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15/03/2021

Editorial - O saldo da insensibilidade

Editorial - O saldo da insensibilidade

A capacidade humana de se colocar no lugar do outro é uma das grandes habilidades inerentes à inteligência da espécie, que alia racionalidade e sentimento. Poder imaginar a dor do outro e se sensibilizar com ela faz com que se busque ajudar, consolar;  demonstra evolução e bons ímpetos.

Aparentemente, até soa como natural, como o mínimo que pode ser feito – sobretudo na sociedade predominantemente de preceitos cristãos em que vivemos –, mas na prática não é. Com a pandemia, as máscaras caíram e o egocentrismo veio à tona. Diante do colapso do sistema de saúde, dos recordes de pessoas que morrem diariamente, muitos ainda preocupam-se apenas consigo mesmos.

Não abrem mão do prazer de comemorar um aniversário, de frequentar os bares, de visitar os parentes, de ir à casa dos amigos. São imunes à capacidade de se sensibilizar com a morte, com a dor na família do outro.

Como crianças imaturas, querem apenas a satisfação do desejo imediato, sem medir as consequências dos atos que praticam.

Esquecem as máscaras, não cumprem o distanciamento, dividem copos, acham o álcool em gel besteira e falam mal das autoridades que tomam medidas rigorosas na tentativa de frear a propagação do coronavírus.

Alguns desses terão de aprender da pior forma que a pandemia é coisa séria. Insensíveis à dor do outro, só terão consciência quando a dor for própria. Enquanto isso, autoridades intensificam a fiscalização e as multas, profissionais de saúde fazem apelos dramáticos e o número de contaminados e de mortos cresce assustadoramente a cada dia.

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