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Edição 1230 - Já nas bancas!
26/06/2020

Editorial - Também há boas notícias

Editorial - Também há boas notícias

A superexposição diária às situações trágicas que envolvem o avanço do número de casos e de mortes pelo coronavírus e os efeitos da pandemia em diversos setores da economia tem feito com que uma onda de negatividade se instaure e seja tida por muitos como verdade absoluta. Isso afeta o pensamento e as ações das pessoas, colocando em primeiro plano a tristeza, a ansiedade, o medo e até mesmo oferecendo gatilhos para a depressão. Com isso, muitos deixam de observar os acontecimentos positivos, que também continuam ocorrendo, por superestimam a crise e subestimam o restante.

Por pior e mais traumática que possa ser a pandemia, a vida não se resume a ela. A prevenção tem que ser contínua, isso é fato, mas não impede que as conquistas coletivas e individuais sigam o seu curso.  Que boas notícias possam ser dadas.

Uma boa notícia que trazemos nesta edição é sobre o andamento em ritmo quase normal das obras do tão esperado asfalto na estrada Irati – São Mateus do Sul. A pavimentação a PR 364 era uma demanda da comunidade de muitos e muitos anos, que apesar de alguns acreditarem que jamais sairia do papel, está saindo. Os primeiros seis quilômetros já foram feitos e outros doze já tem a primeira camada aplicada, o que para os leigos parece ser asfalto.

Deixando um pouco a esfera coletiva, vale observar também o dia a dia dentro das casas. As famílias continuam tendo filhos, organizando as tarefas domésticas, cuidando das refeições, do jardim, dos reparos necessários. O ritmo não é normal, claro, muita coisa precisou ser readaptada. Passando mais tempo em casa, novas atividades têm de ser definidas pelas famílias, como os jogos de tabuleiro ou a preparação de refeições diferentes. As pessoas têm mais tempo para conversar, para ler, para estudar. Não é possível mais usar a desculpa de não fazer algo trabalhoso por falta de tempo. 

De um jeito ou de outro, todos têm tempo sobrando, desde que a pandemia teve início. O isolamento social e esse tempo sobrando aproximou as pessoas delas mesmas, o que pode ser muito bom e ao mesmo tempo assustador.

Pensar sobre o que realmente importa e sobre aquilo que incomoda obriga as pessoas  a saírem de suas zonas de conforto.  E deixando este local, o próximo passo é tomar atitude. Que pode ser apenas simbólica, como reclamar, o que funciona como catarse, traz certo conforto momentâneo ao expor o que se sente, mas não garante grandes avanços. Entretanto, a atitude pessoal também pode ser efetiva, alterando o que precisa ser mudado, que dá bem mais trabalho e requer persistência, além de capacidade de adaptação e reconhecimento dos riscos e incertezas.