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24/11/2021

Editorial - Qual o sentido da vida?

Editorial - Qual o sentido da vida?

Problemas financeiros afetam ou pioram a situação da saúde mental. Isso todos sabem. Sem a estabilidade de uma renda relativamente fixa e um planejamento adequado para que os recursos possam suprir as necessidades básicas de cada indivíduo é difícil manter a serenidade. Entretanto há diferença entre a preocupação natural ao estar diante de um problema, como a falta de dinheiro, e o desequilíbrio desesperado ante a crise. Enquanto a preocupação incomoda, faz alguns perderem durante um dia ou outro o sono e/ou o apetite, o desequilíbrio emocional afeta a própria racionalidade, levando à crença de que não há solução possível.

Cada vez mais a pessoa desesperada passa a atribuir significado excessivo ao dinheiro e a falta dele é sinônimo de derrota e infelicidade plena, podendo até mesmo ser o gatilho para pensamentos suicidas ou para o próprio ato.

A discussão sobre até onde ir para conseguir dinheiro e o quanto ele resolve ou não resolve os problemas do cotidiano das pessoas é a temática de Round 6, a série mais assistida da Netflix, com mais de 111 milhões de espectadores. Além da grande audiência, a série tem sido muito discutida por causa de sua extrema violência, que pode chocar espectadores mais sensíveis. Contudo, por trás da violência e da ficção, a série discute valores como ambição, ganância e a desvalorização da vida humana perante a falta de dinheiro – ou ao excesso dele, aspecto revelado apenas nos episódios finais.

Ao considerar os contextos extremos de falta e de excesso de recursos, vem à tona a questão do significado pessoal atribuído às coisas, que é o que conta mais nos mecanismos psicológicos de percepção da realidade, independente da situação financeira. Os valores de bem-estar, de saúde, de família, de espiritualidade (associada ou não à religião) são fundamentais na busca e manutenção do equilíbrio psíquico. O constante movimento rumo ao autoconhecimento e à evolução fortalece esse processo de significação, de delineamento de valores e crenças – o que também inclui a ruptura com padrões dos outros, sobretudo os dos pais, que são os que mais nos influenciam e muitas vezes nos prejudicam também.

Ao entender este processo, sozinho ou com a ajuda de profissionais como psicólogos ou psicoterapeutas, o indivíduo passa a ser mais feliz e consegue organizar melhor os diferentes aspectos de sua vida – financeiro, afetivo, profissional –, o que também o ajuda ter mais capacidade emocional para enfrentar todos os tipos de problemas que surgem, inclusive os financeiros.       

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