de culpa quando, infelizmente, não conseguimos reverter a falta de ar e o paciente acaba falecendo”, conta o fisioterapeuta.

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