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Edição 1230 - Já nas bancas!
10/06/2020

Editorial - Ingenuidade e vontade de fazer um bom negócio podem ter prejuízo como resultado

Editorial - Ingenuidade e vontade de fazer um bom negócio podem ter prejuízo como resultado

Previsto pelo Código Penal Brasileiro em seu Capítulo VI, Artigo 171, o crime de estelionato é definido como o ato de obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Trata-se de um crime contra o patrimônio, em que alguém é enganado e tem prejuízos por conta disso.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, mais de uma vez por semana, pelo menos um morador dos municípios da região Centro Sul é vítima de estelionato e aciona a Polícia Militar para registrar a ocorrência. São pessoas enganadas pelo antigo golpe do bilhete premiado, pessoas que se utilizam da internet para comprar veículos a partir de anúncios falsos ou pessoas que buscam empréstimos utilizando-se de plataformas não confiáveis. É um misto de ingenuidade e vontade de fazer um bom negócio ou ter acesso a uma bolada de dinheiro inesperado. No final das contas, o resultado é sempre o mesmo: prejuízo.

Desconfiar e buscar uma segunda opinião diante de uma proposta irrecusável são sempre os melhores caminhos a seguir. Também vale pesquisar se a situação inusitada já ocorreu anteriormente e qual foi o desfecho dela. Sempre há um meio para se investigar se é mesmo verdade o excelente negócio, seja buscando na própria internet, seja recorrendo a agentes bancários ou à própria polícia.

Quanto há qualquer dúvida, opte por não fazer o negócio, pelo menos não até que tudo seja esclarecido. Uma das táticas do estelionatário é induzir a vítima a pensar que vai perder a oportunidade da sua vida se não fechar logo o negócio. Isso acontece no caso do golpe do bilhete premiado, em que um comparsa do estelionatário surge repentinamente também demonstrando interesse em “ajudar” a “pobre pessoa” que tem um prêmio enorme para receber, mas não pode. Será que se o fato fosse verdade nenhum familiar ou amigo ajudaria esta pessoa a receber o prêmio? Realmente parar um desconhecido na rua seria a opção lógica de quem tem um prêmio e não possui conta bancária para depositar ou um CPF para sacar o valor?

No caso das vendas falsas pela internet, novamente as vítimas são ludibriadas por sua expectativa de ter encontrado uma oportunidade excepcional.  Aceitam pagar sem ver o carro, sem estar em cartório com o proprietário, de posse dos documentos, para fazer a transferência.   Novamente fica o questionamento: Esta é uma atitude racional?

Já nos golpes que envolvem empréstimos de fontes desconhecidas, a necessidade de obter o crédito para resolver um problema acaba induzindo a vítima a relaxar. Então deixa de tomar os cuidados ideais e deixa de checar. Por que uma empresa ofereceria condições bem melhores que as demais? Por que instituições financeiras sólidas, maiores não oferecem nada similar?  E é preciso fazer um depósito prévio para obter o empréstimo. Faz sentido?

Diante de todas as situações supostamente vantajosas, questione, desconfie, pois, pode ser golpe, pode ser estelionato.