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24/08/2020

Editorial - Quando quem cuida precisa de cuidados

Editorial - Quando quem cuida precisa de cuidados

A notícia do surto de COVID-19 entre os funcionários da Santa Casa de Irati assustou a população de toda a região nesta semana. O problema foi exposto na segunda-feira, apenas três dias após a morte de um técnico de enfermagem da instituição devido a complicações causadas pelo novo coronavírus. Também na segunda-feira, houve o anúncio do fechamento de cinco dos onze leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia seguinte, terça-feira, todos os onze leitos de UTI geral foram fechados.

Mais de 60% dos funcionários da ala de UTI geral testaram positivo para a doença e estão afastados do serviço, em isolamento domiciliar.  Com isso, a lógica inverteu-se e, agora, os profissionais que cuidam dos doentes precisam de cuidados, de apoio e de equilíbrio emocional.

Se a morte de um colega de trabalho já tinha caído como uma bomba  dentre os colaboradores do hospital, o surto e o fechamento temporário da UTI geral provocaram ainda mais estragos. O abalo psicológico dos servidores é inevitável. Todos sentiram de perto a fragilidade humana diante da doença, que não poupa ninguém, e que ao menor descuido pode chegar e contaminar.

Um fator que ameniza este impacto entre os profissionais da saúde é o surto ter acontecido fora da ala de atendimento a  pacientes com COVID-19, ou seja, no setor mais crítico tem-se as medidas preventivas levadas à risca e não houve contaminação da equipe. Então, a receita já é conhecida. Falta mais rigor em segui-la. Até porque qualquer pessoa pode estar infectada pelo coronavírus e ser assintomática, mas estar transmitindo o vírus e ocasionando transtornos como este do fechamento da UTI geral.

De acordo com o provedor da Santa Casa, os protocolos de segurança foram reforçados. Os treinamentos das equipes estão sendo refeitos  e continuarão a ocorrer constantemente. Além disso, está havendo a desinfecção rigorosa dos ambientes e equipamentos da UTI geral. Uma empresa foi contratada para isso.  E a meta é que em quatorze dias, todos os onze leitos da UTI geral possam estar novamente disponíveis para a população. Mesmo assim, tanto agora como quando a UTI geral reabrir, é preciso ter a prevenção como foco principal de conduta, seja para os profissionais de saúde ou para qualquer outra pessoa, pois a ameaça é invisível e pode trazer grandes prejuízos.

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