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07/08/2020

Editorial - Inclusão digital é urgente

Editorial - Inclusão digital é urgente

Nunca foi tão essencial falar sobre inclusão digital como agora. Com a impossibilidade dos alunos ficarem juntos em salas de aulas acompanhando as explicações dos professores,  devido à pandemia do novo coronavírus, de repente veio a tona uma enorme população que não tem acesso à internet ou tem apenas um acesso precário à tecnologia.

Faltam ferramentas, como smartphones modernos, mas falta infraestrutura básica, que hoje em dia deixou de ser apenas água encanada e luz elétrica. Acesso ao mudo digital também é algo básico, sobretudo quando desse acesso depende o conseguir ou não estar inserido em todo o processo de educação, em conseguir ou não utilizar as possibilidades de aprendizagem, de conhecimento.

Não adianta tapar o sol com a peneira, o direito à educação está sim prejudicado para aqueles que não têm internet de qualidade. Seja porque não chega o sinal das operadoras de telefonia móvel às casas dos alunos, seja pelo falto de ainda ser caro no Brasil instalar e manter uma internet fixa.

Na área rural de Irati, mesmo onde as operadoras de telefonia oferecem os serviços de dados móveis, a tecnologia disponível ainda é o 3G. Nenhum morador do interior entrevistado pela equipe do jornal comentou sobre a tecnologia 4G – bem mais propícia para assistir os vídeos das aulas online. E mesmo o 3G não chega ou chega precariamente em grande parte das residências. Em alguns lugares, só pega no alto dos morros ou à noite, apenas para enviar e receber mensagens de texto ou de áudio, ou seja, conteúdos bem “leves”.  

É uma espécie de semiacesso, disponível a estudantes que estão tendo menos chances de desenvolvimento  do que aqueles que estão incluídos no mundo digital. Gostando ou não das aulas online, os alunos que podem acompanhar os conteúdos em vídeo tem as aulas regulares do currículo básico. Já os outros, do semiacesso, não.  Muitos deles leem apenas os slides, com o resumo do resumo dos conteúdos, porque é o que dá para baixar, como contam os educadores. Aprender desta forma? É possível? Não cabe a nós respondermos, mas aos pedagogos e às autoridades.    

 O que é certo é a necessidade de investir pesado para tornar o acesso a internet barato, eficiente, popular e comum a todos. Referimo-nos ao acesso de qualidade, que permite assistir vídeos, como os das aulas, e não apenas enviar WhatsApps. É desse acesso que os estudantes do Paraná e do Brasil realmente precisam.   Caso não haja um olhar atento e responsável para esta realidade, podemos ver  aumentar ainda mais a desigualdade social e cultural, que  já são  enormes no Brasil, formando uma geração de excluídos .

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