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22/09/2021

Editorial - Aparências, saúde mental e suicídio

Editorial - Aparências, saúde mental e suicídio

Atualmente, demonstrar bem-estar, consumir e ocupar o dia e a noite com coisas para fazer é um resumo do cotidiano de grande parte das pessoas. Através da mediação das tecnologias, as relações sociais têm se tornado cada vez mais imediatas, frequentes e superficiais. As pessoas estão o tempo todo conectadas umas com as outras, ao mesmo tempo em que estão extremamente solitárias, pois não tratam dos temas mais complexos que lhes afligem, porque o padrão de sociabilidade do momento espera de todos felicidade, saúde e perfeição estética.

É preciso maquiar, fingir, usar filtros, negar o que realmente se é e os sentimentos que se tem. Tudo em busca de uma perfeição inexistente, para ser bem visto e bem quisto.

Psicólogos alertam que esta farsa das aparências pode fazer um grande mal para a saúde mental, pois ajuda o indivíduo a fugir temporariamente dos problemas, dos sentimentos conturbados, das relações sociais conflitantes, mas não o ajuda a encontrar satisfação, nem realização pessoal. Ele deixa de ter capacidade para elaborar sua psique, seu entendimento sobre si mesmo, sua espiritualidade e o mundo que o rodeia. Então tudo parece pesado e sem cor.

Os que convivem presencialmente podem observar os indícios que o outro não está bem. Mudanças bruscas de comportamento, crises de ansiedade e pânico são alguns dos sinais. A situação pode piorar e o indivíduo vê-se sem saída com seus pensamentos e sentimentos. Quando esta dor é externada em palavras como “eu queria sumir”, “eu não sirvo para nada”, os familiares e amigos devem prestar atenção e oferecer ajuda, que pode ser ouvir sem fazer julgamentos e/ou orientar a busca de apoio profissional.

Olhar para o outro com caridade e dedicar tempo para escutá-lo sem desdém ou soluções prontas para a vida dele é um dos grandes gestos de solidariedade que pode ser feito. É demonstrar que pessoa não está sozinha, nem está errada em sentir o que sente. Esta conexão verdadeira leva o outro a sentir-se acolhido, sentir-se melhor. E sentir-se melhor pode ser o início da possibilidade de reestabelecimento da saúde mental e do deixar de lado pensamentos suicidas, que podem levar ao ato do suicídio.

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