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03/07/2020

Editorial - Novos e grandes desafios de ser professor em tempos de isolamento social

Editorial - Novos e grandes desafios de ser professor em tempos de isolamento social

Qual o papel da escola e qual o papel da família na formação das crianças e adolescentes? Esta é uma pergunta complexa para se responder, porque há vários tipos diferentes de famílias e de escolas, todas elas, hoje, tendo que interagir virtualmente em meio ao isolamento social determinado pela pandemia.

Quanto às famílias, algumas são mais estruturadas outras menos, algumas com boas condições econômicas e outras que têm dificuldades extremas de subsistência, algumas lideradas por pessoas que possuem maturidade psicológica para gerir conflitos e delimitar papéis, enquanto outras sobrevivem como dá, sem comando, sem rotina e sem segurança emocional para o desenvolvimento dos mais jovens.

Quanto às escolas, também há um abismo enorme separando umas das outras. Há aquelas que se preocupam de fato com os alunos e são comprometidas com todo o processo de ensino-aprendizagem, há as escolas que colocam a formalidade acima de tudo e que se dedicam a cumprir à risca o conteúdo programático independentemente dos alunos e também existem as escolas que simplesmente vão levando, como dá.

Neste momento, com a pandemia e a necessidade das aulas à distância, a interação entre os diferentes tipos de escola e os diferentes tipos de família trouxe à tona conflitos e problemas já existentes,  mas que agora passaram a ser mais sensíveis.

Por exemplo, os pais omissos, que delegavam para a escola o papel da educação básica, da definição de limites, estão exaustos com as crias. Não sabem o que fazer, como agir com o filho em casa, sem o professor para aguentar a falta de educação do rebento e lhe corrigir, sem a “escola-depósito”, sem a “a escola-fuga”.  Estes estão com muita saudade do professor que cumpria parte das tarefas familiares.

No outro extremo, há os pais que se dedicam a impor limites, a transmitir valores e a educar os filhos, mas lhes falta a capacidade intelectual para oferecer apoio nas atividades escolares. Por terem menor grau de formação, muitas vezes também não conseguem ajudá-los  a operar as ferramentas tecnológicas necessárias, ou a verificar se existem rotinas de estudo sendo cumpridas, se as atividades foram finalizadas, se foram enviadas.

E é o professor que, mesmo à distância, precisa cuidar de todas essas variáveis, além de ensinar o conteúdo. Com isso, claro que se estabeleceu uma sobrecarga de trabalho para os educadores. Eles precisam estar atentos à realidade econômica, social, intelectual, emocional de cada estudante das muitas turmas da escola. Ainda têm que atuar junto aos diferentes tipos de famílias para obter o apoio aos estudos do aluno, o que obrigatoriamente inclui a adaptação ao uso da tecnologia.  Nesse contexto, se antes da pandemia já não era tarefa das mais simples ser professor, agora então, a missão tem novos e grandes desafios diários a serem superados. É isso que a reportagem destaque dessa semana expõe. 

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