Eleições, Copa do Mundo e feriados devem influenciar economia e consumo em 2026

Por Redação Hoje Centro Sul 8 min de leitura

Cenário mistura impulso ao consumo e desafios para produção e investimentos

O ano de 2026 deve trazer um cenário atípico para a economia, reunindo fatores que impactam diretamente o comportamento do consumo e o ritmo das atividades produtivas, como as eleições, a Copa do Mundo e um calendário com diversos feriados prolongados. Em Irati, tanto o setor público quanto o comércio já observam esses movimentos e reforçam a importância do planejamento diante desse contexto.

Eleições, Copa do Mundo e feriados devem influenciar economia e consumo em 2026
Foto: Assessoria TSE

Ano eleitoral pode estimular consumo, mas aumenta incertezas

Segundo o professor de Economia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Irati, Fernando Santos da Silva, anos eleitorais costumam provocar mudanças importantes no ritmo da atividade econômica. “Historicamente, anos eleitorais no Brasil tendem a alterar o ritmo da economia, principalmente por causa de mudanças no comportamento da política fiscal e das expectativas dos agentes econômicos. Em geral, governos procuram acelerar a execução de gastos públicos ao longo do ano eleitoral, ampliando investimentos em obras, programas sociais e transferências de renda”, explica.

Segundo Silva, a ampliação dos gastos públicos em anos eleitorais tende a aquecer a economia no curto prazo. “Esse aumento de gasto público funciona como um estímulo à demanda agregada, elevando o nível de consumo e gerando um impulso de curto prazo na atividade econômica. Além disso, é comum ocorrer maior liberação de crédito por meio de bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, o que também tende a ampliar o consumo das famílias e o investimento em alguns setores da economia”, afirma.

Além dos efeitos sobre o consumo, Silva aponta que o cenário eleitoral também pode gerar maior cautela no mercado. “Anos eleitorais também costumam aumentar o grau de incerteza econômica, já que empresas e investidores aguardam a definição do cenário político e das futuras diretrizes de política econômica”. O professor observa que esse ambiente de incerteza pode levar à postergação de decisões de investimento, reduzindo a expansão de projetos produtivos no curto prazo. Ele ressalta que ainda é cedo para prever com precisão os impactos econômicos do próximo ano.

De acordo com Fernando, as projeções atuais indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1,8% e 2,3%, inflação próxima de 3,9% a 4%, taxa Selic em torno de 12% ao final do ano e câmbio perto de R$ 5,50 por dólar.

Comércio deve alternar momentos de alta e cautela

No setor empresarial, a avaliação é de que o ano exigirá adaptação constante. A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI), Samara Coelho, destaca que o cenário será marcado por oscilações no comportamento do consumidor. “A Aciai avalia que o ano de 2026 deve apresentar um cenário bastante particular para o comércio, uma vez que reúne fatores importantes que influenciam diretamente o comportamento do consumidor, como as eleições, a realização da Copa do Mundo e também a presença de vários feriados prolongados ao longo do ano”. Na visão da entidade, esses fatores devem gerar períodos distintos ao longo do ano e esse conjunto de acontecimentos tende a gerar momentos de maior movimentação no comércio, alternados com períodos de maior cautela por parte dos consumidores.

A Copa do Mundo, por exemplo, deve impulsionar setores específicos. “Eventos como a Copa do Mundo costumam estimular o consumo, principalmente em setores como alimentação, bebidas, eletrônicos, vestuário, lojas que vendem produtos de decoração e relacionados ao futebol. Além disso, bares, restaurantes e espaços de convivência normalmente registram aumento no fluxo de clientes durante os jogos”. 

Por outro lado, o período eleitoral pode influenciar o comportamento das famílias. “A Aciai observa que períodos eleitorais costumam trazer um comportamento mais prudente por parte das famílias que, muitas vezes, preferem planejar melhor seus gastos. Nesse sentido, o comércio precisa estar atento e preparado para adaptar suas estratégias ao longo do ano”, enfatiza Samara.

Copa gera impacto pontual e setorial

Além da percepção do comércio, a análise econômica aponta que esse impacto tende a ser limitado no cenário geral. Para Fernando, o impacto da Copa do Mundo sobre a economia tende a ser concentrado e temporário. “Grandes eventos esportivos, como a Copa, costumam gerar algum movimento econômico, mas esse impacto tende a ser setorial e temporário, não estrutural para a economia do país. No caso do Brasil, que não será sede da Copa, os efeitos esperados ficam concentrados principalmente no consumo de curto prazo, especialmente em bares, restaurantes, delivery, bebidas, vestuário esportivo e eletrônicos”, explica.

Ele também destaca que os dias de jogos da seleção brasileira costumam interferir na rotina de trabalho. “Durante os dias de jogo da seleção brasileira, costuma ocorrer uma redução pontual da produtividade, com empresas liberando funcionários mais cedo, atrasos na jornada de trabalho ou até paralisações parciais em alguns setores de serviços e comércio”. Apesar disso, o impacto geral na economia é considerado limitado. “Em termos macroeconômicos, porém, o efeito agregado costuma ser limitado. Estudos sobre edições anteriores da Copa indicam que o impacto no PIB de países que apenas participam do torneio tende a ser praticamente nulo ou muito pequeno”, revela o economista.

Eleições, Copa do Mundo e feriados devem influenciar economia e consumo em 2026
Foto: Pixabay

Feriados prolongados afetam produção e estimulam serviços

Outro fator relevante para o ano é o calendário de feriados prolongados, que pode gerar efeitos distintos conforme o setor econômico. Com relação aos feriados prolongados, a Aciai destaca que estas datas podem trazer efeitos diferentes para os empresários. Enquanto alguns setores, especialmente ligados ao turismo, lazer e gastronomia, tendem a registrar aumento no movimento, outros podem enfrentar redução no fluxo de consumidores, principalmente em áreas comerciais mais dependentes da rotina de trabalho da população.

Segundo o economista, esse comportamento também se reflete nos indicadores econômicos. “Quando o calendário concentra vários feriados prolongados ao longo do ano, os efeitos econômicos costumam aparecer em duas frentes diferentes: queda na produtividade em alguns setores e aumento do consumo em outros”, afirma.

Do lado da produção, o professor diz que a principal consequência é a redução do número de dias úteis, o que afeta diretamente atividades que dependem de operação contínua, como indústria, construção civil e serviços empresariais. Por outro lado, o estímulo ao lazer pode movimentar a economia local. “Feriados prolongados tendem a estimular o consumo ligado a lazer e turismo. Viagens curtas aumentam a demanda por hospedagem, restaurantes, transporte e entretenimento”, observa.

Planejamento busca garantir continuidade de obras

No setor público, o cenário também exige organização, especialmente em função das regras do período eleitoral. A secretária de Planejamento de Irati, Bruna Nadal, afirma que a administração municipal tem reforçado o acompanhamento técnico das ações.

“O período eleitoral exige atenção redobrada ao cumprimento da legislação, especialmente em relação a projetos vinculados a recursos estaduais e federais. Por isso, a administração municipal intensificou o planejamento e o acompanhamento técnico das ações, com atuação integrada das equipes de engenharia, planejamento e setores administrativos”. Segundo ela, o objetivo é garantir a continuidade dos projetos sem prejuízo à população. “Todas as medidas estão sendo conduzidas dentro da legalidade e com organização para garantir a continuidade das obras e projetos previstos, sem prejuízo ao interesse público”.

A secretária destaca ainda que os feriados prolongados já são considerados no planejamento das obras. “As equipes técnicas planejam previamente as etapas das obras e serviços para minimizar eventuais impactos, garantindo a continuidade dos trabalhos dentro do prazo estabelecido”. Atualmente, o município mantém um conjunto de investimentos em andamento, com destaque para as pavimentações urbanas e rurais e melhorias estruturais em diversas áreas, conforme a gestão municipal.

Segundo Bruna, a articulação política tem contribuído para a captação de recursos. “Graças ao bom traquejo político e à capacidade de articulação do prefeito, Irati tem conquistado importantes recursos junto ao Governo do Estado”.

Planejamento será determinante

Diante de um ano marcado por diferentes variáveis, a avaliação dos especialistas e representantes locais é de que o planejamento será essencial para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades.

A Aciai reforça essa necessidade junto aos empresários. “A orientação da Aciai é que os empresários invistam em planejamento, campanhas promocionais e ações estratégicas para aproveitar as oportunidades que surgem em datas e eventos específicos, fortalecendo o comércio local e estimulando a economia do município”, completa Samara.

Fernanda Hraber

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